
Sejamos francos: já não se trata de 'desigualdade'. Essa gente não é 'rica'. O que estamos testemunhando é a pura e simples ascensão, por força das leis da economia de mercado e de seu arcabouço jurídico - o direito de propriedade como 'cláusula pétrea' das constituições democráticas dos modernos Estados nacionais - de um grupúsculo de capitalistas concentrados em uma dúzia de países à condição de 'enclosurers' das forças produtivas que a humanidade vem criando e desenvolvendo, sob diferentes formas históricas, desde tempos imemoriais. O capitalismo não acabou, como quer Varoufakis, pela simples razão de que o trabalho assalariado segue sendo a fonte de todo valor, e seus produtos e serviços o lastro de todo título de valor, mas é hoje, de fato, regido por um pequeno consorcio internacional de barões da tecnologia, energia, comunicações, entretenimento, imóveis, automóveis, medicina, armamentos, serviços públicos etc., além, é claro, da prolífica, tão prolífica que parece ter vida própria, indústria planetária de títulos de direito econômico sobre tudo isso, que chamamos de finança!
A 'função social da propriedade', tão cara ao urbanismo progressista, é uma reivindicação necessária, diria mesmo indispensável no mais amplo sentido, precisamente porque essas 12 pessoas "que concentram mais riqueza que metade da humanidade" têm em mãos, com base na dinâmica imparável da acumulação de sua riqueza e poder, o destino da civilização - cidades obviamente incluídas.