sábado, 12 de março de 2016

A incubação bonapartista num fôlego só

Mussolini dos trópicos
Robespierre tupiniquim?
Não. É o Falcão Negro de Curitiba.


Enquanto o patronato em geral e seus acólitos acadêmicos e jornalísticos se fazem de mortos em face dos cambalachos dos de sua classe com agentes públicos por contratos em geral, concessões de equipamentos e serviços, obras faraônicas, eventos planetários, isenções fiscais, representação no estrangeiro e, é claro, financiamento da dívida pública a juros escorchantes, em troca de grandes, pequenas e meta-propinas quer para eles próprios quer para a sustentação de suas máquinas político-partidárias, um segmento periférico de jovens e ambiciosos juízes de direito e promotores de justiça em plena ascensão social e profissional, educados na crença do caráter natural da economia de mercado e imbuídos da ideia razoável, embora historicamente pouco realista, na verdade totalmente extemporânea, e por isso mesmo letal para a estabilidade das instituições, de que o cumprimento das leis, ainda que momentaneamente prejudicial a certos capitalistas, é indispensável à saúde e ao bom funcionamento do sistema como um todo, se propõe a extrapolar as bases sociais e limitações históricas do poder de que se sabe depositário para assumir o papel de saneadores dos costumes administrativos do país, o que os conduz a eviscerar o pacto, por assim dizer, de Deus com o diabo nas terras do Planalto Central, já gravemente ferido pelos ventos gelados da estagnação econômica planetária, com justificada aprovação de parte substancial das renovadas multidões urbanas que, ao contrário do que parece crer a maioria das lideranças de esquerda, não entram na vida política munidas de carteirinhas de orientação ideológica, muito menos quando expedidas por um passado duvidoso, e que não vêem como seu, mas como simples cidadãos indignados, trabalhadores em sua maioria embora, a exemplo de sua liderança política nominal, alienados de sua própria classe, propensos, alguns, à timorata passividade dos panelaços, outros a gigantescos tsunamis humanos capazes de abrir caminho tanto para a afirmação da democracia de massas quanto, no extremo oposto, para a reação policial-militar, como se deu na Primavera do Cairo, a depender, e este é o “x” da questão, da capacidade que tenham as referidas lideranças de esquerda de se integrar à classe trabalhadora e dotar a luta democrática de iniciativas políticas unificadoras, formas organizacionais adequadas e, o mais importante, uma perspectiva histórica que faça sentido, por exemplo um Congresso Constituinte com candidaturas populares para enterrar a Nova República convertida em República das Empreiteiras, Bancos e Concessionárias e instituir uma democracia substantiva para a maioria da nação, assim ajudando a referida classe trabalhadora a forjar novas lideranças nascidas de seu próprio meio para tornar a ser uma influência positiva para a grande massa oscilante, como quando um enorme contingente dos que hoje confiam suas aspirações democráticas à espada de Moro foram, a seu tempo, jovens admiradores de Lula, o metalúrgico, aliados de sua classe, simpatizantes do seu partido e mais tarde seus eleitores, tudo de maneira a manter isolados, pela via da educação política das multidões, os reacionários irredimíveis, ou, como se diria na linguagem preferencial do atual PT, "o maior partido de esquerda da América Latina" e seguidores mais ou menos desavisados que preferem rotular antes de se explicar, de debater, de compreender, de diferenciar e de testar, a separar o "trigo democrático” do “joio fascista”. 

2016-03-12