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terça-feira, 27 de junho de 2023

Bonapartismo de gênero

Folha de S Paulo 23-06-2023
https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2023/06/istambul-prende-mais-de-cem-em-meio-a-parada-do-orgulho-lgbtqia-proibida.shtml

Centenas de pessoas desafiaram autoridades da Turquia neste domingo (25) e participaram da parada do orgulho LGBTQIA+ em Istambul, um mês após as eleições marcadas pela campanha homofóbica do presidente Recep Tayyip Erdogan. Como todos os anos, a marcha havia sido proibida pelo governador de Istambul, Davut Gül. No Twitter, ele disse que 113 pessoas foram detidas. "Nosso futuro depende de manter viva a instituição familiar, com nossos valores nacionais e morais", escreveu. (..)


2023-06-27

domingo, 28 de maio de 2023

Anais da Internacional Bonapartista

Brasil 247 28-05-2023
https://www.brasil247.com/mundo/maduro-sauda-reeleicao-de-erdogan-na-turquia

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, celebrou a vitória de Recep Tayyip Erdogan, que foi reeleito presidente da Turquia neste domingo (28). Em uma declaração oficial, Maduro descreveu Erdogan como um "irmão e amigo" e destacou a importância de continuarem trabalhando juntos para construir um novo mundo.

Montagem: Avebarna
2023-05-28

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Junho de 2013 e a Internacional Bonapartista

Piauí Junho de 2017, por Fernando Haddad

Montagem: avebarna.blogspot.com.br
Imagem original: Internet
Vivi na pele o que aprendi nos livros - um encontro com o patrimonialismo brasileiro 
(..) Durante os protestos de 2013 no Brasil, a percepção de alguns estudiosos da rede social já era de que as ações virtuais poderiam estar sendo patrocinadas.

(..) Bem mais tarde, eu soube que Putin e Erdogan haviam telefonado pessoalmente para Dilma e Lula com o propósito de alertá-los sobre essa possibilidade.

(..) Tenho para mim que o impeachment de Dilma não ocorreria não fossem as Jornadas de Junho [de 2013]. (..)

2017-07-14

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Dentro da caixa

Piauí Junho de 2017, por Fernando Haddad
http://piaui.folha.uol.com.br/materia/vivi-na-pele-o-que-aprendi-nos-livros/

Vivi na pele o que aprendi nos livros - um encontro com o patrimonialismo brasileiro

Montagem: Avebarna
(..) 
Durante os protestos de 2013 no Brasil, a percepção de alguns estudiosos da rede social já era de que as ações virtuais poderiam estar sendo patrocinadas. Não se falava ainda da Cambridge Analytica, empresa que, segundo relatos, atuou na eleição de Donald Trump, na votação do Brexit, entre outras, usando sofisticados modelos de data mining e data analysis. Mas já naquela ocasião vi um estudo gráfico mostrando uma série de nós na teia de comunicação virtual, representativos de centros nervosos emissores de convocações para os atos. O que se percebia era uma movimentação na rede social com um padrão e um alcance que por geração espontânea dificilmente teria tido o êxito obtido. Bem mais tarde, eu soube que Putin e Erdogan haviam telefonado pessoalmente para Dilma e Lula com o propósito de alertá-los sobre essa possibilidade.

Eu estava decidido a manter posição diante dos protestos, apesar das pressões. Eis que recebo um telefonema do Eduardo Paes, a quem o Planalto também tinha pedido o adiamento do reajuste da tarifa, dizendo que era melhor ceder. “Não vou segurar, você vai ficar sozinho”, me disse o prefeito do Rio. A pressão interna sobre nós já atingia patamares insuportáveis e o telefonema era a gota d’água. Foi então que resolvi ir ao Palácio dos Bandeirantes e propor ao governador Alckmin que fizéssemos juntos o anúncio da revogação do aumento. Contrariado, certo de que aquilo nada tinha a ver com tarifa de ônibus, tentei com o gesto despartidarizar a questão e iniciar um processo de construção de uma política tarifária metropolitana.
Na chegada, quando apertamos as mãos, pouco antes da coletiva em que faríamos o anúncio, eu disse ao governador o que pressentia: “Podemos estar às vésperas de uma crise institucional.”

Tenho para mim que o impeachment de Dilma não ocorreria não fossem as Jornadas de Junho. (..) [Destaques Avebarna] 

2017-07-10

sábado, 8 de julho de 2017

Erdoganização local

Lula e o PT qualificam seu próprio ex-vice e aliado preferencial de presidente ilegítimo, o que de fato é, mas não movem uma palha para ajudar o país a concretizar o “Fora Temer”.

Classificam o impeachment de Dilma como golpe, o que de fato foi, mas não exigem a dissolução imediata do congresso golpista em favor de uma Assembléia unicameral com poderes Constituintes, eleita sem a influência do dinheiro e dos potentados midiáticos.

Chamam o STF de acovardado e a Lava-Jato de tendenciosa, o que de fato são, mas não indicam nenhum caminho para a construção de uma Justiça imparcial e cidadã. 

A julgar pelas falas do ex-presidente e as matérias do saite do partido, todo o problema da democracia no Brasil se resume e subsume... à candidatura presidencial de Lula em 2018! 

Nessas condições, é difícil enxergar na proposta “Lula 2018!” outra coisa que não a esperança mais ou menos consciente, ou a gestação mais ou menos inconsciente, de uma solução de viés bonapartista - pela esquerda e pelo voto, por que não? - para as desgraças que assolam a nação.

2017-07-14

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Ave, Trump!

Montagem: www.avebarna.blogspot.com.br
Foto original: Internet

How republics end

(..) One thing all of this makes clear is that the sickness of American politics didn’t begin with Donald Trump, any more than the sickness of the Roman Republic began with Caesar. The erosion of democratic foundations has been underway for decades, and there’s no guarantee that we will ever be able to recover.

But if there is any hope of redemption, it will have to begin with a clear recognition of how bad things are. American democracy is very much on the edge.

O atormentado Krugman recua dois milênios e descobre o cesarismo.  Se recuasse apenas dois séculos toparia com o bonapartismo, que é o cesarismo da época burguesa - uma analogia muito mais rica em possibilidades, para bem e para mal, do mundo em que vivemos.

Considerando, no entanto, a notória ojeriza norte-americana de espelhar-se em antecedentes franceses, o indisfarçável orgulho ianque da grandeza de seu império e, o mais importante, a dificuldade que talvez tenha o autor de reconhecer a existência de uma "época burguesa", a referência a Roma está de bom tamanho.

2016-12-23

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Erdoganização global: aforismos

Brasil247 em 07-08-2016

Mais de 1 mi vão às ruas da Turquia em apoio a Erdogan 
1 
O corolário do desenvolvimento capitalista inexoravelmente parasitário dos Estados nacionais - a despeito das ilusões disseminadas sobre a progressiva dissolução destes últimos na "economia globalizada" - e irremediavelmente debilitado pelo colapso do maná neoliberal em 2008 é a confirmação do bonapartismo, em suas inúmeras variantes institucionais e orientações cardeais, como regime político padrão do século XXI.

2 
Claro indício do fenômeno - pela negativa - é o desconcertante resultado dos esforços das potências ocidentais para “livrar o mundo” dos resquícios da maré anti-colonial pan-árabe do II Pós-Guerra: a desintegração da ordem petroleira mundial num emaranhado quase incompreensível de guerras civis travestidas, como recém explicou o Papa Francisco(!), de conflitos religiosos. Conclusão tardia: era melhor um Sadam/ Kadhafi/ Assad mais ou menos na mão em seu espaço nacional do que milhares de jihadistas voando pelo mundo à caça de alvos aleatórios.

3  
Três importantes aspectos da erdoganização global são: (1) a "judicialização da política" - também dita "politização da justiça", (2) a ritualização da democracia e a mumificação de suas instituições, em aberta contradição com a potência criadora das multidões trabalhadoras urbanas; (3) a implosão da dicotomia metafísica esquerda/direita (democracia/ fascismo na versão dos manuais da burocracia pós-bolchevique de Moscou), a começar do tsunami popular que consumou a inglória debandada desta última em fins da década de 1980. 

4 
A grande incógnita deste século adolescente é o trabalhadorado planetário, imerso numa crise hamletiana de identidade e de perspectiva histórica - confiscadas aos seus avoengos pela social-democracia europeia, lançadas ao buraco da memória pelo termidor soviético e ainda não remidas pelas novas gerações.

5
Por ora, continua valendo a máxima política do inesquecível deputado Francelino Pereira: "O futuro a Deus pertence".

2016-08-08

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Cenas da nova Europa

El País 01-08-2016, por Enrique Muller

Miles de turcos salen a la calle en la ciudad alemana de Colonia en apoyo a Erdogan

La justicia alemana prohíbe la difusión de un mensaje en directo del presidente de Turquía

Foto (det): Reuters-Quality/El País
Dos semanas después del golpe de Estado fallido contra Recep Tayyip Erdogan, la comunidad turca de Alemania ha logrado reunir este domingo a decenas de miles de personas en una manifestación de apoyo al mandatario en las calles de la ciudad de Colonia. (..)

La manifestación —20.000 personas, según la policía, y 40.000, según los organizadores— la convocó la asociación Unión de Demócratas Turcos Europeos (UETD, en sus siglas en alemán), un grupo financiado desde Ankara por el Partido de la Justicia y el Desarrollo (AKP) de Erdogan.
En previsión de posibles altercados en una jornada en la que se habían anunciado contramanifestaciones de grupos de izquierda y kurdos contra Erdogan y la dura purga desatada tras la asonada, y de ultraderechistas, la policía de Colonia blindó el centro de la ciudad y desplegó a 2.700 agentes. La tarde transcurrió finalmente sin incidentes graves, salvo algún encontronazo entre ultras y kurdos en el centro de la ciudad y la disolución por parte de la policía de una concentración de extrema derecha. (..)

2016-08-01