terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Olimpíada do Dr. Pangloss

Deu no El País Brasil
Por Dilma Rousseff, 05-0802015

A maior festa do esporte no coração do Brasil
Os investimentos dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016 buscam superar as desigualdades
Falta, ainda, um ano, mas o coração do Brasil já começa a bater mais forte. O generoso coração brasileiro que teima em acelerar quando nele se cruzam duas emoções que nos apaixonam: abraçar gente de todas as partes do mundo e disputar, com fervor e fairplay, um magnífico espetáculo do esporte. Foi assim na Copa do Mundo.
Será assim, a partir de 5 de agosto de 2016, quando acenderemos a chama olímpica da paixão pelo esporte e hastearemos a bandeira dos cinco círculos coloridos no nosso magnífico Maracanã. Acho que não é por acaso que o Brasil está tendo a honra de ser o primeiro país da América do Sul a sediar uma Olímpíada. Somos um país, que além da natureza grandiosa e diversificada, acolheu diferentes povos e culturas, em um histórico de tolerância e respeito, que nos faz um símbolo mundial de convivência, hospitalidade e alegria.
Nosso povo —nossos trabalhadores, empresários, estudantes, cientistas e artistas— conseguiu erguer uma das nações mais abertas do mundo com sua capacidade criativa, amabilidade e solidariedade. Construímos uma vigorosa cultura de paz e de trabalho. É com estes valores que estamos trabalhando duro para fazer destas Olímpiadas a melhor festa que o esporte mundial já viveu. Conseguimos isso na Copa do Mundo e temos tudo para conseguir, outra vez, nos Jogos Olímpicos  de 2016. 
Trata-se de um grande desafio que estamos vencendo dia a dia, hora a hora, muito antes que as competições, efetivamente, comecem. A lição começou com investimento no que é mais importante: os nossos atletas. Tem se prolongado com investimentos maciços na infraestrutura esportiva, e atinge seu clímax na grande reforma urbana porque passa o Rio de Janeiro —sem dúvida o mais lindo cenário, desde a Grécia Antiga, onde já se realizou uma Olimpíada. Ao longo dos últimos anos, fizemos um investimento público maciço para apoiar nossos melhores atletas, seus técnicos e suas equipes, com programas como o Bolsa Atleta e o Plano Brasil Medalhas.
Nossos atletas de excelência, que têm conseguido melhorar suas marcas a cada competição, são os nossos grandes ídolos e inspiradores. Uma prova concreta são os resultados que obtivemos nos últimos Jogos Pan Americanos. Estes investimentos trarão resultados ainda mais duradouros, que vão, inclusive, ultrapassar os limites temporais dos Jogos Olímpicos. Estamos disseminando a prática do esporte entre os jovens de todo o país, com investimentos em centros esportivos em todas as regiões, nas mais diversas modalidades.
Esse será um dos maiores legados que colheremos com os Jogos Rio 2016. Acreditamos que a educação e o esporte são os nossos melhores aliados para assegurar a inclusão e a integração social, estimulando os jovens a lutar por seus objetivos, a viver a alegria da superação, a atuar em equipe e respeitar o adversário. O esporte inspira a cultura da cooperação, a ética da honra e do trabalho árduo para alcançar objetivos e celebrar conquistas. Quando juntamos isso com a felicidade e autoestima de nosso povo acolhedor e hospitaleiro, eis o maior legado da Olimpíada.
Teremos, também, o legado monumental de modernização urbana do Rio de Janeiro, uma das cidades mais lindas do mundo e o nosso maior cartão postal. Dois terços dos gastos com os Jogos Rio 2016 estão sendo investidos em obras de infraestrutura urbana na cidade. São obras as mais diversas —uma nova linha de metrô, um veículo leve ligando todo o centro da cidade e BRTs (linhas expressas de ônibus) que unirão as áreas de competição. Todo esse investimento é para melhorar muito o transporte público e a circulação das pessoas durante e depois dos jogos, em especial aquelas que vivem nas áreas mais afastadas e mais necessitam de transporte de qualidade. 
A transformação urbana não para por aí. A área do porto, por exemplo, antes um lugar degradado, está se tornando um novo polo de lazer e de cultura para a população local e para os milhares de turistas que recebemos a cada ano. No futuro, o Porto Maravilha vai abrigar novos prédios de escritórios e residências. Estamos recuperando o brilho da Cidade Maravilhosa que sempre encantou o mundo desde os tempos em que era a capital da nossa República. 
Os Jogos Rio 2016 atraíram fortemente investimentos do setor privado brasileiro —e não apenas para os patrocínios e a modernização e construção da nova rede hoteleira. O Parque Olímpico da Barra, por exemplo, foi construído, em boa parte, com investimentos privados, incluindo as obras de infraestrutura do local. A Vila Olímpica, que hospedará os atletas de todo o mundo, também está sendo construída pela iniciativa privada, que já começou a comercializar os apartamentos. Com isso, já é possível afirmar que os Jogos do Rio 2016 terão um dos mais altos níveis de investimento privado das edições do evento nos últimos 20 anos. O Complexo Esportivo de Deodoro, um dos locais de competição, localizado no coração de uma área carente do Rio e com a maior concentração de jovens da cidade, se tornará um espaço para a prática de esportes radicais da população local. Vai ser palco também de treinamento para os nossos melhores atletas. 
Já o Parque Olímpico da Barra será a base do futuro centro olímpico de treinamento, responsável pela preparação dos futuros atletas de alto rendimento do País. Ajudará, ainda, a intensificar a cooperação esportiva com outros países, em especial com os vizinhos da América do Sul. O esforço está sendo acrescido dos investimentos feitos em todo o Brasil. São 12 centros de treinamento e 261 centros de iniciação esportiva, além de 46 pistas oficiais de atletismo. O investimento no legado esportivo do Rio e do País já soma 1,2 bilhão de dólares. 
Nós estamos zelando também pela eficiência do gasto e a sustentabilidade das instalações. A Arena do Futuro, local das competições de handebol no Parque Olímpico, é um exemplo. Construída em módulos, a Arena será desmontada depois dos Jogos e transformada em quatro escolas. 
O bom andamento desse grandioso projeto tem exigido atenção permanente e um trabalho conjunto do Governo Federal, estadual e municipal, além do Comitê Organizador e da Autoridade Pública Olímpica. O empenho de todos será mantido até o final dos Jogos Paraolímpicos, em setembro de 2016. Um evento com essa complexidade exige atenção constante aos mínimos detalhes. As obras e a estrutura do Rio já começaram a ser testadas com os primeiros eventos que se espalham pela cidade. Até o início de 2016, vamos ter competições de 40 modalidades esportivas.
Como vocês podem ver, o Brasil está plenamente preparado para a chegada dos Jogos. Junto com a organização do evento, vamos mostrar ao mundo, orgulhosamente, nossas conquistas recentes de uma democracia forte e consolidada, empenhada em reduzir as desigualdades sociais por meio do desenvolvimento econômico e do investimento. Esse é o esforço coletivo de um país inteiro.
Vamos mostrar aos 15 mil atletas olímpicos e paraolímpicos, milhares de torcedores e bilhões de telespectadores a nossa energia para superar tantos desafios.
A sociedade brasileira vai receber os atletas e turistas tão bem como fez na Copa de 2014, quando o país encantou o mundo com o clima de festa, de segurança e eficiência. Naquela época, todos que assistiam nossa festa pela TV queriam estar aqui no Brasil.
Não fiquem, portanto, só no desejo. Venham desfrutar de tudo de bom que uma Olimpíada pode temporariamente lhe dar e de tudo que, em qualquer momento, um país, como o Brasil, pode lhe oferecer: paz, amor, alegria e muita, muita, felicidade! Esperamos vocês de coração e braços abertos.
Dilma Rousseff é presidenta do Brasil.




2015-12-22