terça-feira, 1 de novembro de 2011

O enigma da meia-entrada

Em si mesma, a discussão da meia-entrada na Copa do Mundo me parece uma tolice sem sentido. No marco da política geral do governo brasileiro para a realização da Copa do Mundo, porém, ela se parece mais, infelizmente, com poeira nos olhos do público.

O mínimo que se poderia esperar de um contrato com a entidade privada dona dos direitos da Copa do Mundo é que esta exigisse o controle total da receita de ingressos. Se há uma única coisa compreensível, senão razoável, no acordo com a FIFA é que os ingressos sejam vendidos pelo preço fixado pela entidade.

É evidente, nesse caso, que, se o governo brasileiro quisesse respeitar a lei da meia-entrada bastaria subsidiá-la na cota de ingressos destinados ao público doméstico. Se a Copa do Mundo fosse um empreendimento verdadeiramente privado acolhido com interesse pelo Estado brasileiro, o subsídio à meia-entrada seria um custo público efetivamente desprezível, amplamente compensado pelas externalidades positivas do empreendimento.

Ocorre, porém, que, como eu mesmo já disse em outro lugar, a Copa do Mundo não é um empreendimento privado, mas uma gigantesca operação estatal de ajuda aos posseiros do negócio do futebol e seus fornecedores, construtoras e hoteleiros, mediante fabulosos investimentos públicos a fundo perdido e polpudas isenções fiscais. Para a FIFA, trata-se de produzir seu espetáculo a custos de mão-de-obra, infraestrutura, equipamentos e serviços de Terceiro Mundo para vendê-los na Europa, Ásia e EUA a preços de Primeiro.

Nessas circunstâncias, o governo me parece acertar tarde demais. Enquanto os grandes espertalhões do negócio futebolístico usufruem os generosos subsídios já concedidos e o governo (se liga, PT!) os pontos conquistados na parada do prestígio internacional, os jovens e idosos interessados em assistir às partidas da Copa nos novos estádios brasileiros classe FIFA correm o risco de ficar sem o seu direito à meia-entrada.


2011-11-01

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ler ou não ler Fukuyama chega a ser uma questão?

Decidido a colocar um pouco de método em minhas leituras para tentar enxergar algum rastro da estranha e gigantesca ave que avultou, a certa altura, no céu de Barcelona, começo a encarar The End of History and the Last Man, de Francis Fukuyama.

Afinal, trata-se do livro que marcou, ainda em 1992, a primeira e até hoje mais conhecida tomada de posição teórica do liberalismo em face do desmoronamento da União Soviética. A edição 2006 da Free Press – um nome muito a propósito – é uma brochura de 400 páginas em letra miúda. Respiro fundo e começo. 

Eis que, ainda no prefácio, depois de definir o “desejo de reconhecimento como motor da história” – proposição que me deixou ao mesmo tempo espantado e curioso – Fukuyama nos apresenta a seguinte construção: 

“A luta pelo reconhecimento nos dá uma idéia da natureza da política internacional. O mesmo desejo de reconhecimento que originalmente levou dois indivíduos beligerantes a uma sangrenta batalha de prestígio conduz logicamente ao imperialismo e ao império mundial. A relação senhor-vassalo a nível doméstico é naturalmente reproduzida a nível dos Estados, onde países em busca de reconhecimento se engajam em sangrentas batalhas pela supremacia.”

Esta passagem me trouxe imediatamente à lembrança certa crítica que havia lido em tempos (muito) passados. Na primeira oportunidade fui à prateleira dos quase esquecidos, peguei o livro e, depois de alguma pesquisa, achei o que procurava. Estava lá, tão rigorosamente aplicável quanto eu havia imaginado. Ao leitor ludicamente motivado deixo a missão de descobrir o autor dessas linhas e o alvo da sua diatribe. Foi escrito em 1878 – mas poderia ter sido em 1992.

“O sr. [X] analisa a sociedade em seus elementos mais simples e descobre que a mesma, reduzida em sua expressão mais simples, é formada por dois homens. (...) Existe algum problema de economia, política, etc. para resolver? Pois imediatamente se põem em campo os nossos dois homens e resolvem a coisa “axiomaticamente”, de um só golpe. (...) É pena que o respeito à verdade nos obrigue a dizer que a descoberta não é precisamente sua! Esses dois homens de encomenda são patrimônio de todos o século XVIII. Já os conhecemos em 1754 no “Discurso sobre as desigualdades dos homens de J. J. Rousseau (...). Tornamos a nos encontrar com eles, desempenhando um papel de relevo, na economia política desde Adam Smith até Ricardo (...). Mas o século XVIII se utiliza, de um modo quase exclusivo, desses personagens, a título de ilustração e exemplo; a originalidade do sr. [X] consiste em tomar este método puramente ilustrativo como método fundamental aplicável a toda a ciência da sociedade e como critério para o estudo de todas as manifestações históricas.”
 
Até aqui, diria o nosso rigoroso crítico, trata-se de má filosofia. Mais adiante, porém, no mesmo prefácio, Fukuyama nos apresenta a sua visão de ciência empírica aplicada ao fenômeno da guerra imperialista:

"Um mundo constituído de democracias liberais deveria, pois, ter muito menos incentivo para a guerra dado que todos os países se reconheceriam como reciprocamente legítimos. De fato, substanciais evidências empíricas [itálico meu] dos últimos dois séculos mostram que as democracias liberais não se comportam de maneira imperialista umas em relação às outras, ainda que sejam perfeitamente capazes de ir à guerra contra Estados que não são democracias e não compartem seus valores fundamentais."

Esta maravilha da razão dedutiva, que para o autor é, provavelmente, puro produto da indução   ("substanciais evidências empíricas mostram que") pode ser expressa por meio do seguinte silogismo:

1 Países imperialistas fazem guerra contra outros países
2 As democracias liberais não se guerrearam nos últimos dois séculos
3 Logo, as democracias liberais não são imperialistas umas em relação às outras.

A restrição assinalada em itálico dá conta do que se me afigura um canhestro álibi com que o autor tenta não dar margem a que o acusem de afirmar que democracias liberais não são, por definição, imperialistas. 

Fukuyama diz que os países liberais não são imperialistas “entre si” para preparar o leitor para a sua originalíssima tese de que eles são, porém, "perfeitamente capazes de ir à guerra contra Estados que não são democracias e não compartem seus valores fundamentais." Pode-se inferir, pois, que, para Fukuyama, a ação das democracias liberais na África, Ásia, Oriente Médio e América do Sul é, de fato, “comportamento imperialista”, mas... não conta como tal. Por quê? 

Porque as nações subjugadas não eram democracias liberais. 

Qualquer semelhança com a ideia da justeza intrínseca de sua "missão civilizacional" com que os britânicos sempre justificaram a barbárie colonialista da velha Albion na Ásia e África não é mera coincidência. É imperialismo requentado. 

Além disso, nos sugere o professor, as guerras mundiais do século XX não tiveram nada a ver com “comportamento imperialista” porque não opuseram umas contra as outras as [nações mais tarde identificadas como] democracias liberais. (Cabe lembrar aqui que a Alemanha foi, de fato, uma democracia liberal entre a derrota do levante operário que forçou o fim da I Guerra Mundial e a ascensão de Hitler – pelos caminhos da democracia liberal, aliás, o que talvez se explique pelo fato de os alemães não serem, afinal, tão fanáticos pelo liberalismo quanto deveriam). 

Para Fukuyama parece inteiramente irrelevante que, nessas guerras, de um lado estivessem as democracias liberais - a começar da campeã do pacifismo internacional, a Grã-Bretanha - detentoras do controle absoluto de quase todas as economias periféricas do planeta, na época chamadas de “colônias” e, do outro, as potências capitalistas retardatárias, convertidas em repúblicas fascistas sequiosas por obter a sua parte no butim africano e asiático, principalmente. A posição das democracias liberais seria intrinsecamente justa porque as economias dominadas não eram democracias liberais, mas reinos ou repúblicas despóticas, e a das potências fascistas intrinsecamente injusta por estarem situadas no mesmo plano moral – não liberal-democrático – das tiranias periféricas. 

E assim vamos, andando sempre em círculos. 

Com a circunspecção acadêmica de quem acredita estar apenas repisando noções há muito assentadas – a que não falta a inestimável legitimação antecipada da própria ciência comunista oficial – este paladino do liberalismo assim introduz, sem nem precisar mencioná-la, a confortante versão de que a carnificina imperialista mundial de 1939-45 foi uma guerra das democracias liberais contra o fascismo. “Disgusting!”, digo eu, à maneira do nosso Francis. 

Ao terminar o prefácio, já arrastando os tamancos, eu me perguntei: com o devido respeito ao autor e à minha disciplina de leituras, vale a pena perder meu precioso tempo com 400 páginas deste provável pântano de pura ideologia "liberal"? 

O livro está lá, na fila de espera. Ainda pretendo lê-lo, página a página, estoicamente. Mas não antes de me entender com essa entidade verdadeiramente orwelliana que assola os nossos meios de comunicação e agride a nossa inteligência – a “comunidade internacional”. O fim da história fica para depois.

2011-10-26

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Desinformando Khadafi



Na manhã seguinte à morte de Khadafi, a primeira meia página de O Globo estampava, em letras garrafais: “O Fim Violento de um Ditador”.

Eu fiquei imaginando quantos homens-horas de jornalistas da editoria terão sido gastas para imaginar manchete tão perfeitamente confortante e ambígua. Não vi ninguém parado na banca querendo saber das circunstâncias. Que importa? Se a Casa Branca, a OTAN e a TV Globo – ou seja, toda a “comunidade internacional” – garantem que o sujeito era um ditador sanguinário e por isso merecia morrer, que diferença faz quem o matou, como matou e por que matou?

Que importa se o regime atribuído à 'primavera líbia' não fez a menor questão de capturá-lo vivo para ser pública e transparentemente julgado por seus crimes?

A nossa presidenta Dilma Rousseff, num saudável reflexo, disse: “Não se comemora a morte de qualquer líder”, querendo obviamente dizer “Não se comemora a morte de um chefe de Estado, seja de que Estado for”. Diplomaticamente perfeito. Só me pergunto se ela, que conheceu na carne os porões da ditadura, não tinha em mente, mais do que a máscara torturada de Khadafi, o espectro distante, mas ainda assustador, de Allende.

2011-10-25


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Areia [ainda] não paga royalties


Confesso a minha perplexidade com a discussão sobre a distribuição dos royalties do petróleo no Brasil.

É claro que os estados e municípios afetados pela produção têm custos, riscos e externalidades negativas (a periferia empobrecida de Macaé, por exemplo), e por isso fazem jus a uma participação diferenciada. De resto, a riqueza do petróleo é da nação e deve, tanto quanto a representação democrática, ser distribuída proporcionalmente. E se os Estados ditos produtores ficaram mal-acostumados com o incompreensível privilégio - pois que ganhem um tempo para se adaptar.

Tudo mais são, para mim, variantes do pior tipo de nacionalismo - o de província: se o Piauí não tem petróleo, que arranje um jeito de vender areia!

Se o PT fizesse uma pesquisa honesta sobre o tema nas fábricas e empresas de todo o Brasil, eu duvido que a maioria dos trabalhadores, inclusive os do Rio de Janeiro, revelasse um ponto de vista substancialmente diferente.

2011-10-24

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A revolução democrática pan-árabe e o assassinato de Khadafi


Se o movimento das multidões líbias - parte integrante da revolução democrática pan-árabe iniciada na Tunísia e cujo ponto mais alto até aqui foi o Egito de Mubarak - tivesse desembocado numa revolução radicalmente democrática como, digamos, a Francesa, que investigasse devidamente os negócios de Khadafi, sua família e seus sicários com os líderes e serviços secretos das potências imperialistas e suas empresas petroleiras, o califado burocrático da Lìbia teria, quem sabe, acabado com a condenação à morte do califa... por traição à memória histórica da revolução nacional pan-árabe, em cujo panteão figuram personagens ilustres como Mossadegh, do Irã, Nasser, do Egito e... Khadafi, da Líbia! 

Ocorre, porém, que Khadafi foi executado por instigação da propaganda dos Estados Unidos e aliados europeus e provável ordem direta dessa organização de origem e composição desconhecidas chamada Conselho Nacional de Transição, reconhecida com indisfarçável sofreguidão e interesse pelos governos da França e Itália logo nos primeiros dias de transformação das manifestações de rua em conflito armado. 

O motivo? É o que explica, por incrível que pareça, O Globo online deste 21-10-2011: 

Qualquer tribunal poderia dar a Khadafi uma nova oportunidade de constranger tanto os novos líderes da Líbia quanto as potências internacionais e lembrar questões que todos preferem deixar esquecidas. Além disso, ele poderia relembrar laços com importantes companhias de petróleo que na última década assinaram contratos bilionários com o regime. (“Morte de Khadafi evita julgamento longo que poderia dividir a Líbia e constranger líderes ocidentais”. O Globo Online, 21-10-2011)

A matéria d'O Globo Online é uma confissão aberta do caráter absolutamente antidemocrático e pró-imperialista - numa palavra, reacionário - da intervenção da OTAN na Líbia em comum acordo com o CNT - a nova liderança líbia assumida a priori pela "comunidade internacional" como legítima encarnação e representação do que ela chama de "primavera árabe". (Continua)

2011-10-21

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Made in Periphery

Imagem: Internet
autoria não identificada
Num outlet Lacoste de Buenos Aires, a etiqueta de uma camisa pólo dizia: Designed in FranceMade in Peru. Preço: 260 pesos (130 reais). 

Três vivas à Lacoste, que dá emprego ao trabalhador peruano e põe o Peru no mapa do mundo! 

A Nike produz tênis na Tailândia por, sei lá, 5 dólares e os vende em Paris e Nova York por 150. 

Três vivas à Nike, que dá emprego ao trabalhador tailandês e põe a Tailândia no mapa do mundo!

A FIFA produz Copas do Mundo na África do Sul, Brasil, Rússia e Catar, por X bilhões de dólares, a maior parte doada pelos respectivos Estados nacionais, para vender ao mundo inteiro por X*Y bilhões, sendo Y>1. Li recentemente em algum jornal que ela espera um lucro de 3 bilhões. 

Três vivas à FIFA, que dá emprego aos trabalhadores sul-africanos, brasileiros, russos e... cátaros (!) e põe a África do Sul, o Brasil, a Rússia e o Catar no mapa do mundo! 

2011-10-20

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Internacional democrática

Wikinoticias 16-10-2011

Indignados protestan en mil ciudades a nível mundial 


Miles de indignados se movilizaron en mil ciudades en 71 países, este 15 de octubre bajo la convocatoria "World Revolution 15.0". En algunos casos se reportaron choques entre manifestantes y fuerzas del orden, resultando varios heridos y daños materiales.
Wikinoticias recopila los hechos ocurridos este 15 de octubre en la manifestación convocada por el "Movimiento Democracia Real Ya". (..) 
 
2011-10-17

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Decifra-me ou te devoro, Primavera

Al Jazeera 12-10-2011

Thousands rally in support of Syria's Assad

Tens of thousands take to streets of Damascus in solidarity with Syrian president, chanting slogans against US and EU

Tens of thousands of Syrians have rallied in central Damascus in show of support for President Bashar al-Assad, who is battling a six-month uprising against his rule in which the UN says about 2,900 people have been killed.

"America, out, out, Syria will stay free," chanted the crowd on Wednesday, many of them carrying pictures of Assad and Syrian flags. They also shouted slogans warning the European Union not to intervene in their country. "God, Syria and Bashar," they sang.

State television described the government-backed rally as a "million-strong march ... supporting national independence and rejecting foreign intervention". At the start of the demonstration, a man holding the flags of Russia and China, which vetoed a European-drafted resolution against Syria at the UN last week, flew over the crowd, suspended from a helicopter by rope. It was the biggest demonstration for months in the centre of the capital, which has been relatively untouched by the protests which have rocked Damascus suburbs and other parts of the country.

Speaking to Al Jazeera, Nir Rosen, journalist and author, said: "We might not like to think that but authoritarian regimes sometimes have popular support. "In the whole of the Arab countries, certainly the Syrian regime has the largest base of popular support and much of the country still supports him [Assad]. "Not only Alawite and the Christian community, but even Sunni Bourgeoisie in Damascus and Aleppo support President Assad." "They may be afraid of the unknown, or the civil war, or they may genuinely believe that Assad has done good stuff for the country. "The regime is kind of a marriage between Alawite-dominated security forces and the Sunni business class. "See the Iraq scenario, Christians of Iraq were destroyed, they came to Syria in large numbers. So, Christians fear what may happen to them?

"The opposition has failed to reach out successfully to Alawites, Christians and Druze. Many of them believe there will be civil war should the regime fall, and I think it is quite likely."

2011-10-13

domingo, 9 de outubro de 2011

Copa e Olimpíada: política anticíclica, de desenvolvimento ou de prestígio?


Montagem: Avebarna
A chamada para um artigo publicado no IG Economia em 28/09, assinado por Ilton Caldeira, sobre as conclusões do debate “Macroeconomia Global: O Brasil da Copa e das Olimpíadas”, diz: “Copa e Olimpíada viram receita anticrise”. Reflexo das iniciativas da presidenta para colocar rédeas nos gastos da Copa e enquadrar a FIFA?

Nos Estados Unidos, a classe empresarial voltou a ser resolutamente a favor do equilíbrio das contas públicas depois que o governo abriu a torneira do Tesouro – a fundo perdido – para salvar bancos e financeiras da bancarrota por eles mesmos organizada, episódio que, reitero, foi descrito pelo insuspeito Joseph Stiglitz como “O grande roubo americano”. 

O patronato brasileiro não é diferente. Ele também não perde ocasião de se manifestar enfaticamente favorável à contenção de gastos públicos depois que os três níveis de governo tenham aberto as torneiras de seus respectivos Tesouros para bancar os estádios e os equipamentos e sistemas complementares requeridos pela FIFA e o COI, além da hotelaria privada, aeroportos, transportes urbanos etc, quer seja pela via dos juros subsidiados, da doação de terrenos, das isenções fiscais ou, finalmente, do aporte direto. Para ser exato, não é tanto uma questão de antes e depois quanto de foco seletivo: o patronato é a favor da contenção dos gastos públicos sempre que estes não o beneficiem direta e imediatamente. 

O interessante é que, se há um país onde o investimento em estádios de futebol não tem porque dar prejuízo, é o Brasil. Dada a paixão brasileira pelo futebol, um programa governamental de reforma, ampliação e até construção de novos estádios de futebol poderia ser, sim, um componente relevante da política dita “anticíclica”. Mas não precisa ser analista de projetos para saber que a construção de estádios “padrão FIFA” em Manaus, Natal, Campo Grande e Brasília só pode ser feita pelo Estado e implica ou bem criar um ônus eterno sobre o erário público ou bem jogar todo o investimento na lata do lixo em cinco anos, caso em que o único efeito benéfico do gasto público terá sido o de curtíssimo prazo – o emprego. A conta final dá negativa. 

Em compensação, ali onde muito provavelmente a construção de um novo estádio é lucro garantido – o caso do Corínthians – o BNDES empresta a metade do custo a juros subsidiados e a prefeitura entra com o terreno e um “engenhoso” pacote de incentivos fiscais – a pretexto da urgência, como toda a torcida do Flamengo já sabia – que cobre quase todo o resto. Conta pesadamente negativa.


No Rio, três anos depois da reforma do Maracanã e da construção do Engenhão para os Jogos Panamericanos, chega-se à conclusão de que nem um nem outro se prestam à Copa do Mundo. O Engenhão é alugado ao Botafogo por uma ninharia e o Maracanã virtualmente demolido para se fazer outro em seu lugar. Conta final negativa, uma vez mais. 

Desse jeito, vamos à Grécia! 

A querela em torno da Lei da Copa tem em seu centro os direitos que a FIFA reclama de livre exploração do negócio que lhe pertence – a essência da economia de mercado. Ocorre que a Copa do Mundo tem muito pouco a ver com economia de mercado: é uma gigantesca operação estatal não escrita, não planejada, não delimitada e, principalmente, não contabilizada de isenções e investimentos públicos federais, estaduais e municipais em benefício, principalmente, dos proprietários internacionais e nacionais do negócio do futebol, de suas marcas, empreiteiras, construtoras, hotéis etc. Aos capitalistas, as internalidades; aos trabalhadores, as externalidades: emprego agora, diversão em seguida e, depois, apertar os cintos para pagar as dívidas. 

O mais preocupante é que, desde a candidatura e a hierática cerimônia de “escolha” da sede da Copa de 2014 (a platéia era tão hirta e ensaiada que mais parecia um pleno do CC do extinto PCUS), tudo isso tem o aspecto de uma barganha entre a indústria mais popular do mundo – tão popular que o mundo mal se lembra tratar-se de uma indústria – e um governo de coalizão de todas as classes cada vez mais ávido de prestígio internacional. Tem razão Juca Kfouri ao lembrar que o ex-presidente Lula não levou à FIFA a proposta da candidatura brasileira sem conhecer os termos do negócio. 

O fato de Lula ser um líder sumamente inteligente e empenhado em criar políticas sociais para o Brasil não desobriga o governo de prestar contas ao país nem o PT de colocar em discussão o financiamento dos grandes eventos planetários. Mas é inútil procurar no site do partido um verdadeiro e saudável debate  militante sobre a política de apoio governamental à Copa do Mundo e às Olimpíadas. Por quê? 

Voltando ao início, o fato de que nem uma única voz de peso no mundo empresarial brasileiro tenha se erguido para conclamar o Estado em geral, e os governos em particular, a serem parcimoniosos, responsáveis, transparentes e – por que não? – eficientes nos gastos públicos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas só vem confirmar que a nossa classe dominante não apenas é um zero à esquerda como liderança histórica como, a bem da verdade, não parece nem um pouco preocupada com a nação. “Farinha pouca, meu pirão primeiro”  - é a palavra de ordem - ainda que servido por um governo que ela odeia, por suas origens bastardas, quase tanto quanto despreza os trabalhadores e pobres em geral. 

Se liga, PT!

2011-10-09

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Trilha sonora: Stairway to Heaven



Led Zeppelin


Stairway to Heaven
Robert Plant
Jimmy Page

There's a lady who's sure all that glitters is gold
And she's buying a stairway to Heaven
When she gets there she knows, if the stores are all closed
With a word she can get what she came for
Ooh, ooh, and she's buying a stairway to Heaven
There's a sign on the wall, but she wants to be sure
'Cause you know sometimes words have two meanings
In a tree by the brook, there's a songbird who sings
Sometimes all of our thoughts are misgiven
Ooh, it makes me wonder
Ooh, makes me wonder
There's a feeling I get when I look to the West
And my spirit is crying for leaving
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees
And the voices of those who stand looking
Ooh, it makes me wonder
Ooh, really makes me wonder
And it's whispered that soon if we all call the tune
Then the piper will lead us to reason
And a new day will dawn for those who stand long
And the forests will echo with laughter
Oh-oh-oh-oh-whoa
If there's a bustle in your hedgerow, don't be alarmed now
It's just a spring clean for the May queen
Yes, there are two paths you can go by, but in the long run
There's still time to change the road you're on
And it makes me wonder
Ohh, whoa
Your head is humming, and it won't go, in case you don't know
The piper's calling you to join him
Dear lady, can you hear the wind blow? And did you know
Your stairway lies on the whispering wind?
And as we wind on down the road
Our shadows taller than our soul
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show
How everything still turns to gold
And if you listen very hard
The tune will come to you at last
When all are one, and one is all
To be a rock and not to roll
And she's buying a stairway to Heaven


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Antes tarde do que nunca, que o Brasil não é espelunca


Antes tarde que jamais, minha presidenta Dilma Rousseff resolveu colocar um freio nas pretensões da FIFA de obter vantagens de Estado soberano dentro do Estado brasileiro.

Tenho certeza de que ela terá o total apoio da imensa maioria da nação – da nação trabalhadora, que ama desinteressadamente e não lucra nada, ao contrario, só gasta, com o futebol, assim como dos profissionais e pequenos empresários, que dão duro e recolhem impostos sem as “isenções fiscais da Copa” – se pagar para ver as cartas da FIFA, que ameaça ir fazer o seu negócio da China em algum país mais “amigável”. Na retrocitada, quem sabe.

Para obter tal apoio, basta que a presidenta fale à nação na língua vernácula do PT, a língua dos trabalhadores que as pessoas (e lideranças políticas) honestamente democráticas de todos os partidos  entendem perfeitamente, e as sem-partido também, e não na língua melíflua, escorregadia e ambivalente dessa coalizão tardia e malsã PT-PMDB-sei-lá-mais-o-quê que tem José Sarney, o rei do Maranhão, por fiador. 

O povo brasileiro mais do que ama o futebol - a foto do Pelé socando o ar secundado por Tostão e Jairzinho me parece uma representação muito mais autêntica (e salutar) do orgulho nacional do que o Grito (ai!) do principezinho estróina às margens do Ipiranga - mas não é trouxa. Queremos Copa, mas com soberania nacional e gasto responsável. 

Em frente, presidenta! Faxina em regra, até o fim, para o que der e vier, nos acordos do Brasil com a FIFA e o COI!  

***

Se a FIFA quer que todas a Copas sejam de Primeiro Mundo, por que não escolheu a Inglaterra, a Espanha e a Holanda-Bélgica – que, aliás, já tinham tudo quase pronto – em lugar da África do Sul, Brasil, Rússia e Qatar? 

Elementar meu caro Watson: porque não há nada melhor que preços de Primeiro Mundo com custos de materiais e mão de obra e, last but not least, controle social de gasto público de Terceiro! 

2011-09-28

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Trilha sonora: Lotta Love

Neil Young



Lotta Love
Frank Sampedro
Neil Young

It's gonna take a lotta love
To change the way things are.
It's gonna take a lotta love
Or we won't get too far.

So if you look in my direction
And we don't see eye to eye,
My heart needs protection
And so do I.

It's gonna take a lotta love
To get us thru the night.
It's gonna take a lotta love
To make things work out right.

So if you are out there waitin'
I hope you show up soon,
'Cause my heart needs relatin'
Not solitude.

Gotta lotta love
Gotta lotta love.

It's gonna take a lotta love
To change the way things are.
It's gonna take a lotta love
Or we won't get too far.

It's gonna take a lotta love
To change the way things are.
It's gonna take a lotta love
Or we won't get too far.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Indignados de Norteamérica

El País 18-09-2011, por Bárbara Celis

La Puerta del Sol se traslada a Wall Street
"Tras la primavera árabe y la revolución española, puede que haya llegado la hora del otoño americano". Gary Louisa, un neoyorquino de 21 años, en paro, "sin posibilidades de pagar estudios universitarios porque los préstamos de los bancos tienen intereses disparatados", lo sugería esta mañana en el parque Zuccotti de Nueva York, el lugar escogido por los indignados estadounidenses para inciar una protesta cuyas repercusiones a medio y largo plazo aún no pueden predecirse.

(..) Fueron 296 personas las que se atrevieron a acampar en este parque público pero de propiedad privada, del que los dueños, una empresa inmobiliaria, les habrían echado inmediatamente sino fuera porque "era sábado y había demasiada burocracia de por medio", explica Matt. Él es uno de los miembros de la Asamblea NYC, bajo la que se agrupan personas de todo tipoque desde primeros de agosto se preparaban para su 15-M, en este caso 17-S. Jóvenes estudiantes y jóvenes en paro, más gente que comenzó a unirse entre ayer y hoy, que han visto como sus coetáneos tomaban las calles en otros países y han decidido emular la protesta y sus métodos.

(..) "En Nueva York está prohibido que 20 personas se congreguen en la calle sin permiso y te pueden arrestar por estar en un parque público pasadas las diez de la noche, así que esto es un reto" comentaba Matt frente a una pancarta con el orden del día de la asamblea, que arrancaría por la tarde para decidir qué pasos dar. Junto a él había gente como Louisa, que se había unido al movimiento por la mañana, tras enterarse por Internet, y quien con su saco de dormir al hombro, y sin conocer a nadie, explicaba por qué quería estar allí: "Mi padre trabajó en la Zona Cero como soldador y murió de un cáncer provocado por lo que respiró. Se arruinó pagando las facturas del hospital. Este país no hizo nada por él y no está haciendo nada por mí. Yo tengo que elegir entre comer o ir al dentista, y hace tres años que escojo comer. Estoy en paro pero cuando trabajaba cobraba menos que mi padre hace 20 años. Vamos hacia atrás, no hacia delante. Y la situación es global. La gente corriente está harta de mentiras. Por eso hoy dormiré en Wall Street".

2011-09-19

domingo, 28 de agosto de 2011

Trilha sonora: Love and Money

Bronski Beat


Bronski Beat were a popular British synthpop trio who achieved success in the mid-1980s, particularly with the 1984 chart hit "Smalltown Boy". All members of the group were openly gay and their songs reflected this, often containing political commentary on gay-related issues. The initial line-up, which recorded the majority of the band's hits, consisted of Jimmy Sommerville (vocals), Steve Bronski (keyboards, percussion) and Larry Steinbachek (keyboards, percussion). Somerville left Bronski Beat in 1985, and went on to have success as lead singer of The Communards and as a solo artist. He was replaced by new vocalist John Foster, with whom the band continued to have hits in the UK and Europe through 1986. Foster left Bronski Beat after their second album, and the band used a series of vocalists before dissolving in 1996. (..) 
https://en.wikipedia.org/wiki/Bronski_Beat 

Love and Money
Jimmy Somerville, Larrry Steinbachek e Steve Bronski

Work for money
Spend money
Spend for love
Love for money
Pain and love
Love and pain
Pain and lust
Lust for money
Love and money
Love and money
Exploit for money
Kill for love
Love for money
Exploited love
Love and money
Love and money
Burning me up
Ooh, it's burning me up
Burning me up
Ooh, it's burning me up
Work for money
Spend money
Spend for love
Love for money
Money is the root of all evil
Money is the root of all evil
Money is the root of all evil
Money is the root of all evil
Love and money
Love and money

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Cairo, Madri, pra não dizer Tel Aviv (2)

El País 13-08-2011 

Los indignados salen de Tel Aviv y ganan la periferia de Israel

Decenas de miles de personas se manifiestan por la justicia social. Es la primera vez que el movimiento de los indignados sale de las grandes ciudades y que la minoría árabe participa en la protesta 

Miles de jóvenes israelíes protestan por las calles de Tel Aviv. 
Oded Bality (AP) / El País
Más de 70.000 personas se han manifestado este sábado por la tarde en varias ciudades de la periferia de Israel para pedir justicia social, en el cuarto sábado consecutivo de protestas contra la carestía de la vida. La mayor concentración ha tenido lugar en el céntrico Bulevar Ben Gurión de Haifa, la tercera ciudad del país, mientras que en Beersheva, en el desierto del Neguev y donde se esperaba la mayor asistencia, se han reunido unas 12.000, por debajo de los cálculos de los organizadores, según los canales 2 y 10 de televisión.

Afula, con 12.500; Netania (7.500), Modiin (3.000), Dimona (2.500), Eilat (2.500), Rosh Pina (1.000) y Rishon Letsión (500) han sido otras de las localidades que se han sumado a las protestas, iniciada hace casi un mes en Tel Aviv por los precios de la vivienda y que ha ido ganando adeptos entre diversos sectores de la población.

(..) La minoría árabe ha participado por primera vez en la convocatoria, aunque de forma discreta, con manifestaciones en Sajnin, Taibe y Um al-Fahem.

Para Haim Bar-Yakakov, un trabajador social de Beer Sheva, la manifestación de esta noche ha constituido "un momento histórico". "Vivo desde hace 40 años en esta ciudad, y jamás había visto una movilización semejante. El pueblo entero, judíos y árabes, sefardíes y askenazis [judíos procedentes de la Europa del Este], se han unido por una sociedad más justa", ha explicado. Beduinos y judíos ultraortodoxos se han dejado ver también entre los manifestantes.

(..) En Afula, la protesta ha transcurrido tras una pancarta con el lema "el pueblo ha elegido justicia social", mientras que en Haifa se coreaba "Haifa vuelve a ser roja", en alusión a la fama izquierdista de una ciudad de población judeo-árabe y de carácter obrero.

(..) Netanyahu se niega de momento a reunirse con los indignados y ha creado una comisión de ministros, observadores y expertos para negociar con sus representantes.

2011-08-15

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Austeridade é boa e eu gosto

UOL Economia 10-08-2011, por Marcos Chagas / Agência Brasil
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2011/08/10/em-reuniao-sobre-crise-global-dilma-pede-coesao-a-base-aliada-no-congresso.htm

Em reunião sobre crise global, Dilma pede coesão à base aliada no Congresso

Montagem: Avebarna Imagem original: Internet
(..) O presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), disse que Dilma reafirmou que o país está mais bem preparado para enfrentar o cenário internacional do que em 2008. Entretanto, completou, a presidenta reforçou que necessitará de uma base aliada coesa para aprovar eventuais medidas de enfrentamento à crise.
2011-08-12

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Londres está em chamas

El País 08-08-2011, por Walter Oppenheimer

La violencia se extiende en Londres en la tercera jornada de disturbios callejeros

Policías y grupos de jóvenes se han enfrentado en los barrios de Hackney, Peckham y Lewisham.- La capital revive la violencia: tiendas saqueadas, coches quemados, edificios ardiendo.- Cameron suspende sus vacaciones
Foto PA / The Telegraph

Londres se ha enfrentado a una noche de revueltas generalizadas de jóvenes que amenazaba con extenderse a otras partes de Inglaterra y convertirse en una crisis política sin precedentes. El primer ministro, David Cameron, ha decidido por fin interrumpir sus vacaciones en la región italiana de Toscana y regresar de inmediato a Londres para ponerse al frente de la crisis. La policía no daba abasto no ya para controlar sino pura y simplemente para afrontar unos disturbios que aparecen como champiñones en los más variados barrios de la capital y que han llegado también a Birmingham y amenazan con estallar también en Leeds, en el centro de Inglaterra.

Los disturbios del sábado se extendieron el domingo a otras zonas de Londres, pero el lunes por la noche la violencia estalló en numerosos barrios, desde Hackney y East Ham en el este a Peckham y Lewisham en el sudeste, Clapham en el sur y Croydon, más allá de las fronteras del sur de Londres, una ciudad dormitorio a medio camino entre la capital y el aeropuerto de Gatwick en la que ardía de forma espectacular una gigantesca tienda de muebles.

(..) Los niveles de violencia del lunes por la noche fueron muy superiores a los de la víspera, cuando el estallido de cólera del sábado en Tottenham, provocado por la turbia muerte de un joven de 29 años abatido a tiros por la policía, se extendió con bandas de jóvenes asaltando tiendas de electrodomésticos, de teléfonos móviles y de ropa deportiva en Enfield, al norte; en Walthamstow, al Este; y en Brixton, en el sur de la capital. También se registraron incidentes en Islington, al norte , y en Oxford Circus, corazón comercial de Londres. (..)

2011-08-10

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Periferia indignada

El País online 07-08-2011, por Walter Oppenheimer

El barrio londinense de Tottenham vive una noche de disturbios raciales

Al menos 300 personas se concentran frente a una comisaría de policía al norte de la ciudad en protesta por la muerte de un jóven en un tiroteo con agentes
Montagem Avebarna
Imagem original: El País


Un explosivo cóctel de racismo social y policial exacerbado por un sentimiento de gueto, por la llegada la gran inmigración de Europa del Este, por las dramáticas consecuencias de la crisis económica y por las tensiones generadas por los recortes sociales estalló el sábado por la noche en Tottenham, un barrio del norte de Londres de marcada personalidad, convertido en mosaico de los problemas de las grandes urbes de Europa occidental.

Un conflicto con inconfundible aroma de banlieue parisina derivó en los disturbios más espectaculares que padece Londres desde que policías y manifestantes se enfrentaron también en Tottenham en 1985. Al igual que en París en 2005, el detonante ha sido la muerte de un presunto delincuente. Esta vez, un joven negro de 29 años, Mark Duggan, acribillado a balazos por la policía el pasado jueves cuando iba a ser detenido. El sábado por la tarde, unos 300 vecinos se concentraron ante la comisaría central de la Policía Metropolitana, en la calle mayor del barrio. Sin que nadie sepa muy bien ni cómo ni por qué, la manifestación acabó transformándose en una revuelta violenta a partir de las ocho de la tarde.(..) 

2011-08-09

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cairo, Madri, pra não dizer Tel Aviv

El país online 06-08-2011, por Ana Garralda / Tel Aviv

Más de 300.000 indignados vuelven a tomar las calles de Israel

Indignados de Tel Aviv
Foto: David Buimovitch (AFP)

El precio desorbitado de la vivienda, los privilegios de los colonos y la degradación de la educación, principales quejas de los descontentos con el Gobierno de Netanyahu


Más de 300.000 israelíes, según estimaciones de la policía, volvieron este sábado a tomar las calles de varias ciudades, con especial relevancia en Tel Aviv, donde el desmesurado precio de la vivienda fue la chispa que desató una protesta nada habitual en Israel.

Profesores, trabajadores sociales, médicos y madres solteras. Todos forman parte de un abanico social que se ha levantado contra un Gobierno que, dicen, hace mucho que dejó de escucharles.

"Es nuestro propio Mayo del 68 y no pararemos hasta que nos escuchen", comentaba ayer Itai Rouner, joven escritor israelí mientras avanzaba, pancarta en mano, hacia la calle Kaplan, epicentro de la concentración de Tel Aviv. "La gente pide justicia social", se escucha por todas partes. "Dimite Netanyahu, Egipto está aquí", "hasta la victoria" o "Bibi, quita tu mano de mi culo" (en referencia a la mano invisible del mercado de Adam Smith) eran algunos de los mensajes de las pancartas. (..)

2011-08-08

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Ladeira abaixo

The Guardian 02-08-2011, por Larry Elliott e Jill Treanor

US debt crisis continues as turmoil infects Italy and Spain

Imagem: Internet
Financial markets in Europe  and North America were gripped by a new sense of crisis as the turmoil caused by the narrowly averted US debt default moved back across the Atlantic and infected Italy and Spain – two key members of the eurozone.
(..) Interest rates on Spanish and Italian bonds rose to well above 6%, the level that signalled the beginning of the bailout process for Greece, Ireland and Portugal.
Meanwhile, interest rates on assets seen as safer fell sharply, with the yield on UK 10-year gilts dropping to an all-time low of 2.77%. Gold rose to a new record level for a ninth day in a row on Tuesday.

Wall Street's Dow Jones index had lost 266 points by the close in New York – its eighth successive fall and longest losing streak since the global banking system was on the brink of collapse in October 2008. (..) 

2011-08-04