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domingo, 5 de agosto de 2018

Avebarna Domingo: O Capital no Século XXI

Viento Sur 31-07-2018, por Michel Husson
https://vientosur.info/la-explicacion-del-desempleo-por-los-economistas-dominantes/

La explicación del desempleo por los economistas dominantes

(..) 
El modelo de base que está tras los discursos y las prácticas neoliberales pone en juego tres relaciones:

- la curva de Phillips o uno de sus sucedáneos: el desempleo permite ajustar una inflación esencialmente salarial;


- la demanda global: varía en sentido inverso a la tasa de interés real;

- el “ajuste de Taylor” cuando la inflación sobrepasa el objetivo fijado, el banco central aumenta el tipo de interés y reduce o frena la demanda, es decir el empleo.

Está claro entonces que si la curva de Phillips se evapora, desaparece ese modelo de gestión. Es lo que teme Oliver Blanchard, ya citado: “la curva de Phillips está siempre ahí. Pero su forma actual plantea serios desafíos a la política monetaria”. Patrick Artus va más lejos: “Si estas evoluciones persisten, se hunde todo el fundamento teórico de la política monetaria de la zona euro (pilar monetario, reacción de los tipos de interés a las tasas de desempleo o al outpout gap -diferencia entre el PIB real y el ptencial, ndt-, credibilidad), por lo que debería ser reemplazado” . Y es el Financial Times quien mejor resume la situación: “retirad la curva de Phillips y los banqueros centrales van a chapotear”.

Diez años después del estallido de la crisis, los economistas dominantes constatan con decepción que sus juguetes ya no funcionan. Sus esquemas con pretensión teórica no tienen contacto con el funcionamiento concreto del capitalismo. Patrick Artus, decididamente muy lúcido, reconoce no saber ya “analizar la situación. Es bastante increíble constatar que The Economist deplora el demasiado débil poder de negociación de los trabajadores. La biblia del neoliberalismo inteligente sugiere “incrementar el poder de los trabajadores” e “históricamente la mejor forma de llegar a ello es impulsando la sindicación de cada vez más trabajadores”. ¡¿Estamos soñando?! Pero la conclusión del artículo suena también como una advertencia: “Más poder a los trabajadores descontentaría sin duda a los empresarios. Pero es mucho más temible un mundo en el que los aumentos de salarios serían inimaginables”.

2018-08-05

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O capital no século XXI: competição global, Estado nacional, desabarato geral

USA Today 24-11-2016, por Isaac Scharf/Associated Press

Trump’s Mexican wall a boon for Israeli security company
Palestine apartheid wall
Fonte: Internet
(..) Magal was established in 1965 as a branch of the state-owned Israel Aerospace Industries. It was privatized 15 years later and has traded on the Nasdaq since 1993. Magal has served customers in over 80 countries, including airports, the seaport in Mombasa, Kenya, and sporting events and utilities.

With market capitalization below $100 million, the company is much smaller than potential competitors, which could include major global electronics and construction firms. But it’s a leader in a country that is in turn a global leader in the building of barriers.

Israeli defense officials confirmed Magal’s projects have included not only the West Bank barrier but a 150-mile (220-kilometer) structure that has halted an influx of African migrants across the Egyptian border as well as a high-tech fence separating the Hamas-ruled Gaza Strip from Israel. (..)

2016-12-01

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Marolinha, vagalhão


 "A Grande Onda de Kanagawa", Katsushita Hokusai (1760-1849)

Luís Inácio passou dois mandatos dando a entender aos brasileiros que conhecia a fórmula mágica do capitalismo sem crises, de crescimento ininterrupto e ilimitado. Chegou-se até a especular, em algum momento, em quanto tempo o Brasil teria um PIB per capita de Primeiro Mundo. Não admira, pois, que, indignados com os cambalachos revelados pela Lava-Jato e insuflados pela má-fé cínica dos analistas globais, milhões de novos-remediados acreditem hoje que a crise econômica é criação de Dilma e do PT. 

Como diz a minha vizinha, quem só espera marolinha pode se afogar num vagalhão.

2015-09-17


sábado, 11 de abril de 2015

La philosophie de Mme Lagarde

El País  10-04-2015, por Moisés Naim 
http://economia.elpais.com/economia/2015/04/10/actualidad/1428686840_221082.html

“El sistema capitalista deja margen suficiente para la renovación”

 
Montagem: Avebarna
Sem dúvida!

Ainda há, neste mundo de Deus, centenas de sistemas integrados de transporte por segmentar e privatizar, vastos serviços públicos essenciais por concessionar, imensas riquezas naturais por açambarcar, magníficos patrimônios culturais por patentear, fabulosos intangíveis por internalizar, inúmeras guerras locais por fomentar e terra urbanizada escassa o suficiente para se fartar de especular.

Produzir mercadorias – hélas! - já quase não é um bom negócio. Mas nem tudo está perdido: no outsourcing ainda há milhões de trabalhadores sem direitos por explorar e no insourcing outros tantos, com direitos, por terceirizar!

2015-04-11

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O futebol e a cidade: prodígios da oferta fixa

Lancenet 18-01-2015, por Radar/Lancepress
http://www.lancenet.com.br/minuto/Del-Nero-divida-brasileiros-impagavel_0_1287471285.html#ixzz3PZx7v8pX
A jornal, Del Nero diz que dívida dos clubes brasileiros é 'quase impagável'  
Montagem: Avebarna
Jogadores de futebol, assim como as localizações urbanas (terrenos ou frações ideais), são “bens de oferta fixa”.

Isto significa que, ao contrário dos bens industriais em geral,  seus preços são determinados pela concorrência entre demandantes, prevalecendo, na compra ou arrendamento dos bens de maior "utilidade", os demandantes com maior capacidade de pagamento (ou endividamento).

Dito de outra forma, o preço de um bem de oferta fixa equivale ao máximo* que um demandante está apto e disposto a pagar para não ter de se contentar com o bem de utilidade imediatamente inferior. 

E, por essa mesma razão, a carga tributária, ao invés de se repartir, pela via da concorrência entre vendedores e compradores, equitativamente entre uns e outros, tende a recair integralmente sobre os primeiros - como ocorre com os bens arrematados em leilões.

Nas cidades, os impostos sobre a propriedade do solo (ITBI, IPTU) reduzem, em valor equivalente, o aluguel, ou preço de transação  dos imóveis, razão pela qual os locadores são adversários viscerais dos aumentos de IPTU e das taxas condominiais. De um modo geral, tudo o que a municipalidade deixa de cobrar à propriedade do solo como imposto se transforma em renda privada sob a forma de aluguel ou preço de venda (aluguel capitalizado).

 Transpondo esse raciocínio para o futebol, é fácil deduzir que a dívida fiscal (INSS, etc.) que o governo deixa de cobrar dos clubes se converte, como uma espécie de subsídio à demanda, em maior capacidade de compra e, daí, em aumento dos preços dos jogadores.

E se a inadimplência fiscal for uma prática comum nesse mercado, o resultado será uma inflação generalizada de preços e a transferência líquida da receita pública não arrecadada para os bolsos dos proprietários dos direitos econômicos dos jogadores e dos intermediários das transações.

Em outras palavras, toda a dívida dos clubes com o governo há muito já se converteu em capital privado pikettiano nas contas bancárias dos espertalhões do futebol. 

E clubes como Flamengo e Fluminense, que vêm suando a camisa para honrar seus débitos com a Receita Federal, acabam, tal como o comprador de um lote clandestino que recebe tempos depois um carnê de IPTU, pagando por seus craques pela segunda vez. Capisce?
____ 
*E também por causa disso, os negócios envolvendo futebolistas de alto nível são, como as transações de imóveis excepcionalmente bem localizados, muito propícios à lavagem de dinheiro proveniente de negócios obscuros.

2015-01-22

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Cine Avebarna: Minha Adorável Lavanderia

Achei Londres.com 27-12-2014
http://www.acheilondres.com/1191/noticias/drogas_anabolizam_o_pib_do_reino_unido.html
Drogas Anabolizam o PIB do Reino Unido
Com a nova diretriz da União Europeia, que determina a seus membros que contabilizem atividades como prostituição e tráfico de drogas, PIB britânico supera o da França e coloca país como a 5ª maior economia do planeta; relatório da consultoria britânica Centre for Economics and Business Research mostra que a Rússia, em crise, caiu da 8ª para a 10ª posição, ultrapassada por Itália e Índia; Brasil está na 7ª posição e chegará à 5ª em 2019; China ultrapassará os EUA em 2025. 

O Reino Unido já pode se gabar de ser a quinta economia do mundo em 2014, à frente da França. O “salto” do Produto Interno Bruto britânico se deve a uma nova diretriz da União Europeia que determinou a seus membros que contabilizem atividades como prostituição e tráfico de drogas. A informação foi extraída de dados compilados pela consultoria britânica Centre for Economics and Business Research (Cebr). (..)
2014-12-30 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O Maracanã em pó e o capitalismo do desastre

Postagem de abertura gentilmente cedida por À beira do urbanismo. www.abeiradourbanismo.blogspot.com. A redação agradece.


Montagem: Avebarna

Meus poucos, porém fiéis leitores interessados em temas urbanísticos hão de achar enfadonha a insistência no tema dos jogos olímpicos e pan-americanos. 

Não os culpo. Eles estão cobertos de razão. 

Peço-lhes apenas considerar a possibilidade de que não se trate de uma obsessão particular, mas, digamos, de um reflexo profissional e cidadão em face da obsessão dos homens públicos que, democraticamente encarapitados nos três níveis de governo, decidiram que organizar Jogos Olímpicos e Copas do Mundo nos termos ditados pelo COI e pela FIFA é um bom negócio para o nosso país e as nossas cidades. Eles não fazem contas (deixam para que os Tribunais de Contas tampouco façam), só cálculos... 

A Olímpiada, à primeira e segunda vista um objeto lateral ao urbanismo, é há pelo menos duas décadas a filha dileta do casamento da indústria internacional dos grandes eventos com a gestão urbanística guiada por princípios de livre mercado. Em breve postarei um artigo dando meu testemunho de como e porque, em meados da década de 1990, essa perspectiva foi abraçada pela prefeitura do Rio de Janeiro, sob o nome de “Plano Estratégico”, como solução para o baixíssimo nível de investimento público e, portanto, de desenvolvimento da cidade. 

Fato é que, enquanto eu cogitava a próxima postagem de À beira do urbanismo – e traduzia uma coletânea de artigos curtos sobre as melhores bandas de pop e rock da última década (recomendo a Dirty Projectors, em especial “Cannibal Resource” e a celestial “Two Doves” na voz doce e sussurrante de Angel Deradoorian) – uma nova pérola pan-olímpica caiu rolando no meu widescreen. 

Dias atrás, o jornal online Lancenet informou que os Jogos Panamericanos de Guadalajara de 2011 acusavam um déficit de 70 milhões de dólares. Até aí, nenhuma novidade. O que me chamou a atenção foi a declaração do presidente do comitê organizador, Carlos Andrade Garín: “O governo tem avalizado os jogos e o que faltar terão (sic) que nos dar. Já não estamos pensando em quanto dinheiro falta, mas de quanto precisamos”. O mesmo artigo atribui o buraco financeiro dos Jogos “à recusa do Congresso Federal de conceder 1,75 bilhão de pesos de subsídio extraordinário”. 

Três vivas ao Congresso Federal mexicano! Afinal, por que dar subsídios extraordinários a um mega-negócio privado cujos custos e benefícios públicos ninguém – a começar pelo Caderno de Encargos do COI – faz a menor questão de sequer estimar? O legado! Ah, o legado! O legado da reforma do Estádio do Maracanã e do Parque Aquático Julio Delamare para o Panamericano de 2007 no Rio de Janeiro é... a montanha de entulho da completa demolição de ambos para a construção de um novo estádio para a Copa do Mundo de 2014! Dinheiro público literalmente transformado em pó. Inspirado em Naomi Klein, pensei: "Que extraordinária lição de 'capitalismo do desastre': onde a natureza recalcitra, o governo arbitra!" 

Impossível não dar asas a este tema fascinante. À parte o conteúdo esportivo sem o qual não poderiam existir – estamos falando de espetáculos de primeira linha (até já reservei o melhor lugar do meu sofá) –, os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo pertencem a um ramo transnacional da economia dita de livre (!) mercado (!) muito pouco discutido e menos ainda compreendido. 

Não tenho a pretensão de cobrir tal lacuna: faltam-me o conhecimento e o tempo necessário para adquiri-lo. Mas quero compartilhar com os leitores algumas idéias, semana a semana, ainda que à custa de me afastar totalmente de nosso objeto. 

A mera intuição me diz que tudo isso guarda certa relação com os sucessos a que o ex-Economista Chefe do Banco Mundial Joseph Stigliz, em seu recém publicado livro sobre a debacle financeira de fins de 2008, O Mundo em Queda Livre, se refere como “O grande roubo americano” (Capítulo 6): a transferência de centenas de milhões de dólares dos cidadãos estadunidenses, a fundo perdido, para o salvamento dos grandes apostadores da roleta financeira em que se transformou o sistema bancário do país. 

Como, ao contrário de nossos eternamente narcisistas irmãos do Norte, não creio que esta classe de roubo se resuma aos Estados Unidos nem seus beneficiários a Wall Street, sugiro em nosso caso uma série chamada, à moda dos escritos científicos do século XVII, “A pilhagem globalizada dos tesouros nacionais por certas classes de negócios privados que têm livre acesso aos cofres públicos”. 

Em alguma postagem futura falarei também sobre um aspecto correlato, verdadeiramente orwelliano (outra vez!), dos Jogos modernos: a recente tentativa do Comitê Olímpico Brasileiro de monopolizar o direito de uso das expressões “Olimpíadas”, “Jogos Olímpicos” e seus derivados. Acreditem, é verdade. 

Retornando ao ponto de onde começamos, sou forçado a admitir que muitas dessas postagens não caberão, nem com muita boa vontade, no plano temático de À beira do urbanismo. É para dar asas a tais digressões que levanta vôo esta velha e autêntica obsessão particular – agora sim! – chamada Uma estranha e gigantesca ave sobre Barcelona. Os leitores poderão se informar sobre suas enigmáticas aparições e acompanhar minha busca por seus rastros em www.avebarna.com. À beira do urbanismo seguirá seu caminho, atendo-se na medida do possível ao objeto para o qual foi criado, à sombra do misterioso fenômeno mediterrâneo. Salve, monstro!

2011-05-11