sábado, 1 de julho de 2017

30 de Junho: muita fumaça e pouca greve

Universitários de Chapecó, SC, atendem 
à convocação de Greve Geral em 30 de junho
Foto: Internet
Com todo respeito e apoio incondicional àqueles que se mobilizaram por todo o país neste 30 de junho, não consigo enxergar mais do que um rotundo fracasso da iniciativa. Uma greve geral não é o mesmo que uma jornada de manifestações de rua - e pior -, qualitativamente iguais e quantitativamente menores do que as da mobilização precedente.

O saite do PT saiu com a seguinte pérola: “PARALISAÇÕES EM ATOS (sic!) de norte a sul do Brasil dizem não às reformas do governo usurpador de Michel Temer”. O que é isso? Querem enganar quem?

A convergência de iniciativas dos partidos e frentes de esquerda com os aparatos das centrais sindicais não é, infelizmente (ou felizmente?) condição suficiente para o sucesso de uma greve geral. Faltam os trabalhadores... parando de trabalhar! Para tanto são indispensáveis clareza absoluta de objetivos, formas de organização adequadas e lideranças próprias e confiáveis, em todos os níveis, algo cuja construção supõe um mínimo histórico de luta - de classe - da geração presente! 

Por outro lado, não se pode minimizar a importância, pela negativa, da já longeva autoconversão voluntária do PT de partido de classe dos trabalhadores em partido parlamentar “de esquerda”, assim como da sua estratégia de cambalachos de Estado com o empresariado companheiro e, para culminar, da vergonhosa derrubada sem luta, ainda fresca na memória coletiva, do seu governo pelas mãos dos próprios aliados. Que trabalhador arriscará o seu emprego para seguir tão temerária (uh!) liderança?

Em resumo, eu penso que a classe trabalhadora QUE NÃO SE RECONHEÇA COMO TAL só fará greve geral sendo arrastada por um tsunami democrático como o de Junho de 2013 e se reconstruindo como classe dentro do turbilhão! O PT deu as costas, conscientemente, a essa chance quando ela se apresentou, e o PSOL, aparentemente, ainda não se deu conta de tal necessidade. O preço está sendo pago: muita fumaça - literalmente - e pouca greve. 

A luta continua, mas um balanço honesto é necessário!


2017-07-01


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