Lô Borges e Ronaldo Bastos em Mar Azul, Niterói, 1972
Uma das vivências mais legais era quando a gente recebia a visita de um letrista: era uma canção que a gente ganhava naquele dia. Ronaldo Bastos, por ser niteroiense, era assíduo, e fizemos “Nuvem Cigana” em Mar Azul. Na verdade, a maioria das músicas do “Clube da Esquina” foi concebida lá.
Clube da Esquina No. 2 Milton Nascimento Lô Borges Marcio Borges Arr: Eumir Deodato
Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem se lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, asso, asso
Asso, asso, asso, asso, asso, asso
Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos, calmos
Calmos, calmos, calmos
E lá se vai mais um dia
E basta contar compasso
E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração na curva
De um rio, rio, rio, rio, rio
E lá se vai...
E lá se vai...
E o rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio-fio
Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente, gente
Gente, gente, gente, gente, gente
Alunar, aterrar
lá em casa minha mãe
não parou de pensar
tudo em paz com nosso Deus
alunar, aterrar
assegure o amanhã
E o sol vertical
fogo solto na manhã
alunar, ilusão
ver aquele musical
tudo em paz
se eu morrer
não me esqueço de você
Alunar, alunar
fogaréu vertical
aterrar, aterrar
não preciso de seu medo, mamãe
só morrer é seguro
tudo em paz, tudo bem
quer ver soluções
boa noite, meu bem
tudo em paz com nosso amor e depois
só morrer é seguro
Anjos de cristal
velharia lá de casa
cores, corpos, casa
Alunar, aterrar
assegure o amanhã
e o sol vertical
velha estrela de latão
ilusão, ilusão
tudo bem com nosso amor
Alunar, aterrar
lá em casa minha mãe
não parou de pensar
ver aquele musical
tudo em paz, se eu morrer
não me esqueço de vocês.