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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Quebrados numa boa

Deu no Economia ao Minuto 14-11-2017, por Bruno Mourão

Como bom samaritano, o venerando
Sócrates assume que fumou e tragou.
E não parou mais. Desde então,
pode-se vê-lo todos os dias 
sentado em seu trono na entrada
do Ateneu fumegando 
como uma locomotiva a vapor.
Esta semana o filósofo, que apesar 
de cético incurável é também 
visceralmente progressista, 
decidiu ajudar a República de Platão
recomendando a todos os gregos o
remédio milagroso com que Tsipras 
espera curar a economia debilitada
pelas sanguessugas de Austeridade,
a Medusa do século XXI. 
Grécia tem uma arma secreta para fazer crescer a economia: a canábis

(..) Em recente entrevista, o ministro do desenvolvimento rural e da alimentação Evangelos Apostolou mostrou interesse em investir cerca de 1,5 mil milhões de euros em estufas e outros projetos de cultivo e produção de canábis, o primeiro passo numa estratégia que pretende tornar a Grécia num dos importantes membros do mercado global desta droga recreativa. As contas do governo de Alexis Tsipras apontam para um mercado global de 200 mil milhões de euros nos próximos 10 anos e uma pequena fatia deste valor daria um contributo importante para a economia grega sedenta de dinheiro e recuperação.

2017-11-15


sábado, 8 de abril de 2017

Trair e coçar é só começar

Deu no Le Monde online
08-04-2016, por Adéa Guillot
Accord surprise entre la Grèce et ses créanciers à l’Eurogroupe
Athènes a accepté des mesures d’économies supplémentaires de 3,6 milliards d’euros entre 2019 et 2020
Foto: L'Echo 10-04/Reuters
2017-04-08

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sofística tsiprática

O solerte Odisseu, digo, o ardiloso Tsipras, parece extrair forças de um grande imbróglio sócio-político: a Grécia dos "haves", que em geral votou SIM, precisa da Troika tanto quanto a Troika precisa da Grécia dos "have-nots", que em geral votou NÃO. 

O sofista Tsipras explica aos atônitos 
correligionários de Syriza que tomar a taça de 
cicuta oferecida pela Troika é a única maneira 
que resta aos gregos de não perderem a viagem 
ao Hades da União Europeia. Varoufakis, 
o dialético (à esquerda), mostra que, embora 
lhe repugne a ideia de tomar a maldita poção, 
reluta em perder a oportunidade de poder 
palestrar pessoalmente com o divino 
Dante Alighieri.
Chega-se, também por esse caminho, à questão capital: os "have-nots" gregos têm muito mais em comum com os "have-nots" de outras nações europeias do que com os "haves" de seu próprio país. 

O que se prepara, porém, não é uma nova fase da contenda a partir da ação comum dos partidos europeus do NÃO - que, a despeito das fronteiras franqueadas da UE parecem mais interessados em suas urgências nacionais -, mas a vitória inapelável da inconspícua coalizão europeia pelo "SIM", com a exultante aprovação da "comunidade internacional",* a bênção socialista de François France, né Hollande e a inestimável cobertura de... Syriza, considerado pela imprensa especializada o partido mais "radical" do continente!!!

Durma-se com um barulho desses!

2015-07-15

_________
* Para uma definição de "comunidade internacional", consulte o Glossário de Sociologia e Política Contemporâneas deste blog clicando http://avebarna.blogspot.com.br/p/democracia-1_10.html

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Maiêutica tsiprática

El País 09-07-2015, por Claudi Pérez  
http://internacional.elpais.com/internacional/2015/07/08/actualidad/1436349854_528058.html
Tsipras acepta tres concesiones importantes para obtener el rescate 
  
Montagem: Avebarna
2015-07-13

terça-feira, 30 de junho de 2015

Dentro da UE, fora da UE ou por outra UE?


Se era para desembocar num referendo, por que deixar para fazê-lo aos 48 minutos do segundo tempo – quando Atenas já há de estar exausta de ansiedade, frustração e incerteza, quem sabe a ponto de desfalecer nos braços dos banqueiros que se propõem a “resgatá-la”, a peso de ouro, do caos que eles mesmos criaram? 

Acaso Tsipras acreditava que Hollande viria em seu socorro? 

Por que Tsipras perdeu tanto tempo numa negociação em que se tratava de saber se a Troika exigiria de Atenas dez ou nove e meio de seus dedos, em vez de preparar gregos, troianos e tebanos para a inevitável moratória da dívida, o controle dos bancos e a consequente batalha pelo significado da União Europeia para todos os povos do continente? 

E por que cargas d'água Syriza não usou o tempo gasto nessas negociações, que todos sabiam ser um beco sem saída, para convocar Podemos, Guanyem e todas as organizações europeias anti-Troika nascidas dos indignados de 2013, além, é claro, dos partidos e sindicatos tradicionalmente ligados aos trabalhadores, para uma campanha continental contra as políticas de austeridade, precariedade e desemprego que assolam todos os países da Europa - e em defesa da Grécia? 

Teria sido para evitar constrangimentos com Hollande e os chefes da social-democracia europeia? Ou por desconfiar que os partidos e sindicatos tradicionalmente ligados aos trabalhadores se alinhariam com seus banqueiros pátrios contra a Grécia?

Acaso terão sonhado alguma vez as lideranças de Syriza que os barões da social-democracia, da UGT, da CGT, de CCOO sairiam, por livre e espontânea vontade, em defesa dos trabalhadores gregos? 

Se a mais grave crise social europeia desde a Segunda Guerra Mundial não é o momento para a abertura de uma janela autenticamente socialista - vale dizer plebeia, democrática e internacionalista - sobre o continente europeu, um espaço plurinacional com fronteiras franqueadas a cidadãos comuns e trabalhadores de 28 cidadanias diferentes, eu me pergunto: quando então será? 


2015-06-30


sábado, 14 de fevereiro de 2015

Syriza entre Cila e Caribdis?

El País 10-02-2015, por Claudi Pérez 

Europa intensifica la presión sobre la Grecia de Tsipras

Premier grego Tsipras discute com
seus correligionários se deve
ou não deve tomar
a taça de cicuta que lhe está
sendo oferecida pela troika da UE

(Detalhe de A Morte de Sócrates,
Jacques-Louis David, 1787,
Metropolitan Museum of Art, Nova York)
Não seria o caso de Syriza - que não é o governo, mas o partido majoritário no governo - convocar uma mega-manifestação europeia em Atenas, especialmente dirigida a delegações de trabalhadores de todos os países, para exigir que os bancos credores assumam o essencial da dívida nacional - por eles mesmos construída em conluio com bancos, empreiteiras, concessionárias, imobiliárias gregas, além, é claro, da Autoridade Olímpica local - e pôr em debate a construção de OUTRA UNIÃO EUROPEIA?

2015-02-14