sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Certeza da incerteza

Deu n’O Globo 
20-01-2017, por Editorial

Trump inaugura uma era mundial de incertezas


Lorota.

A mensagem implícita no editorial d'O Globo é: a economia está em ordem, mas a imprevisibilidade de Trump pode atrapalhar.

Sugiro uma interpretação alternativa: a ascensão de Trump, eleito presidente dos Estados Unidos apesar de derrotado por mais de 2,5 milhões de votos cidadãos, é o mais conspícuo produto da etapa de incertezas mundiais aberta pela quebra do mercado financeiro em 2007-08.

Nessa ocasião os trabalhadores do mundo conheceram, da maneira mais dramática e sem margem para dúvidas, o limite da expansão da economia mundial movida a produtos financeiros securitizados, insuflados pela corrida compulsória dos capitais às indústrias de bens e serviços não competitivos (fontes de energia, imóveis, serviços urbanos, grifes de todo tipo etc.), parasitárias, por sua vez, de ambientes econômicos de baixos custos regulatórios, aduaneiros, trabalhistas e de capital (privatizações e concessões) – a essência da “virada”, dita neoliberal, de Reagan/Thatcher.

Como recém declarou, pateticamente, o articulista hispano-mexicano Antonio Navalón, de El País, lamentando o ocaso do Estado capitalista do bem-estar:

Ocho años después de la crisis no hay modelo, no hay solución, no hay culpables y nadie sabe dónde ir. Mientras tanto, acabado el Welfare State, el mensaje no es solo que el mundo será mucho peor para nuestros hijos, sino la constatación de que lo que les enseñamos no ha servido de mucho. (..) Los gobernantes están (..) descuidando el presente y poniendo en marcha una gigantesca revolución social que no será primavera, sino otoño o incendio veraniego que lo quemará todo." (Navalón, “Morir por Nada”) [1]

Resumindo (com a vênia de Clinton, o Bill): a incerteza provém da economia, idiota!

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2017-01-20