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sexta-feira, 1 de abril de 2022
Internacional Pelotária
O Globo 01-04-2022
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segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Distração fatal
ESPN online 28-09-2015, por Marcus Alves
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| Montagem: Avebarna |
Deviam estar todos ocupados com assuntos mais urgentes do que a gestação do rombo fiscal.
2015-09-28
quinta-feira, 25 de junho de 2015
O Capital no Séc ¾ XX: acumulação temporã
A corrupção generalizada no futebol
mundial, e quem sabe no olimpismo também, tem raízes num vasto processo,
iniciado em meados da década de 1970, de conversão de valores culturais difusos em direitos econômicos privados em favor das entidades desportivas – FIFA e COI à cabeça – cujos burocratas virtualmente vitalícios se tornaram, assim, "concessionários" de fabulosos patrimônios e beneficiários de suas rendas.
O enclosure* do futebol contemporâneo não consistiu no cercamento dos campos de pelada, mas no patenteamento
da FIFA, UEFA, CONMEBOL, CBF e seus "produtos de entretenimento".
Dá para entender perfeitamente por que razão essa gente não quer largar o osso!
___
A seleção brasileira de futebol é Patrimônio Cultural do país tanto quanto a Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos são Patrimônio da Humanidade.
* Para uma descrição sucinta dos enclosures na Inglaterra do século XVIII, clique em http://www.brasilescola.com/historiag/cercamentos-revolucao-industrial-inglesa.htm
2015-06-25
2015-06-25
quinta-feira, 11 de junho de 2015
A corrida do ouro
ESPN 11-06-2015
http://espn.uol.com.br/noticia/517660_parlamento-europeu-pede-saida-imediata-de-blatter-por-corrupcao-desenfreada-na-fifa
Parlamento Europeu pede saída imediata de Blatter por corrupção 'desenfreada' na Fifa
Parlamento Europeu pede saída imediata de Blatter por corrupção 'desenfreada' na Fifa
Definitivamente, esse buraco é muito mais fundo do que sugere a ideia da "moralização do futebol".
O falecido Joelmir Betting, um entusiasta, mas nem por isso menos economista, do ludopédio, costumava assinalar aos seus leitores que o futebol é o maior segmento de um dos ramos mais importantes da economia mundial: a indústria do entretenimento.
Um negócio da China - mais exatamente da Europa, controlado com mão de ferro por um vetusto monopólio burocrático; algo que, com certeza, não agrada aos EUA, onde a modalidade começa a se tornar extremamente popular e lucrativa sob o impulso das novas gerações de migrantes, latinos principalmente, mas também europeus e asiáticos.
O soccer pode ser um lenitivo nada desprezível para uma economia que, ainda aturdida pela fragorosa derrocada do eldorado imobiliário que acreditava ter descoberto, necessita desesperadamente de novas soluções para a valorização dos brontobytes de capital registrados nos servidores de suas casas bancárias.
O "caso FBI-FIFA" pode ser o primeiro capítulo de uma longa disputa entre os EUA e a Europa pela repartição dos lucros do ludopédio global. A tempestiva intervenção do Parlamento Europeu é, nesse sentido, bastante sintomática.
2015-06-11
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Fifopólio em questão?
NYTimes 02-06-2015, por Sam Borden, Michael S. Schmidt e Matt Apuzzo
Sepp Blatter Decides to Resign as FIFA President in About-Face
Sepp Blatter Decides to Resign as FIFA President in About-Face
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| Montagem: Avebarna |
Numa economia mundial cronicamente deprimida pela baixa rentabilidade do investimento produtivo e combalida pela explosão, em 2008, da ciranda financeira turbinada pelo mercado imobiliário dos EUA, a ascensão do negócio do futebol na terra do Tio Sam não é assunto de pouca monta.
Por isso eu ouso sugerir que o "caso FIFA" vai muito além da "moralização do esporte"; trata-se, também, quem sabe principalmente, do desmonte de um velho monopólio burocrático e da redivisão dos lucros do negócio!
Por isso eu ouso sugerir que o "caso FIFA" vai muito além da "moralização do esporte"; trata-se, também, quem sabe principalmente, do desmonte de um velho monopólio burocrático e da redivisão dos lucros do negócio!
2015-06-03
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Time da casa volta para casa
A Suíça, como se sabe, é um país sem fins lucrativos - só se interessa por juros, rendas da terra e isenções fiscais em países estrangeiros.
Por isso ela é a pátria da FIFA, uma instituição filantrópica que, segundo as mais fidedignas estimativas, deverá lucrar 8,8 bihões de reais com a Copa das Copas do Brasil, um fantasticamente bem-sucedido mega-evento desportivo de sua propriedade exclusiva viabilizado pelo governo brasileiro com generosas doações de estádios, infraestrutura de comunicações, isenções fiscais e, por último mas não menos importante, privilégios de Estado independente nos palcos de seus espetáculos e em uma extensa área circundante que, no caso da Arena das Dunas chega a Fernando de Noronha, no da Arena da Amazônia às cabeceiras do Solimões, no da Arena Pantanal até onde Caxias perdeu as botas, isto é, a capital do Paraguai e, no do Estádio Mané Garrincha, a nada mais nada menos do que o próprio Palácio do Planalto.
Não é, portanto, por acaso nem por bagatela que este blog considera a Suíça o time da casa: nem eliminado ele deixa de render juros, rendas e isenções fiscais extraterritoriais à sua dindinha.
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| Montagem: Avebarna |
Resta saber quem ocupará o seu lugar como Time da Casa da Copa das Copas: se a jihad brazuca ou a intifada portenha. A julgar pelas estatísticas de lotação dos estádios, eu cravo a coluna dois.
2014-07-03
quinta-feira, 15 de maio de 2014
quinta-feira, 8 de maio de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Patrimônio da Humanidade!
IG Economia 14-01-2014, por Marília Almeida
http://economia.ig.com.br/empresas/2014-01-14/copa-alertas-da-fifa-sobre-uso-indevido-de-marcas-crescem-5-vezes.html
http://economia.ig.com.br/empresas/2014-01-14/copa-alertas-da-fifa-sobre-uso-indevido-de-marcas-crescem-5-vezes.html
Copa: alertas da Fifa sobre uso indevido de marcas crescem 5 vezes
De 100 casos em junho de 2013, organizadora do evento no Brasil já alertou mais 518 empresas, fechou um acordo na esfera judicial e tem um processo em andamento na Justiça (..)
2014-01-14
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Ladrão que rouba ladrão
UOL esporte / Blog do Erich Beting 06-01-2014
Fifa notificará Decolar por se “apropriar” da Copa
O site de compras de passagens aéreas e pacotes de estadia
Decolar.com receberá uma notificação da Fifa por apropriação indevida da Copa
do Mundo em promoção. Nos próximos dias a empresa deverá ser notificada a tirar
do ar o site “Viva o Mundial'', hospedado sob o domínio www. mundialdecolar.com.
(...) Apesar de a Copa parecer um torneio de domínio público, pelo alcance e força que tem, ela tem um dono. E esse precisa zelar pelo uso correto da marca que ele detém. Um dos legados que a Copa do Mundo pode trazer ao mercado de patrocínio e promoção no Brasil é exatamente a criação de um sentimento de proteção ao evento. É função de quem organiza um torneio cuidar pela boa reputação dele. E isso significa, também, evitar o uso indevido dessa marca.
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| www.avebarna.blogspot.com.br |
(...) Apesar de a Copa parecer um torneio de domínio público, pelo alcance e força que tem, ela tem um dono. E esse precisa zelar pelo uso correto da marca que ele detém. Um dos legados que a Copa do Mundo pode trazer ao mercado de patrocínio e promoção no Brasil é exatamente a criação de um sentimento de proteção ao evento. É função de quem organiza um torneio cuidar pela boa reputação dele. E isso significa, também, evitar o uso indevido dessa marca.
2014-01-06
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Olimpo: de píncaro divino a poço sem fundo
http://espn.estadao.com.br/noticia/299720_orcamento-privado-do-rio-2016-aumenta-68-em-tres-anos-e-governo-pagara-a-conta
Orçamento privado da Rio 2016 aumenta 68% em três anos e governo pagará a conta
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| Montagem: Avebarna Imagem original: Internet |
Supõe-se que o Tesouro brasileiro esteja investindo bilhões nesse empreendimento privado para obter retornos para o país, certo? Onde está, porém, essa avaliação? Que instituição do Estado brasileiro avaliou ganhos e perdas do investimento olímpico, com base na experiência recente, para saber que se trata de um bom negócio? As noções de "prestígio internacional" e "não podemos ficar para trás" falam por si mesmas? Os intangíveis são fabulosos?
A nação tem o direito de saber o que pensam, de fato, sobre a matéria, os governantes que ela elegeu. O país inteiro aplaudiria se a presidenta viesse à TV explicar porque a Olimpíada de 2016 é um bom negócio para a maioria trabalhadora do país. Talvez seja. Discutamos, pois. Democracia é isso.
2012-12-20
2012-12-20
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terça-feira, 1 de novembro de 2011
O enigma da meia-entrada
Em
si mesma, a discussão da meia-entrada na Copa do Mundo me parece uma tolice sem
sentido. No marco da política geral do governo brasileiro para a realização da
Copa do Mundo, porém, ela se parece mais, infelizmente, com poeira nos olhos do
público.
2011-11-01
O
mínimo que se poderia esperar de um contrato com a entidade privada dona dos
direitos da Copa do Mundo é que esta exigisse o controle total da receita de
ingressos. Se há uma única coisa compreensível, senão razoável, no acordo com a
FIFA é que os ingressos sejam vendidos pelo preço fixado pela entidade.
É
evidente, nesse caso, que, se o governo brasileiro quisesse respeitar a lei da
meia-entrada bastaria subsidiá-la na cota de ingressos destinados ao público
doméstico. Se a Copa do Mundo fosse um empreendimento verdadeiramente privado
acolhido com interesse pelo Estado brasileiro, o subsídio à meia-entrada seria
um custo público efetivamente desprezível, amplamente compensado pelas
externalidades positivas do empreendimento.
Ocorre,
porém, que, como eu mesmo já disse em outro lugar, a Copa do Mundo não é um
empreendimento privado, mas uma gigantesca operação estatal de ajuda aos posseiros do negócio do futebol e seus fornecedores, construtoras e hoteleiros, mediante
fabulosos investimentos públicos a fundo perdido e polpudas isenções fiscais.
Para a FIFA, trata-se de produzir seu espetáculo a custos de mão-de-obra,
infraestrutura, equipamentos e serviços de Terceiro Mundo para vendê-los na
Europa, Ásia e EUA a preços de Primeiro.
Nessas
circunstâncias, o governo me parece acertar tarde demais. Enquanto os grandes espertalhões do
negócio futebolístico usufruem os generosos subsídios já concedidos e o governo
(se liga, PT!) os pontos conquistados na parada do prestígio internacional, os
jovens e idosos interessados em assistir às partidas da Copa nos novos estádios
brasileiros classe FIFA correm o risco de ficar sem o seu direito à
meia-entrada.
2011-11-01
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Made in Periphery
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| Imagem: Internet autoria não identificada |
Três vivas à Lacoste, que dá emprego ao trabalhador peruano e põe o Peru no mapa do mundo!
A Nike produz tênis na Tailândia por, sei lá, 5 dólares e os vende em Paris e Nova York por 150.
A Nike produz tênis na Tailândia por, sei lá, 5 dólares e os vende em Paris e Nova York por 150.
Três vivas à Nike, que dá emprego ao trabalhador tailandês e põe a Tailândia no mapa do mundo!
A FIFA produz Copas do Mundo na África do Sul, Brasil, Rússia e Catar, por X bilhões de dólares, a maior parte doada pelos respectivos Estados nacionais, para vender ao mundo inteiro por X*Y bilhões, sendo Y>1. Li recentemente em algum jornal que ela espera um lucro de 3 bilhões.
A FIFA produz Copas do Mundo na África do Sul, Brasil, Rússia e Catar, por X bilhões de dólares, a maior parte doada pelos respectivos Estados nacionais, para vender ao mundo inteiro por X*Y bilhões, sendo Y>1. Li recentemente em algum jornal que ela espera um lucro de 3 bilhões.
Três vivas à FIFA, que dá emprego aos trabalhadores sul-africanos, brasileiros, russos e... cátaros (!) e põe a África do Sul, o Brasil, a Rússia e o Catar no mapa do mundo!
2011-10-20
2011-10-20
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domingo, 9 de outubro de 2011
Copa e Olimpíada: política anticíclica, de desenvolvimento ou de prestígio?
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| Montagem: Avebarna |
Nos Estados Unidos, a classe empresarial voltou a ser resolutamente a favor do equilíbrio das contas públicas depois que o governo abriu a torneira do Tesouro – a fundo perdido – para salvar bancos e financeiras da bancarrota por eles mesmos organizada, episódio que, reitero, foi descrito pelo insuspeito Joseph Stiglitz como “O grande roubo americano”.
O patronato brasileiro não é diferente. Ele também não perde ocasião de se manifestar enfaticamente favorável à contenção de gastos públicos depois que os três níveis de governo tenham aberto as torneiras de seus respectivos Tesouros para bancar os estádios e os equipamentos e sistemas complementares requeridos pela FIFA e o COI, além da hotelaria privada, aeroportos, transportes urbanos etc, quer seja pela via dos juros subsidiados, da doação de terrenos, das isenções fiscais ou, finalmente, do aporte direto. Para ser exato, não é tanto uma questão de antes e depois quanto de foco seletivo: o patronato é a favor da contenção dos gastos públicos sempre que estes não o beneficiem direta e imediatamente.
O interessante é que, se há um país onde o investimento em estádios de futebol não tem porque dar prejuízo, é o Brasil. Dada a paixão brasileira pelo futebol, um programa governamental de reforma, ampliação e até construção de novos estádios de futebol poderia ser, sim, um componente relevante da política dita “anticíclica”. Mas não precisa ser analista de projetos para saber que a construção de estádios “padrão FIFA” em Manaus, Natal, Campo Grande e Brasília só pode ser feita pelo Estado e implica ou bem criar um ônus eterno sobre o erário público ou bem jogar todo o investimento na lata do lixo em cinco anos, caso em que o único efeito benéfico do gasto público terá sido o de curtíssimo prazo – o emprego. A conta final dá negativa.
Em compensação, ali onde muito provavelmente a construção de um novo estádio é lucro garantido – o caso do Corínthians – o BNDES empresta a metade do custo a juros subsidiados e a prefeitura entra com o terreno e um “engenhoso” pacote de incentivos fiscais – a pretexto da urgência, como toda a torcida do Flamengo já sabia – que cobre quase todo o resto. Conta pesadamente negativa.
No Rio, três anos depois da reforma do Maracanã e da construção do Engenhão para os Jogos Panamericanos, chega-se à conclusão de que nem um nem outro se prestam à Copa do Mundo. O Engenhão é alugado ao Botafogo por uma ninharia e o Maracanã virtualmente demolido para se fazer outro em seu lugar. Conta final negativa, uma vez mais.
No Rio, três anos depois da reforma do Maracanã e da construção do Engenhão para os Jogos Panamericanos, chega-se à conclusão de que nem um nem outro se prestam à Copa do Mundo. O Engenhão é alugado ao Botafogo por uma ninharia e o Maracanã virtualmente demolido para se fazer outro em seu lugar. Conta final negativa, uma vez mais.
Desse jeito, vamos à Grécia!
A querela em torno da Lei da Copa tem em seu centro os direitos que a FIFA reclama de livre exploração do negócio que lhe pertence – a essência da economia de mercado. Ocorre que a Copa do Mundo tem muito pouco a ver com economia de mercado: é uma gigantesca operação estatal não escrita, não planejada, não delimitada e, principalmente, não contabilizada de isenções e investimentos públicos federais, estaduais e municipais em benefício, principalmente, dos proprietários internacionais e nacionais do negócio do futebol, de suas marcas, empreiteiras, construtoras, hotéis etc. Aos capitalistas, as internalidades; aos trabalhadores, as externalidades: emprego agora, diversão em seguida e, depois, apertar os cintos para pagar as dívidas.
O mais preocupante é que, desde a candidatura e a hierática cerimônia de “escolha” da sede da Copa de 2014 (a platéia era tão hirta e ensaiada que mais parecia um pleno do CC do extinto PCUS), tudo isso tem o aspecto de uma barganha entre a indústria mais popular do mundo – tão popular que o mundo mal se lembra tratar-se de uma indústria – e um governo de coalizão de todas as classes cada vez mais ávido de prestígio internacional. Tem razão Juca Kfouri ao lembrar que o ex-presidente Lula não levou à FIFA a proposta da candidatura brasileira sem conhecer os termos do negócio.
O fato de Lula ser um líder sumamente inteligente e empenhado em criar políticas sociais para o Brasil não desobriga o governo de prestar contas ao país nem o PT de colocar em discussão o financiamento dos grandes eventos planetários. Mas é inútil procurar no site do partido um verdadeiro e saudável debate militante sobre a política de apoio governamental à Copa do Mundo e às Olimpíadas. Por quê?
Voltando ao início, o fato de que nem uma única voz de peso no mundo empresarial brasileiro tenha se erguido para conclamar o Estado em geral, e os governos em particular, a serem parcimoniosos, responsáveis, transparentes e – por que não? – eficientes nos gastos públicos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas só vem confirmar que a nossa classe dominante não apenas é um zero à esquerda como liderança histórica como, a bem da verdade, não parece nem um pouco preocupada com a nação. “Farinha pouca, meu pirão primeiro” - é a palavra de ordem - ainda que servido por um governo que ela odeia, por suas origens bastardas, quase tanto quanto despreza os trabalhadores e pobres em geral.
Se liga, PT!
2011-10-09
2011-10-09
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Stiglitz J
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Antes tarde do que nunca, que o Brasil não é espelunca
Antes tarde que jamais, minha presidenta Dilma Rousseff resolveu colocar um freio nas pretensões da FIFA de obter vantagens de Estado soberano dentro do Estado brasileiro.
Tenho certeza de que ela terá o total apoio da imensa maioria da nação – da nação trabalhadora, que ama desinteressadamente e não lucra nada, ao contrario, só gasta, com o futebol, assim como dos profissionais e pequenos empresários, que dão duro e recolhem impostos sem as “isenções fiscais da Copa” – se pagar para ver as cartas da FIFA, que ameaça ir fazer o seu negócio da China em algum país mais “amigável”. Na retrocitada, quem sabe.
Para obter tal apoio, basta que a presidenta fale à nação na língua vernácula do PT, a língua dos trabalhadores que as pessoas (e lideranças políticas) honestamente democráticas de todos os partidos entendem perfeitamente, e as sem-partido também, e não na língua melíflua, escorregadia e ambivalente dessa coalizão tardia e malsã PT-PMDB-sei-lá-mais-o-quê que tem José Sarney, o rei do Maranhão, por fiador.
O povo brasileiro mais do que ama o futebol - a foto do Pelé socando o ar secundado por Tostão e Jairzinho me parece uma representação muito mais autêntica (e salutar) do orgulho nacional do que o Grito (ai!) do principezinho estróina às margens do Ipiranga - mas não é trouxa. Queremos Copa, mas com soberania nacional e gasto responsável.
Em frente, presidenta! Faxina em regra, até o fim, para o que der e vier, nos acordos do Brasil com a FIFA e o COI!
***
Se a FIFA quer que todas a Copas sejam de Primeiro Mundo, por que não escolheu a Inglaterra, a Espanha e a Holanda-Bélgica – que, aliás, já tinham tudo quase pronto – em lugar da África do Sul, Brasil, Rússia e Qatar?
Elementar meu caro Watson: porque não há nada melhor que preços de Primeiro Mundo com custos de materiais e mão de obra e, last but not least, controle social de gasto público de Terceiro!
2011-09-28
2011-09-28
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quinta-feira, 23 de junho de 2011
Informação sigilosa: o mar não está para peixe
Dado que a grande imprensa não é mesmo confiável, eu tratei de ir à fonte.
Não foi fácil de achar, em meio a disposições sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios, a legislação da ANAC e da INFRAERO, a autorização para contratação de controladores de tráfego aéreo e outros que tais, mas lá está: pelo artigo 39, parágrafo único do RDC (Regime Diferenciado de Contratações Públicas), o governo PT-PMDB-sei-lá-mais-o-quê – que apesar de certas nefandas alianças teve, e ainda tem, o meu voto por uma questão de perspectiva política e histórica que talvez um dia eu tente defender junto aos meus leitores – propõe dar ao COI e à FIFA o direito de decidir quanto dinheiro do Tesouro do Brasil eles irão gastar com seu coliseu itinerante!! (As competições de alto nível são muito legais, leitor, mas se a gente pensar bem, a Olimpíada, como sugere o próprio nome, não passa de um Cirque du Soleil de semi-deuses do esporte).
Em postagem anterior, insinuei que episódios desse tipo guardariam estreita relação com o “pacote de salvamento” que, por ocasião da quebra da roleta financeira norte-americana em 2008, o insuspeito Joseph Stiglitz, ex-economista-chefe do Banco Mundial, qualificou, em seu livro O Mundo em Queda Livre, de “O Grande Roubo Americano”.
Não me tome, caro leitor, por filosoficamente cético ou pessimista. Posso lhe assegurar, ademais, que estou feliz e de bem com a vida. Mas tenho cada vez mais presente a sensação de que, num futuro que já deu a largada, os Estados Unidos, indo daqui para lá, a China, vindo de lá para cá, com o Japão a reboque, e a Europa, como sempre no meio do caminho junto com os emergentes seus amigos, o Brasil incluído, acabarão misturados numa caótica sociedade burocrática pseudo-capitalista e pseudo-globalizada controlada por proprietários de imóveis, donos e executivos de bancos e gestores de fundos de pensão, com poderes equivalentes ao de concessionários – como nos tempos da tomada inglesa de Bengala – dos Tesouros dos Estados nacionais.
Tudo isso, é claro, em meio a cataclismos climáticos cada vez mais severos e freqüentes.
O COI, a FIFA e congêneres garantirão que as nacionalidades continuem a ser celebradas com a execução de seus hinos triunfantes nas batalhas desportivas e os “homens bons” irão regularmente à igreja pedir à mão invisível do mercado que assuma também o controle das intempéries.
Resumindo, uma louca mistura de 1984 com Rollerball e Blade Runner.
Possibilidades alternativas certamente existem, mas acho que vai ser preciso, de quando em quando, um showdown - em bom português, “botar o pau na mesa”. Porque não vai ser só com boas maneiras que sairemos desse imbróglio.
Já lá se vão 23 anos da assinatura dos protocolos de Kioto e a impressão que se tem, a julgar pelas conferências de Copenhagen-2009 e Cancún-2010, é que o planeta não tem pressa. O cidadão instruído faz a coleta seletiva direitinho, nossas crianças aprendem a economizar água, os excluídos, porém honestos, dão sua contribuição ao esforço mundial de reciclagem vivendo da recolha de latinhas e o companheiro Minc faz das tripas coração com seus vistosos coletinhos étnicos (nesse quesito ele poderia, como dizia a minha avó, dar o braço ao companheiro Evo e sair correndo), mas os proprietários de terra estão mais preocupados em derrubar a floresta e se lixando para o problema de onde os pobres das cidades vão morar. Já os banqueiros, financistas e seus ventríloquos à testa dos Estados ricos têm coisas mais urgentes a tratar (a solvência da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e... Estados Unidos !) do que o derretimento das calotas polares, o desemprego estrutural, o planeta-favela e a economia bandida. (Alguém duvida seriamente de que tudo isso são aspectos de uma única sociedade planetária?)
Eu sugiro começarmos a pensar em democracias sem banqueiros (para que eles servem, afinal? – indagaria o proto-funcionalista Aristóteles) nem latifundiários rurais e urbanos e que os mesmos poderes soberanos dados no Brasil ao COI e à FIFA sejam outorgados, no mundo inteiro, em caráter experimental, ao Painel da ONU sobre Mudanças Climáticas! Pior do que está, eu acho que dificilmente iria ficar.
2011-06-23
Não foi fácil de achar, em meio a disposições sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios, a legislação da ANAC e da INFRAERO, a autorização para contratação de controladores de tráfego aéreo e outros que tais, mas lá está: pelo artigo 39, parágrafo único do RDC (Regime Diferenciado de Contratações Públicas), o governo PT-PMDB-sei-lá-mais-o-quê – que apesar de certas nefandas alianças teve, e ainda tem, o meu voto por uma questão de perspectiva política e histórica que talvez um dia eu tente defender junto aos meus leitores – propõe dar ao COI e à FIFA o direito de decidir quanto dinheiro do Tesouro do Brasil eles irão gastar com seu coliseu itinerante!! (As competições de alto nível são muito legais, leitor, mas se a gente pensar bem, a Olimpíada, como sugere o próprio nome, não passa de um Cirque du Soleil de semi-deuses do esporte).
Em postagem anterior, insinuei que episódios desse tipo guardariam estreita relação com o “pacote de salvamento” que, por ocasião da quebra da roleta financeira norte-americana em 2008, o insuspeito Joseph Stiglitz, ex-economista-chefe do Banco Mundial, qualificou, em seu livro O Mundo em Queda Livre, de “O Grande Roubo Americano”.
Não me tome, caro leitor, por filosoficamente cético ou pessimista. Posso lhe assegurar, ademais, que estou feliz e de bem com a vida. Mas tenho cada vez mais presente a sensação de que, num futuro que já deu a largada, os Estados Unidos, indo daqui para lá, a China, vindo de lá para cá, com o Japão a reboque, e a Europa, como sempre no meio do caminho junto com os emergentes seus amigos, o Brasil incluído, acabarão misturados numa caótica sociedade burocrática pseudo-capitalista e pseudo-globalizada controlada por proprietários de imóveis, donos e executivos de bancos e gestores de fundos de pensão, com poderes equivalentes ao de concessionários – como nos tempos da tomada inglesa de Bengala – dos Tesouros dos Estados nacionais.
Tudo isso, é claro, em meio a cataclismos climáticos cada vez mais severos e freqüentes.
O COI, a FIFA e congêneres garantirão que as nacionalidades continuem a ser celebradas com a execução de seus hinos triunfantes nas batalhas desportivas e os “homens bons” irão regularmente à igreja pedir à mão invisível do mercado que assuma também o controle das intempéries.
Resumindo, uma louca mistura de 1984 com Rollerball e Blade Runner.
Possibilidades alternativas certamente existem, mas acho que vai ser preciso, de quando em quando, um showdown - em bom português, “botar o pau na mesa”. Porque não vai ser só com boas maneiras que sairemos desse imbróglio.
Já lá se vão 23 anos da assinatura dos protocolos de Kioto e a impressão que se tem, a julgar pelas conferências de Copenhagen-2009 e Cancún-2010, é que o planeta não tem pressa. O cidadão instruído faz a coleta seletiva direitinho, nossas crianças aprendem a economizar água, os excluídos, porém honestos, dão sua contribuição ao esforço mundial de reciclagem vivendo da recolha de latinhas e o companheiro Minc faz das tripas coração com seus vistosos coletinhos étnicos (nesse quesito ele poderia, como dizia a minha avó, dar o braço ao companheiro Evo e sair correndo), mas os proprietários de terra estão mais preocupados em derrubar a floresta e se lixando para o problema de onde os pobres das cidades vão morar. Já os banqueiros, financistas e seus ventríloquos à testa dos Estados ricos têm coisas mais urgentes a tratar (a solvência da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e... Estados Unidos !) do que o derretimento das calotas polares, o desemprego estrutural, o planeta-favela e a economia bandida. (Alguém duvida seriamente de que tudo isso são aspectos de uma única sociedade planetária?)
Eu sugiro começarmos a pensar em democracias sem banqueiros (para que eles servem, afinal? – indagaria o proto-funcionalista Aristóteles) nem latifundiários rurais e urbanos e que os mesmos poderes soberanos dados no Brasil ao COI e à FIFA sejam outorgados, no mundo inteiro, em caráter experimental, ao Painel da ONU sobre Mudanças Climáticas! Pior do que está, eu acho que dificilmente iria ficar.
2011-06-23
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
O Maracanã em pó e o capitalismo do desastre
Postagem de abertura gentilmente cedida por À beira do urbanismo. www.abeiradourbanismo.blogspot.com. A redação agradece.
Meus poucos, porém fiéis leitores interessados em temas urbanísticos hão de achar enfadonha a insistência no tema dos jogos olímpicos e pan-americanos.
Não os culpo. Eles estão cobertos de razão.
Peço-lhes apenas considerar a possibilidade de que não se trate de uma obsessão particular, mas, digamos, de um reflexo profissional e cidadão em face da obsessão dos homens públicos que, democraticamente encarapitados nos três níveis de governo, decidiram que organizar Jogos Olímpicos e Copas do Mundo nos termos ditados pelo COI e pela FIFA é um bom negócio para o nosso país e as nossas cidades. Eles não fazem contas (deixam para que os Tribunais de Contas tampouco façam), só cálculos...
A Olímpiada, à primeira e segunda vista um objeto lateral ao urbanismo, é há pelo menos duas décadas a filha dileta do casamento da indústria internacional dos grandes eventos com a gestão urbanística guiada por princípios de livre mercado. Em breve postarei um artigo dando meu testemunho de como e porque, em meados da década de 1990, essa perspectiva foi abraçada pela prefeitura do Rio de Janeiro, sob o nome de “Plano Estratégico”, como solução para o baixíssimo nível de investimento público e, portanto, de desenvolvimento da cidade.
Fato é que, enquanto eu cogitava a próxima postagem de À beira do urbanismo – e traduzia uma coletânea de artigos curtos sobre as melhores bandas de pop e rock da última década (recomendo a Dirty Projectors, em especial “Cannibal Resource” e a celestial “Two Doves” na voz doce e sussurrante de Angel Deradoorian) – uma nova pérola pan-olímpica caiu rolando no meu widescreen.
Dias atrás, o jornal online Lancenet informou que os Jogos Panamericanos de Guadalajara de 2011 acusavam um déficit de 70 milhões de dólares. Até aí, nenhuma novidade. O que me chamou a atenção foi a declaração do presidente do comitê organizador, Carlos Andrade Garín: “O governo tem avalizado os jogos e o que faltar terão (sic) que nos dar. Já não estamos pensando em quanto dinheiro falta, mas de quanto precisamos”. O mesmo artigo atribui o buraco financeiro dos Jogos “à recusa do Congresso Federal de conceder 1,75 bilhão de pesos de subsídio extraordinário”.
Três vivas ao Congresso Federal mexicano! Afinal, por que dar subsídios extraordinários a um mega-negócio privado cujos custos e benefícios públicos ninguém – a começar pelo Caderno de Encargos do COI – faz a menor questão de sequer estimar? O legado! Ah, o legado! O legado da reforma do Estádio do Maracanã e do Parque Aquático Julio Delamare para o Panamericano de 2007 no Rio de Janeiro é... a montanha de entulho da completa demolição de ambos para a construção de um novo estádio para a Copa do Mundo de 2014! Dinheiro público literalmente transformado em pó. Inspirado em Naomi Klein, pensei: "Que extraordinária lição de 'capitalismo do desastre': onde a natureza recalcitra, o governo arbitra!"
Impossível não dar asas a este tema fascinante. À parte o conteúdo esportivo sem o qual não poderiam existir – estamos falando de espetáculos de primeira linha (até já reservei o melhor lugar do meu sofá) –, os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo pertencem a um ramo transnacional da economia dita de livre (!) mercado (!) muito pouco discutido e menos ainda compreendido.
Não tenho a pretensão de cobrir tal lacuna: faltam-me o conhecimento e o tempo necessário para adquiri-lo. Mas quero compartilhar com os leitores algumas idéias, semana a semana, ainda que à custa de me afastar totalmente de nosso objeto.
A mera intuição me diz que tudo isso guarda certa relação com os sucessos a que o ex-Economista Chefe do Banco Mundial Joseph Stigliz, em seu recém publicado livro sobre a debacle financeira de fins de 2008, O Mundo em Queda Livre, se refere como “O grande roubo americano” (Capítulo 6): a transferência de centenas de milhões de dólares dos cidadãos estadunidenses, a fundo perdido, para o salvamento dos grandes apostadores da roleta financeira em que se transformou o sistema bancário do país.
Como, ao contrário de nossos eternamente narcisistas irmãos do Norte, não creio que esta classe de roubo se resuma aos Estados Unidos nem seus beneficiários a Wall Street, sugiro em nosso caso uma série chamada, à moda dos escritos científicos do século XVII, “A pilhagem globalizada dos tesouros nacionais por certas classes de negócios privados que têm livre acesso aos cofres públicos”.
Em alguma postagem futura falarei também sobre um aspecto correlato, verdadeiramente orwelliano (outra vez!), dos Jogos modernos: a recente tentativa do Comitê Olímpico Brasileiro de monopolizar o direito de uso das expressões “Olimpíadas”, “Jogos Olímpicos” e seus derivados. Acreditem, é verdade.
Retornando ao ponto de onde começamos, sou forçado a admitir que muitas dessas postagens não caberão, nem com muita boa vontade, no plano temático de À beira do urbanismo. É para dar asas a tais digressões que levanta vôo esta velha e autêntica obsessão particular – agora sim! – chamada Uma estranha e gigantesca ave sobre Barcelona. Os leitores poderão se informar sobre suas enigmáticas aparições e acompanhar minha busca por seus rastros em www.avebarna.com. À beira do urbanismo seguirá seu caminho, atendo-se na medida do possível ao objeto para o qual foi criado, à sombra do misterioso fenômeno mediterrâneo. Salve, monstro!
2011-05-11
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