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segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Custou, mas foi. E agora?


O Globo 14-12-2024 

Qualquer semelhança com a ocupação da Praça Tahir, Cairo, em dezembro de 2011, não é mera coincidência. Assim como na praça Tahir, o sentido histórico dessa impressionante manifestação popular é o da revolução democrática e nacional pan-árabe que, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, busca a plena independência dos Estados-nação do Magreb e Oriente Médio em face das potências estrangeiras. 

Contudo, é preciso considerar que o significado da queda da ditadura bonapartista dos Assad não é o mesmo para cada um dos cidadãos que aparece nesta foto, cada facção das milícias vitoriosas, cada classe e segmento social da sociedade síria e cada potência estrangeira com interesses no país e na região.

A pergunta inevitável é: na ausência de um tsunami democrático-revolucionário como foi, em 2011, a Primavera Árabe, contemporânea dos Indignados da Puerta de Sol, de Wall Street e até de Israel (!) - sem falar do vazio político deixado pela crise histórica de identidade do trabalhadorado mundial -, quanto tempo poderá durar uma Síria democrática economicamente enfraquecida e intensamente assediada por potências estrangeiras e seus Estados vassalos no Oriente Médio? 

2024-12-16

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Junho 2013 revisitado

O Globo 10-06-2023, por Pablo Ortellado
https://oglobo.globo.com/opiniao/pablo-ortellado/coluna/2023/06/junho-de-2013-foi-o-ovo-da-serpente.ghtml

A tese é uma explicação sem pé nem cabeça que atribui a ascensão de Bolsonaro à mobilização popular por direitos e retira do PT qualquer tipo de responsabilidade


A inserção, sobre a chamada de O Globo, de uma imagem emblemática das grandes manifestações de junho de 2013 no Rio de Janeiro é um imperativo do combate à prática sistemática da grande imprensa internacional, seja reacionária ou liberal-progressista, de ilustrar matérias sobre as grandes manifestações democráticas, em todo o mundo, com fotos de eventos periféricos de vandalismo, queima de objetos e choques com forças policiais. 

2023-06-12

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Mal-estar que não se acaba

Deu no The Guardian 
26-12-2018, por Agência France-Presse em Kasserine
https://www.theguardian.com/world/2018/dec/26/tunisia-protests-spread-after-journalist-sets-himself-on-fire

Tunisia protests spread after journalist sets himself on fire

Clashes with security forces in further towns as anger grows at self-immolation in Kasserine and unfulfilled pledges of 2011
(..) In a video before his death Zorgui said “for the sons of Kasserine who have no means of subsistence, today I start a revolution”.
University staff protest to demand 
higher wages in Tunis, Tunisia 
December 19, 2018. Reuters

The self-immolation of a street vendor in Tunisia, late 2010, in protest at police harassment sparked Tunisia’s revolution and the Arab Spring uprisings across the rest of the region the next year.

Kasserine was one of the first cities to rise up after the death of the vendor – Mohammed Bouazizi – in protests where police killed demonstrators. The unrest spread across the country and led to the overthrow of the long-time dictator, Zine al-Abidine Ben Ali.

Despite the country’s democratic transition since then, authorities are still struggling to improve poor living conditions in the face of rampant inflation and persistent unemployment. (Continua)

2018-12-27


terça-feira, 12 de junho de 2018

"We called for a system overhaul"


Deu no Al Jazeera online
11-06-2018, por Farah Najjar

Jordan protesters: 'Gulf money won't help'
Jordanian citizens say latest aid pledge by Gulf states will not achieve social justice or solve unemployment.
(..) "When we took to the streets, we demanded social change and called for a system overhaul - we were not asking our country to plead for financial support," he said.
The 29-year-old is not alone. Thousands of other Jordanians also protested against price hikes and an income tax reform bill last week. They say the incoming aid will not "save" the country from its structural economic problems and crippling public debt, currently at about $30bn.
The protesters called for a long-term fiscal plan, more transparency, an end to corruption and, crucially, a complete overhaul of the government's approach to economic and social policies.
(..) The protests in Amman were organised and led by an independent group referred to as the Hirak Shababi, or youth movement, as well as by various unions representing tens of thousands of employees across the country. 



2018-06-12

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Jordânia indignada


Deu no Al Jazeera English online 
04-06-2018, poe Farah Najjar 

Jordanians vow to continue protests, demand 'new approach'

(..) After PM's resignation, protesters call for government to adopt transparent new approach to how it operates.
"We're going to send the government a new message today," Odai Nofal, who hails from the province of Zarqa, told Al Jazeera.
"That power lies with the people, that the government needs to be cautious when dealing with its citizens from now on," the 28-year-old said.
"If they want to resolve the country's economic crisis, they should place more of the burden on established corporations rather than their people."
While Jordanians have been chanting and calling for the removal Mulki, who assumed office in 2016, they have also called for transparency, a clear set of goals, and for overall change in government policies.
They also want to reintroduce subsidies on bread and oil process.
"We want to dissolve the government and demand a completely new approach to how the government deals with economic and social-related matters," 26-year-old Hussein Smadi, told Al Jazeera. (Continua)

2019-06-06


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Lagartixa na parede


Montagem: Avebarna
Refletindo sobre a Primavera Democrática de 2011-2013 - Árabe, Turca, Espanhola, Estadunidense, Brasileira -, sou levado a pensar que a Revolução vindoura, quando e onde quer que deslanche, a tempo quem sabe de salvar nosso meio ambiente para o desfrute geral, será Planetária no alcance, Francesa na forma e inexoravelmente tendente à Russa no conteúdo pela simples razão de que do que se trata, afinal de contas, é de desalojar os potentados financeiros, energéticos, tecnológicos, comerciais, industriais e midiáticos do controle da economia mundial em prol de uma economia global, com certeza, mas de interesse dos povos, vale dizer essencialmente planejada - recursos técnico-científicos para tanto estão disponíveis a serviço exclusivo dos potentados, além dos financeiros, é claro, sob sua Propriedade - e sustentável sob todos os aspectos. 


Enquanto aguardo o entrelaçamento das Primaveras Nacionais, o 1848 do século XXI e a edição atualizada da Associação Internacional dos Trabalhadores, fico com a palavra de ordem transitória, digo, provisória: "Todo o poder ao Painel do Clima!" 

2017-07-24

domingo, 7 de dezembro de 2014

Inverno cairota

EBC Agência Brasil / Agência Lusa 29-11-2014
http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2014-11/tribunal-do-egito-absolve-hosni-mubarak-pela-morte-de-manifestantes

Tribunal do Egito absolve Hosni Mubarak pela morte de manifestantes
Ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak foi absolvido hoje (29) das acusações de cumplicidade na morte de manifestantes na revolução que o derrotou em 2011. As acusações foram retiradas pelo Tribunal Penal do Cairo, que também o absolveu de um caso de corrupção. Entretanto, Mubarak permanecerá detido, pois cumpre sentença de três anos por outro caso de corrupção.

Em um primeiro processo, Mubarak foi condenado à prisão perpétua, mas a sentença foi anulada por razões técnicas e o caso novamente julgado. A leitura do acórdão deveria ocorrer em 26 de setembro, mas foi adiada para hoje pelo Tribunal. O julgamento de Mubarak pelas mortes dos manifestantes começou em 13 de abril de 2013, depois de um tribunal ter anulado a sentença de prisão perpétua.


Leia também
Al Jazeera, "The undone revolution in Egypt", by Mustafa Salama
http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/12/undone-revolution-egypt-mubarak-201412264958125489.html

"The reality is that there was no revolution in the true sense of the word. A revolution would require tossing out the previous regime and setting a new one in place or at least substantially altering the power structure to redistribute power and wealth. In Egypt, this was clearly not the case. Mubarak stepped down, but his regime was still intact. It would be senseless to ask a regime to prosecute itself; the judiciary after all is - and always was - comprised of Mubarak's judges."
  
2014-12-07


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Mal-estar em Bucareste

NY Times 19-01-2012, por Nicholas Kulish

Romanian Protesters Urge Government’s Ouster
Foto Bogdan Cristel / Reuters / NY Times
Thousands of protesters gathered in Romania’s capital on Thursday to demand the ouster of the government and new elections, as a week of demonstrations against far-reaching austerity measures and years of difficult reforms seemed to gain strength.

Economic frustrations have spilled into the streets here, as they have in Spain and Greece. Protesters in University Square downtown shouted chants calling for the resignation of President Traian Basescu and his ally, Prime Minister Emil Boc.

(..) The wave of protests, which have spread across the country, broke out after a popular health official resigned last week over government proposals to overhaul the health-care system. The official was reinstated this week, and a controversial proposal to partly privatize the medical emergency-response system has been shelved for now, but the protests have continued. (..) 

2012-01-20

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Todas são primaveras, umas mais floridas do que outras


Praça Tahir, Cairo, dezembro de 2011
A pressão das classes dominantes estadunidense e norte-européias sobre o mundo árabe-muçulmano vem aumentando na razão direta da profundidade do atoleiro em que se debate o capital na era da finança globalizada.

Inquietos, os povos do mundo sentem crescer o ritmo da coreografia macabra que os EUA, a Europa e Israel executam ao redor do regime dos aiatolás, e se perguntam: no Afeganistão, teria sido por causa da destruição das torres gêmeas de Nova York; no Iraque, das míticas armas de destruição em massa – e ambos os países estão hoje em ruínas; no Irã, será por causa do programa nuclear – exclusividade na região, por "direito de império", dos generais paquistaneses e sionistas amigos do “Ocidente”. Quando é que esse pesadelo vai acabar? Quando o petróleo secar?

A pressão se manifesta em todos os terrenos: militar, econômico, diplomático, político e cultural. A intervenção militar seletiva e oportunista dos Estados centrais e OTAN nas revoluções democráticas em curso na região – cujo exemplo mais claro foi a Líbia, podendo se repetir na Síria – é apenas um dos meios de que a finança global lança mão para se apossar, com um mínimo de “custos de intermediação”, da totalidade das reservas de petróleo da região e eliminar focos de resistência ao seu domínio sobre os recursos essenciais disponíveis no mundo. Hoje é o petróleo; amanhã poderá ser... a água.

Para tapar o buraco legado pela explosão da bolha financeira de 2008 e se recapitalizar sem levar à ruptura – o que é muito importante – o sempre delicado equilíbrio social europeu, a finança globalizada, em sua desesperada fuga para diante, parece procurar instintivamente a ampliação rápida e radical de seu domínio sobre as fontes mundiais de petróleo.

Não lhes basta o petróleo que já têm sob controle: os países centrais precisam desesperadamente de todo o petróleo disponível nos depósitos do Norte da África e Oriente Médio, seja para seguir movendo a custo relativamente baixo a sua decadente e insustentável indústria automotiva – razão pela qual outra frente de guerra já está aberta, sobretudo nos EUA, contra o ambientalismo em geral – seja para dar novo lastro à espiral de valorização parasitária de seus capitais à base de securitização de contratos e especulação imobiliária, os verdadeiros motores dinâmicos da economia de mercado contemporânea.

Para o capital globalizado, trata-se somente de sobreviver, não importando que arraste consigo o planeta inteiro à ruína - econômica, política, cultural e, finalmente, ambiental.

Como brinde pela conquista do acesso ilimitado ao petróleo, as potências almejam também, é claro, incorporar ao mercado mundial por elas controlado todos os fatores de produção (capitais, terra, mão de obra) e potenciais mercados árabes consumidores de capitais e mercadorias, eventualmente bloqueados pela vigência de instituições remanescentes dos movimentos de independência nacional do segundo pós-guerra.


Gamal Abdel Nasser 
Este parece ser o cerne do conflito entre a finança global gravemente ferida, mas longe de morta, e os califados nacional-burocráticos resultantes da lenta, porém inexorável, degeneração dos regimes herdeiros dos movimentos nacionalistas árabes do terceiro quarto do século XX.

Foi no marco do movimento nacional-desenvolvimentista conhecido, de maneira só aparentemente contraditória como pan-arabismo, que se afirmaram a República Árabe do Egito, governada por Nasser – que nacionalizou o Canal de Suez – a partir de 1953, a República Árabe da Síria (unida ao Egito entre 1958 e 1961 como República Árabe Unida) e, finalmente, a República da Líbia (unida ao Egito entre 1972 e 1979, como Confederação das Repúblicas Árabes); rebatizada como república "Árabe, Popular e Socialista” a partir 1969-1970, a Líbia de Kadafi nacionalizou bancos, empresas e os recursos petrolíferos do país.
França, Inglaterra e Israel
reagem militarmente
à nacionalização do
Canal de Suez em 1953 

A disputa, por parte da “comunidade internacional” (capital globalizado, Casa Branca, OTAN e grande imprensa), do significado da expressão “primavera árabe”, tem um sentido claro: dar à revolução democrática pan-árabe – que não aspira essencialmente senão a pão, terra, democracia e, como sempre, independência nacional – o significado de uma continuidade, mais que um eco tardio, da revolução democrática leste-européia que decretou o fim da burocracia soviética e restabeleceu o “livre” mercado nos países onde o essencial dele havia sido banido.

Trata-se, para esse simulacro de “comunidade internacional”, de convencer os trabalhadores e camadas médias do mundo inteiro de que o que querem a juventude, os trabalhadores e os pequenos proprietários árabes é se livrar dos restos de limitações à propriedade herdados do panarabismo e se ajoelhar de admiração ante os prodígios econômicos de Wall Street , da City e de Frankfurt.

Comparando-se a atitude da grande imprensa da “comunidade internacional” em face das revoltas democráticas na Tunísia, Egito, Bahrein, Qatar, Iêmen, Líbia, Síria etc. pode-se concluir: todas são primaveras, mas algumas mais floridas do que outras – conforme a afiliação política e histórica das respectivas famílias governantes.

No centro dessa encruzilhada está, porém, o Irã, um país muçulmano não árabe palco da mais tardia (1979), violenta e, em certo sentido, intrigante das revoluções nacionais do Oriente Próximo, erguida sobre os escombros da tradição nacionalista laica legada por Mossadegh (que nacionalizou o petróleo iraniano em 1952) mas também por Nasser, Kadafi e até por Arafat.

Por ser, talvez, a mais tardia do mundo muçulmano – sufocada durante quase 25 anos sob o tirânico reinado pró-EUA do xá Reza Pahlevi –, a revolução iraniana de 1979 marcou, por outro lado, a derrocada e submissão aparentemente definitivas do nacionalismo democrático laico e das pretensões pseudomarxistas do outrora poderoso, mas já então decadente Partido Comunista Iraniano (Tudeh). Com Khomeini, a revolução nacional e anti-imperialista começa a se converter, em todo o Oriente Médio, Ásia Menor e até na Indonésia – numa palavra, em todo o mundo muçulmano -, em “revolução muçulmana”, dando ao sentimento anti-imperialista uma forte conotação de resistência civilizacional.

O xá Rehza Pahlevi e a
imperatriz Farah Diba
em seu ambiente: a capa
da Paris Match
 
Foi sustentando Reza Pahlevi até o limite do absurdo que os EUA e a Grã-Bretanha conseguiram a proeza de dar justificativa histórica, em fins do século XX, ao renascimento, no Irã, do Estado teocrático muçulmano, que emergiu como uma forma sui-generis de regime bonapartista de aiatolás apoiados numa juventude islâmica radicalizada e numa milícia de extração popular cujas oscilações à esquerda lhe dão uma aparência nacionalista revolucionária e, à direita, claramente fascista.

E foi assim, creio, meio empurrado pelas circunstâncias meio por vontade própria de sua juventude revolucionária islâmica, que o Irã dos aiatolás se converteu em referência inevitável para toda revolução anti-imperialista no oriente muçulmano que não tenha uma liderança laica à altura das tarefas históricas a cumprir.

A teocracia iraniana é, para a dita 'comunidade internacional', o inimigo a ser destruído. Não por ser teocracia, muito menos por seu caráter inerentemente conservador e antidemocrático – que a plutocracia estadunidense e os nobres financistas britânicos não estão nem aí para essas futilidades – mas por ser, em alguma medida, nacional e anti-imperialista e, até por questão de sobrevivência, mais que tudo anti-EUA.

Sabe Alá aonde tudo isso vai dar!


2012-01-05

sábado, 26 de novembro de 2011

Roda gira gira roda

Al Jazeera 14-02-2011 Timeline: Egypt's revolution

A chronicle of the revolution that ended the three-decade-long presidency of Hosni Mubarak

Praça Tahir, Cairo
Uma das maiores virtudes da revolução democrática pan-árabe tem sido, paradoxalmente, embaralhar todas as cartas da sociologia e da política, prisioneiras até hoje do marco geopolítico da Guerra Fria.

O movimento das multidões norte-africanas não se ajusta aos gabaritos ideológicos dominantes na segunda metade do século XX, tampouco respondem às cabalas com que os EUA tentam exorcizar as lutas democráticas e nacionais do século XXI, o “eixo do mal” e o “terrorismo”: ele se expressa de maneira igualmente impetuosa e radical contra os califados autocráticos sustentados pelas potências da OTAN e contra os califados burocráticos apoiados pela antiga URSS.

Não é provável que vá muito longe, pela simples razão de que, em nossa época, se revoluções podem ser desencadeadas com fragmentos de programa democrático de alcance nacional, em nenhuma hipótese poderão ser concluídas sem um claro programa socialista de alcance mundial, patrocinado pelo trabalhadorado reconstituído como classe habilitada a extinguir a sociedade de classes.

Em todo caso, a Primavera Árabe significa que a roda do movimento histórico à propriedade e controle social dos meios de produção e distribuição planetários, engripada pela ferrugem da burocracia contrarrevolucionária de Moscou, dita comunista, voltou a girar.

2011-11-26

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

De volta à Praça Tahir

O Globo 18-11-2011
https://oglobo.globo.com/mundo/egipcios-voltam-protestar-na-praca-tahrir-3265661

Egípcios voltam a protestar na Praça Tahrir

Milhares de manifestantes se reúnem no Cairo:
egípcios pedem fim da Junta Militar Foto: AP

Dezenas de milhares de manifestantes voltaram a se reunir nesta sexta-feira na Praça Tahrir, berço das revoltas da Primavera Árabe no Egito. Liderada por militantes de partidos políticos islâmicos, a multidão protesta contra supostas tentativas da Junta Militar, que governa interinamente o país, de aumentar seus poderes.

O Globo online desta sexta-feira 18-11-2011 informa que os 50 mil egípcios voltaram à Praça Tahir para protestar contra "o projeto de Constituição que deixaria as Forças Armadas livres do controle civil, sem ingerência do futuro governo". 

A matéria não esclarece se essa nova onda de manifestações egípcias faz parte, como suas congêneres síria, iemenita e líbia, da "primavera árabe" ou de um imprevisto e indesejável "verão muçulmano" - em pleno inverno.

Não é demais recordar que, quando do anúncio da queda de Mubarak, o âncora do Jornal Nacional, William Bonner, decretou,  inadvertidamente talvez, mas com indisfarçável regojizo e alívio, o "desfecho da crise" egípcia.

O buraco, como se vê, era bem mais embaixo. 

2011-11-21

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A revolução democrática pan-árabe e o assassinato de Khadafi


Se o movimento das multidões líbias - parte integrante da revolução democrática pan-árabe iniciada na Tunísia e cujo ponto mais alto até aqui foi o Egito de Mubarak - tivesse desembocado numa revolução radicalmente democrática como, digamos, a Francesa, que investigasse devidamente os negócios de Khadafi, sua família e seus sicários com os líderes e serviços secretos das potências imperialistas e suas empresas petroleiras, o califado burocrático da Lìbia teria, quem sabe, acabado com a condenação à morte do califa... por traição à memória histórica da revolução nacional pan-árabe, em cujo panteão figuram personagens ilustres como Mossadegh, do Irã, Nasser, do Egito e... Khadafi, da Líbia! 

Ocorre, porém, que Khadafi foi executado por instigação da propaganda dos Estados Unidos e aliados europeus e provável ordem direta dessa organização de origem e composição desconhecidas chamada Conselho Nacional de Transição, reconhecida com indisfarçável sofreguidão e interesse pelos governos da França e Itália logo nos primeiros dias de transformação das manifestações de rua em conflito armado. 

O motivo? É o que explica, por incrível que pareça, O Globo online deste 21-10-2011: 

Qualquer tribunal poderia dar a Khadafi uma nova oportunidade de constranger tanto os novos líderes da Líbia quanto as potências internacionais e lembrar questões que todos preferem deixar esquecidas. Além disso, ele poderia relembrar laços com importantes companhias de petróleo que na última década assinaram contratos bilionários com o regime. (“Morte de Khadafi evita julgamento longo que poderia dividir a Líbia e constranger líderes ocidentais”. O Globo Online, 21-10-2011)

A matéria d'O Globo Online é uma confissão aberta do caráter absolutamente antidemocrático e pró-imperialista - numa palavra, reacionário - da intervenção da OTAN na Líbia em comum acordo com o CNT - a nova liderança líbia assumida a priori pela "comunidade internacional" como legítima encarnação e representação do que ela chama de "primavera árabe". (Continua)

2011-10-21

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Decifra-me ou te devoro, Primavera

Al Jazeera 12-10-2011

Thousands rally in support of Syria's Assad

Tens of thousands take to streets of Damascus in solidarity with Syrian president, chanting slogans against US and EU

Tens of thousands of Syrians have rallied in central Damascus in show of support for President Bashar al-Assad, who is battling a six-month uprising against his rule in which the UN says about 2,900 people have been killed.

"America, out, out, Syria will stay free," chanted the crowd on Wednesday, many of them carrying pictures of Assad and Syrian flags. They also shouted slogans warning the European Union not to intervene in their country. "God, Syria and Bashar," they sang.

State television described the government-backed rally as a "million-strong march ... supporting national independence and rejecting foreign intervention". At the start of the demonstration, a man holding the flags of Russia and China, which vetoed a European-drafted resolution against Syria at the UN last week, flew over the crowd, suspended from a helicopter by rope. It was the biggest demonstration for months in the centre of the capital, which has been relatively untouched by the protests which have rocked Damascus suburbs and other parts of the country.

Speaking to Al Jazeera, Nir Rosen, journalist and author, said: "We might not like to think that but authoritarian regimes sometimes have popular support. "In the whole of the Arab countries, certainly the Syrian regime has the largest base of popular support and much of the country still supports him [Assad]. "Not only Alawite and the Christian community, but even Sunni Bourgeoisie in Damascus and Aleppo support President Assad." "They may be afraid of the unknown, or the civil war, or they may genuinely believe that Assad has done good stuff for the country. "The regime is kind of a marriage between Alawite-dominated security forces and the Sunni business class. "See the Iraq scenario, Christians of Iraq were destroyed, they came to Syria in large numbers. So, Christians fear what may happen to them?

"The opposition has failed to reach out successfully to Alawites, Christians and Druze. Many of them believe there will be civil war should the regime fall, and I think it is quite likely."

2011-10-13

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Indignados de Norteamérica

El País 18-09-2011, por Bárbara Celis

La Puerta del Sol se traslada a Wall Street
"Tras la primavera árabe y la revolución española, puede que haya llegado la hora del otoño americano". Gary Louisa, un neoyorquino de 21 años, en paro, "sin posibilidades de pagar estudios universitarios porque los préstamos de los bancos tienen intereses disparatados", lo sugería esta mañana en el parque Zuccotti de Nueva York, el lugar escogido por los indignados estadounidenses para inciar una protesta cuyas repercusiones a medio y largo plazo aún no pueden predecirse.

(..) Fueron 296 personas las que se atrevieron a acampar en este parque público pero de propiedad privada, del que los dueños, una empresa inmobiliaria, les habrían echado inmediatamente sino fuera porque "era sábado y había demasiada burocracia de por medio", explica Matt. Él es uno de los miembros de la Asamblea NYC, bajo la que se agrupan personas de todo tipoque desde primeros de agosto se preparaban para su 15-M, en este caso 17-S. Jóvenes estudiantes y jóvenes en paro, más gente que comenzó a unirse entre ayer y hoy, que han visto como sus coetáneos tomaban las calles en otros países y han decidido emular la protesta y sus métodos.

(..) "En Nueva York está prohibido que 20 personas se congreguen en la calle sin permiso y te pueden arrestar por estar en un parque público pasadas las diez de la noche, así que esto es un reto" comentaba Matt frente a una pancarta con el orden del día de la asamblea, que arrancaría por la tarde para decidir qué pasos dar. Junto a él había gente como Louisa, que se había unido al movimiento por la mañana, tras enterarse por Internet, y quien con su saco de dormir al hombro, y sin conocer a nadie, explicaba por qué quería estar allí: "Mi padre trabajó en la Zona Cero como soldador y murió de un cáncer provocado por lo que respiró. Se arruinó pagando las facturas del hospital. Este país no hizo nada por él y no está haciendo nada por mí. Yo tengo que elegir entre comer o ir al dentista, y hace tres años que escojo comer. Estoy en paro pero cuando trabajaba cobraba menos que mi padre hace 20 años. Vamos hacia atrás, no hacia delante. Y la situación es global. La gente corriente está harta de mentiras. Por eso hoy dormiré en Wall Street".

2011-09-19

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cairo, Madri, pra não dizer Tel Aviv

El país online 06-08-2011, por Ana Garralda / Tel Aviv

Más de 300.000 indignados vuelven a tomar las calles de Israel

Indignados de Tel Aviv
Foto: David Buimovitch (AFP)

El precio desorbitado de la vivienda, los privilegios de los colonos y la degradación de la educación, principales quejas de los descontentos con el Gobierno de Netanyahu


Más de 300.000 israelíes, según estimaciones de la policía, volvieron este sábado a tomar las calles de varias ciudades, con especial relevancia en Tel Aviv, donde el desmesurado precio de la vivienda fue la chispa que desató una protesta nada habitual en Israel.

Profesores, trabajadores sociales, médicos y madres solteras. Todos forman parte de un abanico social que se ha levantado contra un Gobierno que, dicen, hace mucho que dejó de escucharles.

"Es nuestro propio Mayo del 68 y no pararemos hasta que nos escuchen", comentaba ayer Itai Rouner, joven escritor israelí mientras avanzaba, pancarta en mano, hacia la calle Kaplan, epicentro de la concentración de Tel Aviv. "La gente pide justicia social", se escucha por todas partes. "Dimite Netanyahu, Egipto está aquí", "hasta la victoria" o "Bibi, quita tu mano de mi culo" (en referencia a la mano invisible del mercado de Adam Smith) eran algunos de los mensajes de las pancartas. (..)

2011-08-08

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Indignação transnacional

El País online 21-07-2011, por Ana Garralda / Jerusalém

Los indignados de Israel

Jóvenes llegados de varias ciudades de Israel han tomado las calles. Protestan por los precios de la vivienda, de la gasolina y los productos básicos. Se inspiran, dicen, en las revueltas de sus vecinos árabes.

"Gente de Israel, vosotros que estáis 
hoy reunidos en las plazas de vuestras ciudades. Este es un mensaje de esperanza y de solidaridad desde el movimiento 15-M en España". Así dice una de las indignadas del movimiento 15-M en el video que la plataforma ha enviado a los jóvenes israelíes que llevan días acampados en ciudades como Jerusalén, Tel Aviv, Beersheva, Jerusalén o Kfar Saba. Sus reivindicaciones: acceso a una vivienda digna, la bajada de precios en bienes de consumo básico. (..)
 
2011-07-22

sábado, 4 de junho de 2011

Blair twitch

El País 02-06-2011

Blair sobre el 15-M: "Hay que escuchar a quien protesta pero que no te gobierne"
El ex primer ministro británico Tony Blair sabe mucho de protestas masivas. Las sufrió cuando decidió que su país participara en la guerra de Irak, en 2003. De visita en España, el británico ha afirmado, en referencia al movimiento 15-M que ha tomado plazas por toda España, que, como líder político, en una democracia hay que "escuchar las protestas que hay en la calle, pero no puedes dejar que te gobiernen".

"Mi problema con las protestas callejeras es que, si no tienes cuidado, los medios acaban creando una situación en la que [los manifestantes] tienen legitimidad no solo en su derecho a protestar, sino en lo que están diciendo", ha declarado Blair en la cuarta edición del Foro Novartis de Excelencia, informa Europa Press.

(..) En su calidad de representante del Cuarteto para Oriente Próximo, Blair se ha entrevistado en La Moncloa con el presidente del Gobierno, José Luis Rodríguez Zapatero. Ambos han hablado sobre las revueltas democráticas en el mundo árabe y las perspectivas de paz entre palestinos e israelíes. 

2011-06-04