quarta-feira, 30 de julho de 2014

Ramadã em Tel-Aviv


Os islâmicos em geral são gente pacífica e ordeira, afável e trabalhadora, longamente acostumada à convivência multirreligiosa, bons anfitriões, grandes artífices, cientistas talentosos quando têm oportunidade, apenas um pouco, digamos, ladinos por tradição milenar e dever de ofício. 

Olhando, porém, o mapa abaixo, acrescido com uma representação estilizada dos fluxos de riqueza que marcam a história do moderno Oriente Médio no cenário mundial, eu, se fosse membro do aparelho político-religioso-militar do Estado demorracialteocrático de Israel, estaria profundamente inquieto com o declínio da influência estadunidense no mundo. Suspeito que isto tem a ver com a sanha assassina dos chefes sionistas contra os refugiados palestinos assentados em Gaza, que alguém já qualificou de "o maior presídio do mundo".


Se os mais de 1 bilhão de islâmicos que vivem ao redor de Israel decidissem peregrinar a Jerusalém, em vez de Meca, e ficar um tempo por lá, o Estado judeu - quantos israelófilos desavisados se dão conta de que "Estado judeu" significa Estado fundado na religião, como o Irã dos aiatolás, e na raça, como a Alemanha nazista e a África do Sul do apartheid? - teria a chance ou de matá-los todos de uma vez, e a todos nós, com cem bombas atômicas de seu arsenal clandestino, ou, o que seria melhor para todo mundo, de se dissolver naturalmente num Estado israelo-palestino laico, democrático, multirreligioso e multiétnico com capital simbólica na Cidade Santa.
 
Dirão que isto é fantasia, não solução. Concordo. Mas que dizer, a essa altura, da chamada "solução de dois Estados"?


2014-07-30 

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