Montagem: Avebarna. Gráfico: El País 23-07-2023 Clique na imagem par ampliar
Para seguir governando e fechar a porta aos fascistas de Vox, o bloco das esquerdas capitaneado pelo PSOE de Pedro Sànchez dependerá dos votos independentistas de Junts per Catalunya, cujos líderes ainda enfrentam prisão e exílio pela iniciativa democrático-revolucionária do plebiscito popular de outubro de 2017.
Moral da história: a defesa das liberdades democráticas inclui obrigatoriamente o direito à autodeterminação dos povos que compõem o Reino da Espanha.
Eleições na Catalunha: liberais vencem, mas independentistas reservam maioria das cadeiras no parlamento
Os liberais venceram? Só se for na satrapia dos Irmãos Marinho.
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Ao votar majoritariamente nos partidos da burguesia catalanista e da pequena-burguesia democrática e independentista, o povo catalão pronunciou-se inequivocamente, pela segunda vez em menos de 3 meses, por seu direito à autodeterminação e sua própria República - contra o franquismo insepulto, a coroa borbônica, a bancocracia da União Europeia, a aristocracia espanhola e catalã, a burguesia bitcoin de Ciudadanos e Ciutadans (dita “os liberais” pelo G1), o baronato socialdemocrata e todas as organizações da velha e da nova esquerda simpatizantes, caudatárias ou simplesmente submissas à Ordem de La Moncloa.
A clara mensagem, inclusive aos partidos vencedores, é: rumo à Assembleia Constituinte da República da Catalunha forjada pelo povo insurgente em 1-3 de outubro e declarada pelo parlamento autonômico em 27 daquele mês.
No que respeita à classe trabalhadora, a tarefa não é simples, mas me parece clara: reconstruir, nesse processo, sua identidade, sua organização e seu programa confiscados e sistematicamente enxovalhados, há muitas décadas, pelos partidos Social-Democrata e Comunista, coveiros históricos do socialismo.
A emancipação dos trabalhadores catalães não será obra da pequena-burguesia democrática, muito menos da burguesia catalanista. E tampouco é tarefa de seus partidos. Além disso - admitamos -, o socialismo propriamente catalão é uma entidade tão quimérica quanto seria o grego, se pretende o chinês e gostaria de ser o bolivariano.
Contudo, menos de três anos passados da revolta grega abortada por Tsipras, a insurgência popular catalã é mais uma janela que se abre para uma nova Espanha e uma nova Europa. Socialista que lhe dá de ombros ou assumiu o lado da ordem ou, como diria Caetano, não está entendendo nada.
El Parlament proclama la República i posa en marxa el procés
constituent
À espera, ao que parece, de um ilusório apoio da União Europeia dos barões da banca - ao invés de postular a Catalunha independente no marco de uma Federação Hispânica e uma Europa autenticamente republicanas e democráticas (socialistas seria exigir demais de Junts pel Sí) - e quem sabe assustados com o ímpeto militante de suas próprias bases eleitorais, o parlamento da Catalunha e a presidência do governo autonômico protelaram, desmobilizaram, desorganizaram - eu diria quase desmoralizaram! - o mandato popular do Referendo Nacional de 1 de Outubro.
Mas cumpriram-no, finalmente - em condições muito menos favoráveis do que teria sido em 3 de outubro, quando a nação, que assombrara o mundo dois dias antes impondo à Coroa e ao franquismo insepultos o Referendo democrático, se pôs em greve geral e tomou as ruas para aguardar, celebrar e defender a declaração de independência e a proclamação da República. Três vivas aos deputados independentistas e republicanos do parlamento autonômico! Aconteça o que acontecer, a semente da República democrática da Catalunha - e dos povos da Espanha - está lançada. Seus membros, a começar de Puigdemont e Junqueras - presidente e vice da Generalitat -, assim como Sánchez e Cuixart - dirigentes da ANC e Omnium já prisioneiros em Madrid -, precisarão ser defendidos da repressão vingativa do Estado espanhol e seus acólitos da "comunidade internacional", com unhas e dentes, por todos os adeptos da democracia, da soberania popular, da autodeterminação dos povos e - sem direito a tergiversação! - do socialismo. Está provado que somente a solidariedade ativa das multidões trabalhadoras da Espanha e da Europa poderá proporcionar à República da Catalunha as condições políticas indispensáveis à eleição e instalação de sua Assembléia Constituinte. Está provado também que o Estado espanhol de 1978 e a República democrática da Catalunha não cabem na mesma União Europeia. Tire cada um as suas próprias conclusões. A minha é que está aberta a temporada, dure quanto durar, de luta pela Assembleia Constituinte livre, soberana e democrática da República da Catalunha. O mesmo vale para tantas quantas forem as nações hispânicas que acharem por bem exigir o seu direito à autodeterminação. E vale também para as nações oprimidas da Europa, na perspectiva de uma outra União Europeia: uma união socialista dos povos livres do continente.
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Presidente e vice da Generalitat de Catalunya, Carles Puigdemont e Oriol
Junqueras - respectivamente líderes do Partido Democrata Europeu Catalão e da
Esquerda Republicana da Catalunha - discutem como se livrar da Declaração de
Independência que o primeiro se viu constrangido a firmar em face da inesperada
maré humana que não apenas impôs o referendo de 1º de Outubro à Coroa e ao
franquismo insepultos como tomou as ruas do país dois dias depois para aguardar
a Proclamação da República.
(..) Es necesario, en primer lugar, ser muy respetuosos con el principio de realidad. Ni la Unión Europea, ni los principales países del mundo están dispuestos a favorecer la ruptura de España. Al contrario. Los pronunciamientos de los últimos días no dejan ninguna duda al respecto. El presidente del Consejo Europeo, Donald Tusk, principal figura institucional de la Unión, ha recomendado diálogo entre Madrid y Barcelona dentro de la Constitución. Diálogo sin uso de la fuerza. El presidente de la Comisión Europea, Jean-Claude Juncker, declaraba ayer que la Unión se opone a una hipotética independencia de Catalunya, entre otras razones, por el efecto dominó en otros países. Juncker añadía que la Comisión Europea no piensa efectuar ninguna labor de mediación. En el mismo sentido se pronunciaba hace unos días el presidente de la República Francesa, Emmanuel Macron. El ministro de Asuntos Exteriores alemán, el socialdemócrata Sigmar Gabriel, calificó hace unos días de “irresponsable” cualquier intento de declaración unilateral de independencia en Catalunya y abogó por una solución dialogada dentro de la Constitución. El jueves, coincidiendo con la fiesta del 12 de Octubre, el secretario de Estado norteamericano, Rex Tillerson, despejaba cualquier sombra de duda que pudiese haber sobre la Administración norteamericana: “Estados Unidos quiere una España fuerte y unida”. En el mismo sentido se ha pronunciado Canadá, país de referencia en el asunto que nos ocupa. El Vaticano rechaza llevar a cabo un papel mediador. El presidente de México ha dicho que jamás reconocería una Catalunya independiente. Los mensajes son rotundos y claros. Rusia también dice apoyar la integridad de España, aunque algunos de sus medios de propaganda e intoxicación en internet deslicen noticias falsas que algunos soberanistas creen muy ingenuamente. No hay apoyos en el horizonte. Ninguna instancia internacional de relieve se propone para una mediación. Esa es la verdad. (..)
2017-10-15
O escasso interesse e a fraquíssima mobilização dos ativistas virtuais em defesa da insurgência nacional, republicana, democrática e popular da Catalunha independentista muito provavelmente deriva, no caso dos simpatizantes do PT, da Lei do Silêncio decretada pelo baronato partidário, fruto de seu compromisso inabalável com a Ordem... dos tempos da Guerra Fria (!) e sua fidelidade canina às lealdades herdadas - aí incluído o Pacto de La Moncloa, de 1978, pelo qual a Coroa e o franquismo concederam aos espanhóis, supostamente representados, dentre outros, pelos partidos Socialista e Comunista, o direito à democracia parlamentar. E com a agravante do oportunismo: se o que teria para dizer sobre dado acontecimento corre o risco de não ser adequadamente compreendido pela própria base, o saite da legenda prefere fazer de conta que nada está acontecendo.
O escasso interesse e a fraquíssima mobilização dos ativistas virtuais em defesa da insurgência nacional, republicana, democrática e popular da Catalunha independentista talvez derive, no caso dos simpatizantes do PSOL, do fato de que, a despeito da declaração oficial do partido a favor do referendo, importantes gurus intelectuais da legenda ainda não concluíram os mais de 2 milhões de laudos do Teste do Esquerdômetro que mandaram aplicar aos catalães que paralisaram o país e tomaram as ruas em 3 de outubro para defender o direito de sua nacionalidade à autodeterminação.
A terça-feira 3 de outubro era o momento crítico para que o Parlamento autonômico - sob impulso da maré de desobediência civil que assombrou o planeta, do resultado inequívoco do referendo independentista e da greve geral da nação insurgente - se reunisse, proclamasse a República da Catalunha e declarasse aberto o processo Constituinte.
De preferência com um apelo à solidariedade ativa dos democratas, indignados e pessoas comuns - las gents - de todo o mundo, a começar, e principalmente, da própria Espanha. Restaria ao Estado espanhol o recurso extremo de enviar os tanques, como pediu Alfonso Guerra, verdugo histórico do PSOE a serviço da Coroa e do franquismo insepulto.
A insurgência poderia ser contida, talvez até derrotada pela onipresença da força bruta contra a nação pacífica e desarmada. Mas a República permaneceria como uma esfoladura em carne viva, abrindo uma ampla via para a solidariedade dos trabalhadores e dos povos da Espanha e da Europa, impondo um patamar significativamente mais elevado para eventuais negociações e, o mais importante, legando à nação insubmissa o objetivo claro e palpável de toda a luta subsequente: a eleição e instalação de sua Assembléia Constituinte livre, democrática, republicana e soberana. A procrastinação da sessão do Parlamento até a segunda-feira 9 de outubro foi um erro da liderança republicana, potencialmente fatal tendo em vista a mobilização rápida, ainda que tardia, de todos os recursos políticos, econômicos, midiáticos, burocráticos, ideológicos, jurídicos e policiais ao alcance da reação mundial contra a "insensatez independentista" - da Catalunha e do Curdistão.
Foto: Juan Medina / Reuters. Fonte: El Punt Avui / Internet
Os Estados do mundo passaram os últimos anos, meses e semanas - e até mesmo os dias que antecederam o referendo independentista - ignorando os desenvolvimentos da luta do povo catalão por sua autodeterminação política. De súbito, o afluxo de um autêntico tsunami cidadão ao referendo obstinadamente garantido pelas instituições autonômicas, organizações independentistas e lideranças civis da nação – a despeito dos confiscos, da sabotagem, das ameaças e da truculência policíaco-judicial do Estado central – converteu, como num passe de mágica, a indiferença generalizada em desconcerto, inquietação e pânico. Aonde poderia levar a insurreição nacional, republicana e popular, ao mesmo tempo radicalmente democrática e deliberadamente gandhiana, de 1º de Outubro? Que consequências poderia ter para a ordem espanhola, europeia e mundial? A começar da própria União Europeia - na qual milhões de catalães depositavam suas esperanças de um trânsito relativamente suave rumo à República, ladesconexió -, um a um os chefes de Estado de todo o mundo passaram a manifestar sua adesão à indivisibilidade do território espanhol e à incolumidade de seu Estado, acompanhada de palavras de apoio ao governo Rajoy e melífluas exortações aos líderes catalães para que "se abram ao diálogo” e "busquem uma solução pactuada” - isto é, para que se submetam, pela enésima vez, ao pacto franqui-monárquico-parlamentar de 1978. A Catalunha insurgente está só - ante a real possibilidade de uma intervenção policial-militar - no que respeita aos Estados nacionais. Resta saber se está só também no que respeita aos partidos e lideranças políticas que, em todo o mundo, exercem o papel de representantes das aspirações dos povos pela democracia, pela República, pelo progresso social e pelo socialismo. A Catalunha insurgente precisa, desde já e urgentemente, do apoio efetivo do Podemos espanhol, do França Insubmissa, do Syriza grego, do Partido Trabalhista britânico, do PT e do PSOL brasileiros, do Partido Democrata norte-americano, do Partido Comunista Cubano, dentre muitos outros que minha desmemória e minha ignorância política não me permitem citar. A Catalunha insurgente precisa, desde já e urgentemente, de manifestações inequívocas e iniciativas práticas por parte de lideranças políticas de expressão mundial como Iglesias, Corbyn, Mélenchon, Varoufakis, Piketty, Bernie Sanders, Lula, Mujica, Obama e tantos quantos sobrevenham à lembrança do leitor. Como, porém, essas importantes organizações e personagens - com raras e honrosas exceções - até aqui têm demonstrado menos apreço pela fama que ostentam do que por suas lealdades constituídas, resulta que a Catalunha insurgente continua virtualmente só, e no momento do maior perigo.
Mas não desesperemos. Tudo é possível à Catalunha autodeterminada enquanto ela puder se alimentar da energia libertária das multidões de trabalhadores urbanos e indignados de todas as idades - da Praça Tahir, da Puerta del Sol, do Occupy Wall Street,do Junho de 2013 na Turquia e no Brasil, do Nuit Debout e, principalmente, do seu próprio 1º de Outubro.
Alfonso Guerra (PSOE) recomana enviar l’exèrcit a Catalunya
Montagem: avebarna.blogspot.com.br
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El dirigent històric del PSOE Alfonso Guerra ha defensat
avui, en una entrevista radiofònica, que s’enviï l’exèrcit a Catalunya si la
policia no es capaç de controlar la situació, que ha qualificat de “moviment
prefeixista” , i intent de fer “un cop d’Estat”. Segons ell, a París ja fa un
any que està desplegat l’exèrcit arran de l’amenaça terrorista, “i això no fa
que França deixi de ser un país democràtic”.
Alfonso Guerra manté que a Catalunya hi ha un cop d’Estat i
és necessari “actuar” contra els responsables: “No es pot negociar amb
colpistes”, avisa. Ha reclamat al seu partit que voti a favor de l’aplicació de
l’article 155 de la Constitució per restituir l’ordre legal a Catalunya.
“La gent s’escandalitza de les càrregues policials perquè
mentalment encara viuen en la dictadura. L’Estat només usa la seva força
legítima”, ha assegurat Guerra, a l’hora que ha criticat el president del
Govern, Mariano Rajoy, perquè “no sap prendre decisions”. Això no obstant,
també creu que el PSOE hauria de retirar la sol·licitud de reprovació de la
vicepresidenta del Govern, Soraya Sáenz de Santamaría, per les càrregues
policials de l’1-O.
Sobre el discurs ahir a la nit del Rei, ha afirmat que li va
semblar “impecable” i que el que va fer “va ser just el que havia de fer”.(..)
Poucas semanas atrás o ex-prefeito de São Paulo, Fernando
Haddad, declarou num depoimento à revisa Piauí acreditar que as "ações
virtuais" ligadas ao movimento de junho de 2013 estariam "sendo
patrocinadas" e que a presidenta Dilma, segundo soube, teria recebido telefonemas de
Erdogan e Putin para alertar para tal fato.
Muita gente, nos dias que correm, parece preocupada em encontrar culpados outros que não a deliquescência da economia
monopolista global para a ruína da ordem pretensamente inquebrantável do pós-Segunda Guerra Mundial e suas consequencias sociais e políticas. Promotores, agentes e beneficiários da longa e confortante etapa histórica patrocinada pelo Estado do bem-estar social - em que o termo democracia passou a ser sinônimo da inexpugnável alternância de governos conservadores e liberais, democratas-cristãos e social-democratas, falcões e pombas, direitistas e esquerdistas, tucanos e petistas - se vêem atônitos com o desmoronamento político da social-democracia, e de seus congêneres espalhados pelo mundo, depois que as ondas de choque da debacle econômico-financeira de 2007 a privaram de sua base material. Na confusão, ninguém se entende a respeito de que lado estão os
russos. Mas o enigmático Putin está sempre ao alcance da mão de quem precisa de uma explicação rápida e fácil para aquilo que não está nem nos compêndios de sociologia nem nos manuais de jornalismo e é mais temido do que a peste, a guerra, a fome e o aquecimento global: as
multidões urbanas do século XXI em movimento. Vai ser interessante o dia em que os russos resolverem sair de casa.
Vosotros habéis tenido la fuerza para hacer lo que en el Estado no se ha hecho: romper con el pasado
Escribo a bordo de un avión de vuelta a mi ciudad, a mi país, y sé que, cuando vuelva, el país que dejo, Catalunya, será distinto y mejor. Allí, como en otras ciudades, está convocada una manifestación en solidaridad con ustedes, catalanes, catalanas, (..)
Las personas que acudan a esas manifestaciones están seriamente comprometidas con la suerte que ustedes enfrentan, pero no tendrán la oportunidad histórica que hemos tenido quienes hemos compartido unas horas con este momento tenso y duro, pero espléndido, que han creado millones de personas libres. Un momento histórico que ya ha fundado una nación diversa, viva, militante y fecunda, la República de Catalunya. (..)
Comprendo perfectamente lo que he visto, un día en la historia de Europa, una revolución democrática. (Continua)
(..) But if Catalan leader Carles Puigdemont was right to
say that the Spanish state had “lost much more than what it had already lost”,
his assertion that Catalonia had won is at best half true. Most Catalans
wished both for a referendum and to remain in a united country. They
have been ill-served by both the state and the independence movement.
Mr Verhofstadt urged de-escalation, a negotiated solution bringing in
all parties – including the opposition in Catalonia – and respect for
Spain’s constitutional and legal order. He is right. Finding a way
out of this mess will require a willingness to listen, to Catalans most of
all. (Destaque Avebarna)
Ou Podemos forja uma liderança digna dos Indignados da Porta do Sol ou Iglesias transformará Podemos em um PSOdaE (PSOEdoB, em português do Brasil moderno).