Globo online 21-06-2011, por C Rocha, E Bottari e F Vasconcellos
Sérgio Cabral viajou em jato de Eike para festa de empresário com quem tem
contratos de R$ 1 bilhão
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Eike Batista e Sérgio Cabral no Rio em 2008
Foto: Fabio Motta / Estadão. Fonte Internet
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(..) Cabral, ainda segundo o governo, embarcou no Aeroporto Santos Dumont às
17h de sexta-feira no jato Legacy de Eike. Estavam a bordo o governador, seu
filho Marco Antonio e a namorada do rapaz, além de Cavendish e sua família.
Após o pouso em Porto Seguro, parte do grupo embarcou no helicóptero para fazer
a primeira viagem até o Jacumã Ocean Resort, de propriedade do piloto, Marcelo
Mattoso de Almeida - um ex-doleiro acusado de fraude cambial há 15 anos e de
crime ambiental de sua empresa, a First Class, na Praia do Iguaçu, na Ilha
Grande, em Angra dos Reis. A decolagem foi às 18h31m, mas a aeronave
desapareceu no mar. A última visualização de radar do helicóptero ocorreu às
18h57m. Cabral, seu filho Marco Antonio e Cavendish iriam na segunda viagem,
rumo a Jacumã. A volta do governador ao Rio, na segunda-feira de manhã, foi num
jatinho da Líder, pago pelo governo do estado. Eike doou R$ 750 mil para
campanha.
Além de Cavendish, Eike mantém estreitas relações com o estado e com o
governador. O megaempresário doou R$ 750 mil para a campanha de Cabral em 2010.
Eike se comprometeu ainda a investir R$ 40 milhões no projeto das UPPs, a
menina dos olhos da segurança do Rio.
Desta vez, a participação de Eike, ao oferecer o passeio até Porto
Seguro, não tinha relação com projetos públicos. O motivo da viagem era o
aniversário de Cavendish, comemorado sexta-feira.
Os laços do empresário e da
Delta com o estado foram se estreitando nos últimos anos. Se é o "príncipe
do PAC" por conta do expressivo número de obras do programa federal que
estão na carteira de sua empresa, Cavendish é o rei do Rio, se for considerada
a generosa fatia do bolo de recursos do estado que recebeu nos últimos anos ou
está prestes a abocanhar, por obras como a reforma do Maracanã ou do Arco
Rodoviário, ambas estimadas em R$ 1 bilhão cada. Em 2007, no primeiro ano do
governo Cabral, a Delta teve empenhos (recursos reservados para pagamento) no
valor total de R$ 67,2 milhões. No ano passado, o número deu um salto de 655%,
para R$ 506 milhões.
Nascida em Recife, a Delta ganhou impulso, no Rio, no governo Anthony
Garotinho. Hoje ocupa posição de destaque na execução orçamentária de Cabral.
Apenas em rubricas com grande concentração de obras, as cifras se agigantam: o
DER empenhou em favor da empresa, no ano passado, R$ 40,1 milhões, e a
Secretaria estadual de Obras, R$ 67,9 milhões. (..)
2011-06-22