quinta-feira, 16 de abril de 2015

Abril despetalado

1 As domingueiras anti-governamentais e globo-patrióticas de abril confirmam que a burguesia brasileira segue sendo, como liderança social e histórica, um mal-entendido: o seu sócio preferencial é o Estado, a sua grande força de sustentação a inércia, o seu posto político favorito a moita e os seus autênticos heróis os candidatos que disputam, a cada quatro anos, a corrida eleitoral à Casa Branca.

2 O pretenso líder conservador Aécio Neves é um morto-vivo político, que só teve 49% dos votos válidos  porque os estrategistas do PT, primeiro, e logo a "desconstruída" Marina Silva, em pessoa, se encarregaram de depositar em seu colo milhões de votos de gente trabalhadora e progressista de boa fé, por isso mesmo desconfiada das reinações da alta burocracia petista com o financiamento da própria sobrevivência política.


O Globo online 13-04-2015. Captura de tela. 

3 Em face dos percalços econômicos, o governo Dilma aderna à direita não por causa do peso político do empresariado (vale lembrar que a cúpula das grandes empreiteiras está recolhida aos costumes e/ou negociando delações premiadas), mas porque o Partido dos Trabalhadores se desquitou, faz tempo, de sua base social originária para poder flertar, livre, leve e solto, com camadas mais afluentes - e volúveis - da sociedade brasileira, das quais se tornou, obviamente, refém. E o que é mais, manobras de retorno ao ninho, por não serem sinceras, mas forçadas pelas circunstâncias, tenderão a produzir resultados canhestros. 

4 Perplexa com os extravios do partido de seus progenitores, a rejuvenescida classe trabalhadora brasileira aguarda, apreensiva, o impacto da marcha atrás no ritmo da atividade econômica sobre a sua recém-adquirida bonança. Só então a montanha se moverá. A incógnita, em qualquer caso, é: de onde virão - se é que virão - e por que tipo de ideias se guiarão as suas novas lideranças?


5 A Operação Lava-Jato é, seguramente, no momento, o partido mais popular do Brasil.

6 “A natureza detesta o vazio” (Aristóteles).



2015-04-16