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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Para lá de Bagdá, eu ia esquecendo: Feliz 2012!


Icaraí, Niterói - Ave, 2012
Foto Tiago Louza. Fonte: O Fluminense - Internet
Perdoem-me os amigos por lembrar coisas tristes num momento por todos dedicado à necessária celebração da passagem de ano, mas é que ao assistir, no Jornal das Dez, à interminável queima de fogos de Londres, não pude evitar um dejà vu que me levou à poltrona que ocupava em março de 2003, quando não apenas bombardearam Bagdá por motivo fútil – como se comprovou mais tarde – como fizeram daquilo um grande espetáculo pirotécnico midiático, quase uma festa de abertura das Olimpíadas do Oriente Médio. E ainda mais porque foram os chefes do Estado britânico que ajudaram a organizar aquilo lá. 

O resto do texto veio no embalo.

A queima de fogos da virada no ano em Icaraí,  Niterói, foi uma beleza. Pra ninguém botar defeito. Vinte minutos inteirinhos, contados no relógio! Quando passou dos 15 e já não se viam mais fogos em Copacabana por trás do costão do Pão de Açúcar, eu comecei a pensar no meu IPTU, espoucando no céu da Baía de Guanabara em todas as cores e configurações imagináveis. Batemos todos os recordes. Niterói está no mapa do mundo. Feliz 2012 para todos.

2012-01-02

domingo, 1 de janeiro de 2012

Queima de fogos em Bagdá



Em março de 2003, a queima de fogos de destruição em massa intitulada Shock and Awe (Choque e Pavor, leia-se puro terror) abriu umas das mais devastadoras operações de guerra (mais de 100 mil civis mortos) já organizadas pela moderna “comunidade internacional” (capital financeiro, Casa Branca, OTAN e grande imprensa) contra os povos da periferia mundial – com base em um conjunto de alegações comprovadamente falsas pelas quais nenhum chefe político (Bush, Rumsfeld, Blair, Aznar e outros) foi ainda convocado a prestar contas no Tribunal Criminal Internacional. 

Nove anos depois, a mesma “comunidade internacional” anda flertando com a reedição da catástrofe iraquiana no Irã, desta vez por causa do programa nuclear dos aiatolás. Apreensivos e desconcertados, os povos se perguntam por que alguns países podem ter bombas atômicas - clandestinas no caso de Israel - e outros não.

O planeta precisa desesperadamente de fontes de energia alternativas ao petróleo, mas parece que as potências ocidentais, com seus Estados semi-falidos e seus banqueiros afogados num emaranhado de papagaios financeiros “micados” que nem eles mesmos sabem como deslindar, precisam desesperadamente de mais petróleo do que já têm assegurado, nem tanto para consumir, talvez, quanto para lastrear os cacifes que fazem girar a roleta financeira global. Produzir, lamentavelmente, não dá lucro bastante. A solução é especular. 

Se Wall Street não for efetivamente ocupada por quem vive do próprio trabalho, corremos o risco de entrar 2013 ainda em 2012 assistindo pela TV, incomodamente instalados em nossas melhores poltronas, na companhia de amigos e familiares, à queima de fogos de destruição em massa em Teerã.

Que Deus e Alá e todos os outros ouçam, pelo menos desta vez, os nossos votos por um feliz 2012.

2012-01-01