Mostrando postagens com marcador Wall Street. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Wall Street. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de março de 2022

Manhattan connection

NY Times 21-03-2022

(..) Wealthy foreign investors like Mr. Abramovich have long been able to move money into American funds using such secretive, roundabout setups, taking advantage of a lightly regulated investment industry and Wall Street’s willingness to ask few questions about the origins of the money. (..) Mr. Abramovich has an estimated fortune of $13 billion, derived in large part from his well-timed purchase of an oil company owned by the Russian government that he sold back to the state at a massive profit. (..)

2022-03-22

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

À espera da tormenta

The Guardian 25-01-2022
https://www.theguardian.com/business/2022/jan/25/us-stock-markets-bubble-tech-results-investors

(..) The tech sector led US stock markets on a pandemic boom last year. Now markets are whipsawing on fears that the Federal Reserve will end the era of easy money, all while a potential war in Ukraine looms. Some warn of a bigger correction to come on a scale not seen since the dotcom collapse of the late 1990s. (..) Jeremy Grantham, the British co-founder of Boston-based investment manager GMO, believes the US is now in a “super-bubble” comparable to the dotcom era, the Wall Street crash of 1929, and the housing market madness of 2006. It is not just tech that has blown up, but housing prices, commodities and bond prices. (..)


2022-01-28

 


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Fairy sale

Deu no Globo Economia 26-01-2017 (via Boletim Ademi)

Otimismo com Trump leva Bolsa de Nova York a bater recorde  
Montagem: avebarna.blogspot.com.br
Imagens originais: Internet
"Com um rápido movimento para assinar decretos executivos, ao qual se somaram dados econômicos positivos, a clareza voltou às manchetes, e todos os índices acionários americanos estão celebrando", disse à agência Bloomberg Quincy Krosby, estrategista de mercado da corretora Prudential Financial.
"A clareza é o oxigênio dos mercados”. (Continua)


2017-01-26


sábado, 6 de agosto de 2016

The bright side of the moon II

El país 03-08-2016, por Nuño Domínguez

EE UU aprueba la primera misión privada a la Luna

Montagem www.avebarna.blogspot.com.br
Imagem Moon Express / El País
2016-08-06


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

The bright side of the moon

El país 03-08-2016, por Nuño Domínguez

EE UU aprueba la primera misión privada a la Luna

Montagem www.avebarna.blogspot.com.br
Imagem: Internet
2016-08-03

terça-feira, 27 de maio de 2014

Cálice sem pé com uma frondosa cabeça



Clique na imagem para ampliar
Perfil da distribuição da renda mundial. Como os leitores podem perceber, o cálice só fica em pé porque está amarrado a uma torre. Entre os anos 1980 e 2000, essa maravilha da engenharia humana foi chamada por seus inventores de "prosperidade inaudita". Eu a chamaria de "sustentando o insustentável". Aceitam-se sugestões via comentários. O melhor nome será premiado com uma edificante excursão a Wall Street - sem direito a sair do recinto da Bolsa.

PS: O que acham de O Santo Graal de Wall Street?

2014-05-27

terça-feira, 29 de maio de 2012

Ferguson e o "Inside Job" acadêmico nos EUA

Instituto Humanitas Unisinos, por Charles Ferguson, diretor do documentário Trabalho Interno (2010) / Netflix 
https://ihu.unisinos.br/noticias/509948

A corrupção acadêmica e a crise financeira
Originalmente publicado na Folha de S Paulo em 27-05-2012
Hoje em dia, se você vir um célebre professor de economia depondo no Congresso ou escrevendo um artigo, são boas as chances de ele ou ela ter sido pago por alguém com grande interesse no que está em debate. Na maior parte das vezes esses professores não revelam esses conflitos de interesse. Além disso, na maior parte do tempo suas universidades se fazem de desentendidas.

Meia dúzia de firmas de consultoria, vários birôs de palestrantes e diversos grupos de lobby de setores diferentes mantêm grandes redes de acadêmicos de aluguel, com o objetivo de defender os interesses desses grupos em discussões sobre políticas e regulamentação.

Os principais setores envolvidos são energia, telecomunicações, saúde, agronegócio e, sem dúvida, o setor de serviços financeiros.

Alguns exemplos: o economista Glenn Hubbard virou reitor da Columbia Business School em 2004, pouco depois de deixar o governo George W. Bush (2001-09), no qual trabalhou no Departamento do Tesouro e foi o primeiro presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente, entre 2001 e 2003.

Boa parte de seu trabalho acadêmico é dedicado à política fiscal. Num resumo justo de suas posições intelectuais, pode-se dizer que ele jamais viu um imposto que tenha gostado de ver aprovado e em vigor. Em novembro de 2004, ele escreveu um artigo espantoso em coautoria com William C. Dudley, então economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs.

O artigo em questão, "Como os Mercados de Capitais Elevam a Performance Econômica e Facilitam a Geração de Empregos", merece ser citado. Vale lembrar que estamos em novembro de 2004, com a bolha já bem encaminhada:

"Os mercados de capital têm ajudado a tornar o mercado imobiliário menos volátil. 'Arrochos de crédito' do tipo que, periodicamente, fecharam a oferta de recursos aos compradores da casa própria [...] são coisas do passado."

Hubbard se negou a dizer se foi pago ou não para escrever o artigo. E se negou a me fornecer sua declaração mais recente de conflitos de interesse financeiros com o governo, documento que não pudemos obter de outra forma porque a Casa Branca o destruiu.

Hubbard recebeu US$ 100 mil para depor na defesa criminal dos dois gerentes do fundo hedge (de alto risco) Bear Stearns, processados por envolvimento com a bolha; eles foram absolvidos. No ano passado, Hubbard se tornou assessor econômico sênior da campanha presidencial de Mitt Romney, o pré-candidato republicano à Presidência dos EUA.uitas pessoas que viram meu documentário "Trabalho Interno" (2010) acharam que a parte mais perturbadora é a revelação sobre amplos conflitos de interesses em universidades e institutos de estudos e entre pesquisadores acadêmicos. Espectadores que assistiram às minhas entrevistas com eminentes professores universitários ficaram estarrecidos com o que saiu da boca deles.

Mas não deveríamos ter ficado surpresos. Nas duas últimas décadas, médicos já comprovaram de modo substancial a influência que o dinheiro pode exercer num campo supostamente objetivo e científico. De modo geral, as escolas de medicina e os periódicos médicos vêm reagindo bem, aderindo às exigências de transparência.

Os cursos de pós-graduação em economia, as faculdades de administração, as de direito e as de ciência política vêm reagindo de modo muito diferente. Nos últimos 30 anos, parcelas importantes do mundo acadêmico americano foram deterioradas, convertendo-se em atividades do tipo "pay to play" (pague para participar).

RABO PRESO

Outro economista, Larry Summers, já ocupou quase todos os cargos governamentais importantes na área econômica. Secretário do Tesouro sob o presidente Bill Clinton (1993-2001), em 2009 ele se tornou diretor do Conselho Econômico Nacional na administração Barack Obama.

Embora seja sensato em relação a muitas questões, Summers cometeu uma sucessão bem documentada de erros e concessões. E seus pontos de vista sobre o setor financeiro dificilmente seriam distinguidos dos de, digamos, Lloyd Blankfein (chefe do Goldman Sachs) ou Jamie Dimon (presidente do banco JPMorgan).

A maior parte de nossas informações sobre Summers vem de sua declaração obrigatória de conflitos de interesse, exigida pelo governo. De acordo com a declaração dada em 2009 por Summers, sua fortuna líquida estava calculada entre US$ 17 milhões e US$ 39 milhões. Seus recebimentos totais no ano antes de ingressar no governo chegaram a quase US$ 8 milhões. O Goldman Sachs pagou a Summers US$ 135 mil por um discurso.

Larry Summers é um homem com o rabo preso, que deve a maior parte de sua fortuna e boa parte de seu sucesso político à indústria de serviços financeiros e que esteve envolvido em algumas das decisões de política econômica mais desastrosas da última metade de século. Na administração Obama, Summers se opôs à adoção de medidas fortes para punir banqueiros ou limitar a receita deles.

A universidade de Harvard ainda não exige que Larry Summers divulgue seus envolvimentos com o setor financeiro. Tanto Harvard quanto Summers negaram meus pedidos de informação.

O problema da corrupção acadêmica hoje está tão profundamente entrincheirado que essas disciplinas e essas universidades importantes estão gravemente comprometidas, e qualquer pessoa que pensasse em se opor à tendência ficaria racionalmente muito assustada.

COMEDIMENTO

Considere a seguinte situação: você é estudante de doutorado ou um membro júnior do corpo docente que estuda a possibilidade de fazer pesquisas sobre, digamos, as estruturas de pagamento aos profissionais que assumem riscos nos serviços financeiros, ou sobre o impacto potencial das exigências de divulgação pública de informações sobre o mercado de "credit default swaps" --instrumentos financeiros que funciona como um seguro contra calotes. O reitor de sua universidade é... Larry Summers. O chefe de seu departamento é... Glenn Hubbard.

Ou você está no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e quer estudar o declínio dos pagamentos de impostos de pessoas jurídicas. A reitora do MIT é Susan Hockfield, que faz parte do conselho de direção da General Electric, uma empresa que vem conseguindo evitar o pagamento de quase todos os impostos corporativos há vários anos.

Até que ponto essas forças de fato afetam as pesquisas acadêmicas e as políticas das universidades? As evidências das quais dispomos sugerem que o efeito é grande.

Os comentários sobre a crise financeira proferidos por economistas na academia têm sido bastante comedidos. É verdade que existem algumas exceções notáveis. Na maior parte do tempo, porém, o silêncio tem sido ensurdecedor.

Como é possível que um setor inteiro seja estruturado de modo que funcionários sejam encorajados a saquear e destruir suas próprias firmas? Por que a desregulamentação e a teoria econômica fracassaram tão espetacularmente?

O lançamento do documentário "Trabalho Interno" claramente mexeu com sensibilidades que foram tocadas por essas questões. Fui contatado por estudantes e docentes em grande número, e houve debates em grande número.

Algumas escolas, incluindo a Columbia Business School, adotaram exigências de divulgação de informações pela primeira vez.

Mas a maioria das universidades ainda não faz essas exigências, e poucas ou nenhuma impõem qualquer limitação à existência de conflitos de interesse. O mesmo se aplica à maioria das publicações acadêmicas.

Repórteres de jornais são proibidos terminantemente de aceitar dinheiro de qualquer setor econômico ou organização sobre o qual escrevam matérias. O mesmo não acontece no mundo acadêmico.

Houve um avanço positivo importante. No início deste ano, a Associação Americana de Economia passou a exigir uma declaração de conflitos de interesse para os sete periódicos que edita.

Mas a maioria das instituições ainda se opõe à divulgação de mais informações, e, quando eu estava fazendo meu filme, se negou até mesmo a tratar do assunto.
2021-05-29

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O salvamento de Wall Street e a eleição de Obama

Decidi, caro leitor, utilizar como "segunda postagem inaugural" deste blog dois pequenos artigos que escrevi por ocasião da quebra de Wall Street e da eleição de Barack Obama à presidência dos EUA, em novembro de 2008. Razões e, sobretudo, impressões, que pretendo destilar, gota a gota - mas com um espírito muito menos circunspecto! - nas postagens subseqüentes deste blog, me levam a crer que esses são acontecimentos capitais da história que as atuais gerações estão fazendo.




Qual Obama governará?
(06-11-2008)

Como todo cidadão dotado de algum apreço pela vida e pelas pessoas, torci e me alegrei pela vitória de Obama. E me emocionei com o espetáculo de alegria coletiva exibido nas ruas das grandes cidades norte-americanas. Mas a razão recomenda prudência, muita prudência. Não só porque as eleições presidenciais e parlamentares norte-americanas são, esmagadoramente, um território “fechado”, exclusivo do duopólio dos partidos da classe dominante e da grande imprensa, mas também porque Obama começou a campanha reivindicando Ronald Reagan e a concluiu cavalgando um sentimento popular que vai muito além do que sua carreira política e seus propósitos expressos justificam.

É possível que, como todos nós, Obama tenha aprendido algumas lições com o desenrolar da crise do mercado financeiro nas últimas semanas de campanha; pode ser que, influenciado pelos liberais do tipo Krugman, desista sinceramente de se espelhar em Reagan e o substitua em seu panteão particular por algum reformista de respeito; quem sabe influenciado pelas expectativas depositadas por legiões de eleitores da América trabalhadora, Obama descubra horizontes mais amplos que o de Harvard; quem sabe venha a incorporar positivamente a impressionante expectativa despertada nos mais obscuros rincões do planeta por seu DNA, muito mais verdadeiramente globalizado do que a economia assim dita.

O Obama que terminou a campanha não é o mesmo que a iniciou. A falência do sistema financeiro e a conseqüente humilhação da clique de déspotas e canalhas que comandou as instituições norte-americanas nos últimos dez anos de certa forma o levaram a assumir um papel que lhe foi imposto pelas circunstâncias e pela maioria do povo norte-americano: o de agente da “mudança”.

Esta palavra contém um mundo inteiro e mais alguma coisa: da regulação do mercado financeiro à suspensão do embargo contra Cuba; de uma política de pleno emprego à assinatura do Protocolo de Kioto; da instituição da saúde pública universal nos Estados Unidos ao fim de Guantânamo; da instituição de um grande programa de obras públicas ao reconhecimento do direito palestino à soberania nacional; do respeito aos direitos dos imigrantes pobres à retirada do Iraque e do Afeganistão; da punição dos desmandos da clique de Bush à anulação da dívida externa dos países africanos; e assim por diante. 

Mas a montagem do futuro governo já começa a mostrar que o buraco é mais embaixo. A caminhada dos Estados Unidos rumo à democratização de suas políticas e instituições será tortuosa. E inevitavelmente dolorosa.


Socialização dos prejuízos à vista de todos
(01-11-2008)

O controle social da monumental operação de socorro às instituições afetadas pela falência do sistema financeiro mundial – objeto de preocupação em alguns editoriais do NYTimes, por exemplo – parece que vai dar em pizza. Em nome do interesse geral e com base na máxima cínica de que "os grandes bancos são importantes demais para falir", o que se desenha no horizonte é a legitimação definitiva da associação simbiótica de recursos públicos e privados em benefício destes últimos, em escala inédita e à vista de todos.

Abaixo seguem duas sintomáticas manifestações da leniência com que o tema da aplicação, pelos bancos, dos recursos proporcionados pelos governos para conter a crise é tratado nas altas esferas.

Matéria de Ellen E. Schultz, do Wall Street Journal, publicada em Valor Econômico de 31 de outubro de 2008 sob o título "Bancos dos EUA devem bilhões a executivos", diz que "os gigantes financeiros americanos que estão recebendo injeção de dinheiro público devem a seus executivos mais de US$40 bilhões por salários e pensões de anos anteriores, ainda que o governo esteja tentando restringir a remuneração futura dessas firmas (...). Mais adiante, a matéria diz: "O governo está impondo algumas restrições a como as firmas pagam aos executivos no futuro. Mas elas não afetam o que os bancos já devem nem tornam as dívidas mais transparentes". 

Alguns op-eds do NYTimes vêm falando no assunto (por exemplo, o uso dos recursos do pacote de resgate para comprar outros bancos, e não para restaurar o crédito), mas sem muita convicção, como se o fato de boa parte desse dinheiro ser usada para outros fins que não o interesse público fosse próximo do inevitável. A própria matéria não parece muito interessada em esclarecer à questão – crucial, no caso - de se o dinheiro do contribuinte norte-americano será usado, antes de tudo, para cobrir as dívidas dos bancos com seus executivos milionários.

No Brasil, na mesma edição de Valor Econômico, somos informados por meio de artigo de Claudia Safatle e Alex Ribeiro que a tão alardeada autorização para que os bancos sacassem 70% dos compulsórios para comprar carteiras de crédito de bancos pequeno e médios em dificuldades havia dado em nada porque "como o cumpulsório era 100% remunerado [pela Selic], os bancos preferiram deixar os recursos parados no BC (...) a correr riscos na compra das carteiras". Justiça seja feita, por essa razão, o BC acaba de decidir que 10,5% dos recursos captados em depósitos a prazo sejam recolhidos ao BC sem nenhuma remuneração. Menos mal.

Pergunta-se: como pode a vida cotidiana de 6 bilhões de terráqueos estar sujeita ao resultado da ação egoísta (tecnicamente falando) de meia dúzia de indivíduos proprietários de todos os meios de crédito disponíveis no mundo? Quem pode acreditar seriamente que essa ação egoísta (tecnicamente falando) garante a “alocação mais eficiente dos meios de crédito disponíveis na economia mundial”? Ou há algo maquiavelicamente oculto por trás da palavra "eficiente" ou os economistas liberais, muito mais que as pessoas comuns, são propensos a acreditar em milagres.

2011-05-13

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O Maracanã em pó e o capitalismo do desastre

Postagem de abertura gentilmente cedida por À beira do urbanismo. www.abeiradourbanismo.blogspot.com. A redação agradece.


Montagem: Avebarna

Meus poucos, porém fiéis leitores interessados em temas urbanísticos hão de achar enfadonha a insistência no tema dos jogos olímpicos e pan-americanos. 

Não os culpo. Eles estão cobertos de razão. 

Peço-lhes apenas considerar a possibilidade de que não se trate de uma obsessão particular, mas, digamos, de um reflexo profissional e cidadão em face da obsessão dos homens públicos que, democraticamente encarapitados nos três níveis de governo, decidiram que organizar Jogos Olímpicos e Copas do Mundo nos termos ditados pelo COI e pela FIFA é um bom negócio para o nosso país e as nossas cidades. Eles não fazem contas (deixam para que os Tribunais de Contas tampouco façam), só cálculos... 

A Olímpiada, à primeira e segunda vista um objeto lateral ao urbanismo, é há pelo menos duas décadas a filha dileta do casamento da indústria internacional dos grandes eventos com a gestão urbanística guiada por princípios de livre mercado. Em breve postarei um artigo dando meu testemunho de como e porque, em meados da década de 1990, essa perspectiva foi abraçada pela prefeitura do Rio de Janeiro, sob o nome de “Plano Estratégico”, como solução para o baixíssimo nível de investimento público e, portanto, de desenvolvimento da cidade. 

Fato é que, enquanto eu cogitava a próxima postagem de À beira do urbanismo – e traduzia uma coletânea de artigos curtos sobre as melhores bandas de pop e rock da última década (recomendo a Dirty Projectors, em especial “Cannibal Resource” e a celestial “Two Doves” na voz doce e sussurrante de Angel Deradoorian) – uma nova pérola pan-olímpica caiu rolando no meu widescreen. 

Dias atrás, o jornal online Lancenet informou que os Jogos Panamericanos de Guadalajara de 2011 acusavam um déficit de 70 milhões de dólares. Até aí, nenhuma novidade. O que me chamou a atenção foi a declaração do presidente do comitê organizador, Carlos Andrade Garín: “O governo tem avalizado os jogos e o que faltar terão (sic) que nos dar. Já não estamos pensando em quanto dinheiro falta, mas de quanto precisamos”. O mesmo artigo atribui o buraco financeiro dos Jogos “à recusa do Congresso Federal de conceder 1,75 bilhão de pesos de subsídio extraordinário”. 

Três vivas ao Congresso Federal mexicano! Afinal, por que dar subsídios extraordinários a um mega-negócio privado cujos custos e benefícios públicos ninguém – a começar pelo Caderno de Encargos do COI – faz a menor questão de sequer estimar? O legado! Ah, o legado! O legado da reforma do Estádio do Maracanã e do Parque Aquático Julio Delamare para o Panamericano de 2007 no Rio de Janeiro é... a montanha de entulho da completa demolição de ambos para a construção de um novo estádio para a Copa do Mundo de 2014! Dinheiro público literalmente transformado em pó. Inspirado em Naomi Klein, pensei: "Que extraordinária lição de 'capitalismo do desastre': onde a natureza recalcitra, o governo arbitra!" 

Impossível não dar asas a este tema fascinante. À parte o conteúdo esportivo sem o qual não poderiam existir – estamos falando de espetáculos de primeira linha (até já reservei o melhor lugar do meu sofá) –, os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo pertencem a um ramo transnacional da economia dita de livre (!) mercado (!) muito pouco discutido e menos ainda compreendido. 

Não tenho a pretensão de cobrir tal lacuna: faltam-me o conhecimento e o tempo necessário para adquiri-lo. Mas quero compartilhar com os leitores algumas idéias, semana a semana, ainda que à custa de me afastar totalmente de nosso objeto. 

A mera intuição me diz que tudo isso guarda certa relação com os sucessos a que o ex-Economista Chefe do Banco Mundial Joseph Stigliz, em seu recém publicado livro sobre a debacle financeira de fins de 2008, O Mundo em Queda Livre, se refere como “O grande roubo americano” (Capítulo 6): a transferência de centenas de milhões de dólares dos cidadãos estadunidenses, a fundo perdido, para o salvamento dos grandes apostadores da roleta financeira em que se transformou o sistema bancário do país. 

Como, ao contrário de nossos eternamente narcisistas irmãos do Norte, não creio que esta classe de roubo se resuma aos Estados Unidos nem seus beneficiários a Wall Street, sugiro em nosso caso uma série chamada, à moda dos escritos científicos do século XVII, “A pilhagem globalizada dos tesouros nacionais por certas classes de negócios privados que têm livre acesso aos cofres públicos”. 

Em alguma postagem futura falarei também sobre um aspecto correlato, verdadeiramente orwelliano (outra vez!), dos Jogos modernos: a recente tentativa do Comitê Olímpico Brasileiro de monopolizar o direito de uso das expressões “Olimpíadas”, “Jogos Olímpicos” e seus derivados. Acreditem, é verdade. 

Retornando ao ponto de onde começamos, sou forçado a admitir que muitas dessas postagens não caberão, nem com muita boa vontade, no plano temático de À beira do urbanismo. É para dar asas a tais digressões que levanta vôo esta velha e autêntica obsessão particular – agora sim! – chamada Uma estranha e gigantesca ave sobre Barcelona. Os leitores poderão se informar sobre suas enigmáticas aparições e acompanhar minha busca por seus rastros em www.avebarna.com. À beira do urbanismo seguirá seu caminho, atendo-se na medida do possível ao objeto para o qual foi criado, à sombra do misterioso fenômeno mediterrâneo. Salve, monstro!

2011-05-11