segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Na mosca!

  

UOL 20-09-2026

"Se alguém dissesse, há poucos anos, que em pleno século 21 teríamos de gastar tempo, energia e tutano para explicar por que mulheres devem ter o direito básico de votar, muita gente daria risada e diria que se trata de coisa de quem vive em Nárnia. A questão é que vivemos um delírio coletivo, e as eleições deveriam ser usadas como uma grande sessão de terapia.

Reportagem da BBC Brasil escancarou uma rede barulhenta e articulada de influenciadores digitais e lideranças de extrema direita empenhadas em demonizar o sufrágio feminino.

Entre podcasts de nichos da chamada "machosfera", discursos de submissão disfarçados de bons costumes e manifestos políticos que flertam com o chamado… (..)"


domingo, 20 de setembro de 2026

Domingo Avebarna: O capital no século XXI

The Guardian 18-09-2026
https://www.theguardian.com/inequality/2026/sep/18/global-leaders-urged-to-join-initiative-to-fight-extreme-inequality

Global leaders urged to join initiative to fight extreme inequality

More than 1,500 academics and economists sign letter, calling growing gap between richest and poorest ‘a policy choice that can be reversed’

Before the UN general assembly in New York next week, the experts have signed an open letter backing the International Panel on Inequality (IPI)


Imagem e legenda: The Guardian
Sou inequivocamente a favor, e saúdo a criação, de um Painel da Desigualdade inspirado no exemplo do Painel do Clima, sob a autoridade da ONU.

E o digo ainda que discorde enfaticamente da ideia, inspirada por sua vez em Piketty 2019 [1], de que "o fosso crescente entre os mais ricos e os mais pobres é uma uma escolha política" que pode ser revertida - para mim, manifestação inequívoca do programa do 'capitalismo esclarecido' (?) do primeiro quarto do século XXI, que é ressuscitar o keynesianismo no mundo das Big Techs e do capitalismo de direitos monopolistas e, junto com ele, o pacto social do II pós-guerra. 

Inspiração por inspiração, considero muito mais realista, corajoso e atual o pensamento da economista Joan Robinson (1903-1983), que disse no já longínquo ano de 1936: “Qualquer governo que tenha o poder e a vontade de solucionar os principais defeitos do sistema capitalista há de ter também a vontade e o poder de aboli-lo por completo”. [2]

Como não se trata de uma disputa de opiniões, mas de iniciativas políticas e sua eficácia, que venha o Painel da Desigualdade e vejamos no que vai dar. Eu começo reivindicando a ampliação do seu escopo: a desigualdade não é assunto exclusivo de economistas, a diversidade de pontos de vista, economistas incluídos, é fundamental e a escolha dos membros, comissões e coordenadores do IPI deve ser a mais transparente possível.

Segue abaixo um relevante resumo da concepção de Robinson produzido… por IA (!) em 18-09-2026, dia da publicação da matéria do Guardian.

Esta célebre frase de la economista británica Joan Robinson resume de forma brillante una de las críticas más profundas desde la economía heterodoxa y de izquierda hacia el reformismo capitalista.

A continuación, se desglosa el significado, el contexto y las implicaciones de su pensamiento:

El significado de la frase

Robinson plantea una paradoja de poder y voluntad política. Su argumento central es que los "defectos principales" del capitalismo (como la desigualdad extrema, el desempleo estructural, las crisis cíclicas y la explotación) no son fallos fortuitos, sino características intrínsecas e indispensables para el funcionamiento del propio sistema.

Por lo tanto:
  • El poder necesario: Para corregir de raíz estos defectos, un gobierno necesitaría intervenir de forma tan drástica en los derechos de propiedad privada y en los mercados que destruiría la lógica interna del capitalismo.
  • La voluntad política: Si un gobierno llega a tener la determinación ideológica y el apoyo popular para desafiar las bases del sistema y someter a las élites económicas, ese mismo impulso político lo llevaría de forma natural a sustituir el capitalismo por un modelo alternativo (como el socialismo), en lugar de intentar "arreglar" un sistema diseñado para beneficiar a unos pocos.

Contexto y corriente de pensamiento

Joan Robinson fue una de las figuras más prominentes de la Escuela Poskeynesiana y una estrecha colaboradora de John Maynard Keynes en la Universidad de Cambridge. A diferencia de Keynes, que buscaba reformar y salvar el capitalismo a través de la intervención estatal, Robinson adoptó una postura mucho más crítica y cercana al marxismo en sus últimos años.

Ella argumentaba que las políticas de bienestar y regulación económica (como el New Deal) eran paños de agua tibia que contenían los problemas temporalmente, pero que no resolvían la contradicción fundamental entre la acumulación de capital y el bienestar social. (Conteúdo AI 18 09 2026)

2026-09-20

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NOTAS

[1] “A desigualdade não é econômica ou tecnológica: é ideológica e política." Esta é, sem dúvida, a conclusão mais óbvia da investigação histórica apresentada neste livro. Em outras palavras, o mercado e a concorrência, os lucros e os salários, o capital e a dívida, os trabalhadores qualificados e não qualificados, os nacionais e os estrangeiros, os paraísos fiscais e a competitividade, não existem como tais. São construções sociais e históricas que dependem inteiramente do sistema jurídico, fiscal, educacional e político que escolhemos estabelecer e das categorias que escolhemos criar.” [“A desigualdade é ideológica e política”: extratos do novo livro de Thomas Piketty”. Instituto Unisinos 12-09-2019]
https://ihu.unisinos.br/categorias/592400-a-desigualdade-e-ideologica-e-politica-extratos-exclusivos-do-novo-livro-de-thomas-piketty

[2] “(..) in the present age, any government which had both the power and the will to remedy the major defects of the capitalist system would have the will and the power to abolish it altogether, while governments which have the power to retain the system lack the will to remedy its defects.” [ROBINSON Joan, “The Trade Cycle, by R. F. Harrod”. The Economic Journal Vol. 46, No. 184 (Dec.1936), pp. 691-693
 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Anais do capitalismo-mais-que-tardio


The Guardian 05-09-2021
https://www.theguardian.com/technology/2026/sep/05/uncontrollable-ai-artificial-general-intelligence-warnings

Por mim passaria tudo ao Domínio Público, para gerar serviços de acesso universal controlados, acima de todas as instâncias nacionais e enquanto não se constrói uma entidade mais representativa, por um Painel da ONU, primo do IPCC, voltado à Inteligência Artificial ou outro termo que o próprio painel julgue mais acertado (consultar o Nicolelis).

A primeira providência do Painel poderia ser oferecer ao PNUD os meios computacionais necessários à 
elaboração de um Plano Econômico para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Africanas, a ser oferecido a todos os países que o desejem e custeado com excedentes gerados pelos serviços públicos acima referidos.


domingo, 13 de setembro de 2026

O capital no séc. XXI: rendas pra que te quero!

Substack, 29-03-2026, por Paul Krugman
https://paulkrugman.substack.com/p/is-america-suffering-from-the-resource

Is America Suffering from the “Resource Curse”?


(..) The map at the top of this post showed oil rents — the value of oil output in excess of production cost. In economics jargon, as opposed to normal English, “rent” has a specific meaning: It is unearned income, income that accrues to some people or institutions without requiring that they make an effort or commit resources to production. Unlike wages or returns on investment, who gets rents is in a sense arbitrary, depending on who is assigned the property rights or, in some cases, who has the power to seize them. (..) [Destaque PJ]

2026-09-13

domingo, 6 de setembro de 2026

O capital no séc. XXI: rendas pra que te quero!

Isto É Dinheiro 22-08-2026 / Redação
Mercado de luxo imobiliário em SP atinge R$ 90 mil por m²

Foto: Isto É Dinheiro 
O mercado imobiliário de altíssimo padrão da cidade de São Paulo estabeleceu um novo patamar histórico de preços. O valor do metro quadrado em empreendimentos ultra-exclusivos alcançou a marca de R$ 90 mil, consolidando uma trajetória de valorização que acumula alta de 181,3% desde as fases iniciais de lançamento. Um dos maiores exemplos desse movimento é o projeto 280 ART Boulevard, da Benx, onde a referência inicial do metro quadrado saltou de R$ 32 mil para os atuais R$ 90 mil, registrando rentabilidade anualizada de 25,8%.

Essa escalada expressiva evidencia uma mudança fundamental no perfil e nas motivações de compra dos investidores de alta renda. A precificação tradicional por metro quadrado perde espaço para a valoração de ativos que não podem ser replicados. Elementos como grandes dimensões territoriais na malha urbana já adensada, afastamento arquitetônico em relação às vias públicas e vistas panorâmicas permanentes tornaram-se os reais vetores de precificação.

A dinâmica desse nicho opera à margem dos solavancos da macroeconomia tradicional. Enquanto os segmentos de média e baixa renda sofrem os impactos da Selic e do custo do financiamento habitacional bancário, o público do ultra-luxo atua predominantemente com capital próprio. Essa característica protege as incorporadoras focadas no nicho contra taxas de inadimplência e garante uma liquidez acelerada nas fases de pré-lançamento.

Analistas ressaltam, contudo, que os percentuais de valorização refletem o avanço nominal dos preços de tabela das incorporadoras. Eles não configuram retorno líquido imediato para o investidor individual, uma vez que não descontam a inflação do período, a incidência de impostos (como o ITBI e Ganho de Capital), emolumentos cartorários e custos de manutenção do imóvel.

Orientações Práticas para Imóveis de Ultra-Luxo

Para investidores que buscam preservação de patrimônio ou valorização de capital no segmento de altíssimo padrão em São Paulo, é necessário adotar critérios rigorosos antes da alocação:
  • Mapeamento de Escassez Irreplicável: Dê preferência a projetos situados em terrenos com metragens difíceis de serem reunidas novamente na cidade (como eixos Jardins, Itaim Bibi, Faria Lima e Vila Nova Conceição) ou que possuam vista definitiva para áreas protegidas/parques.
  • Cálculo do Retorno Real Liquido: Ao projetar a rentabilidade, deduza do ganho nominal o imposto sobre ganho de capital (de 15% a 22,5%), o ITBI (3% em São Paulo), as taxas de intermediação imobiliária e o custo de carregamento (condomínio e IPTU) durante o período de vacância.
  • Análise do Perfil das Incorporadoras: Verifique se o projeto possui estrutura de “torre boutique” com poucas unidades, garantia de baixa concorrência interna para futuras revendas e liquidez pré-testada na fase de pré-lançamento.
  • Comparativo com Fundos Imobiliários (FIIs): Avalie o custo de oportunidade entre a aquisição direta do imóvel físico (menor liquidez, maior barreira de entrada) e a compra de cotas de FIIs com portfólios corporativos prime, que oferecem isenção de imposto de renda sobre proventos para pessoas físicas. [Destaques PJ]
2026-09-06