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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Sem frente, derrota iminente!

www.avebarna.blogspot.com.br
Imagem original: A Amigo da Onça,
por Péricles (1924-1961)
Pelo que que se lê nas redes, nos saites e nos jornais, tem-se a nítida impressão de que, enquanto o mandato da presidenta eleita é criminosamente usurpado por um conluio entre o Congresso e o STF, os partidos democráticos do país (PT, PSOL, PSB, Rede, PDT e outros a tirar e pôr a critério do leitor) se mostram muito mais preocupados com as eleições municipais.

Não resta dúvida de que, nas circunstâncias de HOJE - 26 de agosto de 2016 -, é obrigação dos partidos autenticamente democráticos disputar as eleições municipais inserindo em suas campanhas a exigência "Fora Temer", a denúncia do Congresso golpista e do STF arquiconservador e a defesa das conquistas sociais e democráticas contra o governo usurpador e reacionário Temer-Meirelles.

Mas a óbvia impotência da maioria da nação perante o fato crucial - a operação de destituição, por motivo fútil, do governo constitucionalmente eleito - resulta de que esses mesmos partidos democráticos, a começar pelo PT e pelo PSOL (pelo grau de responsabilidade política que deriva de sua origem comum, o Partido dos Trabalhadores nascido das lutas operárias do ABC/80) foram incapazes de, no momento oportuno - e ele existiu, semanas atrás! - organizar, ou combater seriamente por, uma autêntica frente democrática contra o impeachment, suprapartidária, nacional e aberta a todas as personalidades públicas e organizações da sociedade civil.


Se o tivessem feito, poderíamos ter, na mesma ocasião em que o Senado e o STF se acoplam para "julgar" Dilma Rousseff, quem sabe a reunião de uma assembleia nacional dos comitês anti-impeachment a exigir a extinção do processo parlamentar, a destituição imediata do usurpador Michel Temer, a dissolução do Congresso golpista e a convocação de um Congresso Constituinte soberano para acabar com a República das Empreiteiras (algo que a Lava-Jato e Sergio Moro jamais farão) e retrofitar a democracia no país - incluindo o ultraconservador STF! A depender das circunstâncias, poderia ser o caso até de propor o boicote às eleições municipais!


Desgraçadamente, a frente suprapartidária contra o impeachment de Dilma foi descartada, a priori, pelos partidos democráticos em prol, no caso do PT, de sua obsessão burocrática pelo monopólio da 'política progressista' e, no do PSOL, de sua consoladora rotina de responder a todos os problemas com o aceno à constituição de uma estorvante, e em última instância inútil, 'frente das esquerdas'. 

É doloroso dizer: PT e PSOL negaram aos brasileiros - por omissão, no melhor dos casos - a realização da indispensável unidade de ação organizada de todos os indivíduos e entidades civis antagonistas do impeachment! 

A derrota é iminente. 

As consequências desse fracasso têm, por ora, o aspecto de um mero passo atrás. As garantias democráticas seguem mais ou menos como têm estado desde o fim da ditadura - 'normais' para muitos, plenas (e até abusivas) para os que têm acesso a foros privilegiados e advogados famosos, inexistentes para um enorme contingente de párias sociais. Mas ninguém está sendo preso por delito de opinião ou por expor suas ideias na Internet. 

Contudo, a continuada perseguição a Lula - totalmente desproporcional ao miserável peculato de que o acusam -, assim como a tentativa de excluir o PSOL dos debates eleitorais na TV, servem de alerta. Um passo atrás depois do outro pode significar, em face de um confronto sério, a queda no abismo!

Na luta pela democracia e pelos direitos dos trabalhadores, a pura e simples unidade de ação por objetivos comuns, sem condições e pressupostos outros que não a independência organizacional e a liberdade de crítica, se sobrepõe em todos os casos às necessidades e conveniências dos partidos, independentemente de quão singularmente democráticos, progressistas e esquerdistas eles se reivindiquem. 

A longo prazo, nenhum partido ou organização política que ignore essa lição elementar, já velha de guerra na história dos movimentos democráticos e socialistas, sobreviverá como força progressista relevante; a democracia definhará; e o socialismo - este continuará sendo uma utopia reconfortante, o reino dos céus para os que não creem no inferno.


2016-08-26

PS: A organização política de classe dos trabalhadores brasileiros está vacante.


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Colpo, ma non troppo

Congresso Nacional, junho de 2013
Se, nas condições de funcionamento “normal” das instituições democráticas, o PT defendia uma Constituinte Exclusiva para reformar o "sistema político" brasileiro, como entender que, em face do golpe branco perpetrado pelo Congresso, com a chancela do STF, não defenda uma Constituinte Inclusiva para retrofitar soberanamente a democracia no país?

2016-08-12

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Em qualquer cenário, a saída é a Constituinte

Brasília, junho de 2013
A melhor resposta a um possível Impeachment sem crime de responsabilidade, decidido por um Congresso povoado de trambiqueiros - suspeitos, comprovados e presumidos - animados pela estridente banda de música de um empresariado cronicamente parasitário dos negócios do Estado, é... a recusa do governo usurpador, a exigência da dissolução do Congresso e a mobilização popular por uma Assembleia Constituinte soberana e democrática, livre da influência do poder econômico e com direito a candidaturas extra-partidárias, para votar um novo "contrato social” respeitador do patrimônio público e das conquistas sociais e instituir um poder que lhe corresponda.

A melhor resposta à eventual vitória do governo Dilma contra o Impeachment pela via da partilha da massa falida dos governos PT-PMDB com uma chusma de picaretas parlamentares, trânsfugas fisiológicos, rebotalho do rebotalho da representação política de um empresariado cronicamente parasitário dos negócios do Estado, é... a exigência do compromisso presidencial de abdicar em favor de uma Assembleia Constituinte soberana e democrática imposta pela mobilização popular, livre da influência do poder econômico e com direito a candidaturas extra-partidárias, para votar um novo "contrato social” respeitador do patrimônio público e das conquistas sociais e instituir um poder que lhe corresponda.

2016-04-06

terça-feira, 5 de abril de 2016

Governistas e legalistas


Os adversários ativos do impeachment de Dilma Rousseff compreendem, a essa altura, duas grandes categorias: os "governistas" e os "legalistas" - e todos querem vencer a batalha sem ter de renunciar a suas visões a respeito da crise atual e, menos ainda, das perspectivas futuras. 

Detalhe importante: eles não gostam de ser confundidos - o que, convenhamos, é não apenas justo como muito salutar.

De modo geral, os "governistas" são filiados ao Partido dos Trabalhadores e sua área de influência; os "legalistas" incluem uma variada mescla de ativistas de esquerda, a maioria, talvez, sob a influência do PSOL, além de uma grande quantidade de democratas e socialistas independentes. 

A estes dois grupos se somam, evidentemente, milhões de eleitores de Dilma Rousseff fieis ao seu voto, embora passivos. 

As manifestações de 31 de março deixaram entrever - não tanto por seu tamanho quanto por sua diversidade social e política - que a ação unificada de "governistas" e "legalistas", arrastando atrás de si o eleitorado em geral, é a única maneira de impedir que a Presidência seja usurpada pelos estafetas parlamentares do empresariado organizado, na forma do impeachment sem crime de responsabilidade ou, o que dá quase no mesmo, que o impeachment seja derrotado à custa da partilha da Administração Pública brasileira entre o rebotalho do rebotalho da representação política desse mesmo empresariado; em outras palavras, de tornar-se o governo liderado pelo PT ainda mais refém (se é que é possível) do inimigo comum do que foi com o PMDB!

O que nos leva a uma preocupação: o PT pretender que o governo dê uma guinada à esquerda, sob a batuta de Lula, depois de vencer a batalha parlamentar do impeachment com uma tropa de algumas dezenas de "picaretas" (quem não se lembra?) fisiológicos, pode ser o início da aventura populista referida por este blogueiro na recente postagem "O ocaso da Nova República: Constituinte e cenários alternativos - um esboço" (24-03-2016) http://avebarna.blogspot.com.br/2016/03/o-ocaso-da-nova-republica-constituinte.html

A "saída pela esquerda" é, antes de qualquer coisa, vencer a batalha do impeachment pela via da mobilização democrática da maioria. E quem tem os meios para promovê-la são, antes de todos e principalmente, o PT e o PSOL. 

É agora ou nunca: é preciso constituir um Comitê Nacional SUPRAPARTIDÁRIO Contra o Impeachment! 

2016-04-05

domingo, 3 de abril de 2016

Adesões em massa!

Lançando mão, sem a menor cerimônia, dos direitos que lhe são proporcionados pela vigência, na Internet, e sabe Deus até quando, das liberdades idiossincráticas, o blogueiro tem a satisfação de anunciar aos seus leitores duas importantíssimas adesões ao Comitê Suprapartidário Avebarna Contra o Impeachment - Em Defesa do Mandato Dilma Rousseff:


  • Chico Buarque de Holanda, Deus da MPB e semideus das boas causas, que, por ocasião da manifestação de 31 de março, no Largo da Carioca, não só desceu à Terra - onde, aliás, prefere viver - como empunhou o microfone para, diante da multidão delirante, cantar a sua própria versão do sucesso popular "Não vai ter Golpe":
— Gente que votou no PT, gente que não gosta do PT, gente que foi do PT e se desiludiu, gente que votou na Dilma, gente que votou na Dilma e está decepcionado com o seu governo. Mas, sobretudo, a gente não pode pôr em dúvida a integridade da presidente Dilma Rousseff (..). Vamos fortalecer a democracia. Não vai ter golpe. De novo não. (O Globo 31-03-2016)
  • Monica Iozzi, a noviça rebelde das Organizações Globo, trânsfuga, desertora, autêntica ovelha negra da Grande Imprensa Pró-Impeachment, que, sentindo-se inadequadamente representada na notícia da GloboNews sobre a mesma manifestação - "Manifestantes vão às ruas em defesa da presidente Dilma no Largo da Carioca, no Rio" -, sapecou em seu twitter:

Para depoimentos dos demais membros do Comitê Avebarna sobre o caráter da batalha em curso, clique em 

2016-04-03

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Dois coelhos com uma só monicada

O Dia 01-04-2016, por IG, 
Monica Iozzi corrige manchete da GloboNews e gera nova polêmica
Após rebater uma chamada do canal que paga seu salário, seguidores da apresentadora divergiram opiniões

Rio - Como de costume, Monica Iozzi usou suas redes sociais para se posicionar sobre o momento político do Brasil. A apresentadora compartilhou uma notícia da GloboNews e "corrigiu" a manchete dada pelo canal.
O título original dizia que: "Manifestantes vão às ruas em defesa da presidente Dilma no Largo da Carioca, no Rio". Indo contra a afirmação, Monica replicou: "Corrigindo a manchete. Manifestação em DEFESA DA DEMOCRACIA. 'Ser legalista não é o mesmo que ser governista'".

Os seguidores da apresentadora não chegaram a um acordo sobre sua posição e deixaram comentários divergentes. "Corrigindo a própria emissora, gosto assim", escreveu um seguidor. "Enganadíssima de novo. Era uma passeata de apoio à Dilma. Era governista SIM", disse outro. 
(..)
2016-04-01

quinta-feira, 31 de março de 2016

Comitê suprapartidário Avebarna contra o impeachment - em defesa do MANDATO Dilma Rousseff





“Gilberto Gil pede que povo se manifeste contra impeachment” TudoBH, 08-12-2015
http://tudobh.com.br/gilberto-gil-diz-que-processo-de-impeachment-e-delirio-politico/
"Ele afirmou ainda que não se sente capacitado para o exercício da política e classificou de uma contribuição passageira a experiência que teve no campo político quando ocupou os cargos de secretário de Cultura da Bahia e, depois, de ministro da Cultura durante o governo Lula. Gil disse que essa contribuição se deu mais na gestão da questão pública, no sentido de conceber e dirigir à população políticas públicas e refletir as necessidades delas."  

“Quarteto de arruaceiros”
Blog do Juca Kfouri, 29-03-2016
http://blogdojuca.uol.com.br/2016/03/quarteto-de-arruaceiros/
 "Quatro arruaceiros, num Honda Civic cinza, placas FES 5544, pararam na esquina da rua onde moro, por volta da meia-noite, um deles de máscara e camisa da CBF, e fizeram uma algazarra de acordar a vizinhança. Com buzinas nas mãos, xingavam: “Juca Kfouri, maldito, fdp, petista!”. Na segunda-feira retrasada já tinham feito o mesmo, com dois carros, e eram oito. Eu não estava em casa, mas minha mulher os viu, assim como o guarda-noturno, que não anotou as placas. Hoje, desci, anotei a placa e os abordei.
Logo fui dizendo que eles estavam enganados, que não sou e nunca fui petista e que sou contra o impeachment.”  

“Para além do espetáculo da crise”
Blog da Raquel Rolnik, 16-03-2016
https://raquelrolnik.wordpress.com/
 "(..) Aos que, como eu, se entusiasmaram com a possibilidade de imaginar o tal país do futuro chegando, com mais oportunidades e menos desigualdade, com uma democracia na qual todos pudessem ter direito a ter direitos. Também me dirijo aos que, como eu, se decepcionaram ao descobrir que a trilha das mudanças estava cada vez mais implicada no caminho da continuidade. Continuidade do quê? Da política como negócio.
(..) Ora, não é preciso muita profundidade analítica para saber que a saída de Dilma ou do PT do governo não resolve minimamente o tema da política como negócio que tanto nos revolta. Muito menos a necessidade de aprofundamento da democracia, quando, em nome da execração pública dos “culpados”, afronta-se, justamente, a institucionalidade democrática. (..)"


“Pela legalidade”
Wagner Moura, Folha de São Paulo, 30-03-2016
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2016/03/1755375-pela-legalidade.shtml?cmpid=compfb
 Tenho feito inúmeras críticas públicas ao governo nos últimos 5 anos. O Brasil vive uma recessão que ameaça todas as conquistas recentes. A economia parou e não há mais dinheiro para bancar, entre outras coisas, as políticas sociais que mudaram a cara do país. Ninguém é mais responsável por esse cenário do que o próprio governo.
O esfacelamento das ideias progressistas, que tradicionalmente gravitam ao redor de um partido de esquerda, é também reflexo da decadência moral do PT, assim como a popularidade crescente de políticos fascistas como Jair Bolsonaro.
É possível que a esquerda pague por isso nas urnas das próximas eleições. Caso aconteça, irei lamentar, mas será democrático. O que está em andamento no Brasil hoje, no entanto, é uma tentativa revanchista de antecipar 2018 e derrubar na marra, via Judiciário politizado, um governo eleito por 54 milhões de votos. Um golpe clássico."

“Erundina se filia ao PSOL, critica Dilma, mas é contra impeachment - Ex-prefeita de São Paulo diz que o partido se juntou a forças conservadoras”
O globo, por Evandro Éboli, 14-03-2016
http://oglobo.globo.com/brasil/erundina-se-filia-ao-psol-critica-dilma-mas-contra-impeachment-18873385#ixzz44Q0G8sGg
 “Esse pedido de impeachment não tem base jurídica. Não se sustenta. O que está ocorrendo é o jogo baixo do poder. A dita oposição faz esse jogo por ter perdido a eleição. Há uma composição hoje na Câmara muito ruim, de união de forças conservadoras — disse.”


“Olívio Dutra fala em “enjambração ideológica”, mas rejeita palavra golpe - Ex-governador defendeu que articulação pró-impeachment é promovida por aqueles que querem reduzir políticas sociais e de inclusão”
Rádio Guaíba, 09-12-2015
http://www.radioguaiba.com.br/noticia/olivio-dutra-fala-em-enjambracao-ideologica-mas-rejeita-palavra-golpe/
“Esse processo, da forma como foi desencadeado, evidentemente é uma ‘enjambração’ política e ideológica. Que se aproveita de um instituto previsto na Constituição do impeachment. Mas isso é apenas um gancho. (..) É uma enjambração daqueles que entendem que o estado brasileiro não pode ter políticas sociais, de inclusão, no nível que está tendo, tem que se encolher o estado, o estado tem que ser mínimo para maioria da população, e máximo para alguns que vêm se beneficiando há anos. Não concordo, não (com a denominação de golpe). Acho que tem é essa ‘enjambração’”, disse Olívio.
O ex-governador gaúcho defende ainda que é direito da presidente terminar o mandato. De outro lado, Olívio cobra que Dilma cumpra a agenda econômica que a elegeu, sem fazer concessões políticas a alianças e conveniências.”  


“Proposta de referendo em vez de impeachment irrita oposição: ‘oportunismo’”
BBC Brail, por Ricardo Senra, 23-03-2016
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160323_proposta_referendo_oposicao_rs?post_id=842797265773985_998855840168126#_=_
 “O líder do DEM no Senado prossegue: “E por acaso parlamentar não responde pelo povo?” 
Para o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), na configuração atual do Congresso, não. 
"Não há legitimidade neste Congresso para a discussão do impeachment. Há, na comissão (especial do impeachment), 38 deputados que sofrem ações judiciais. Não é possível que essas pessoas decidam sobre o tema", disse Alencar à reportagem nesta terça-feira, frisando que a posição oficial do PSOL é contrária ao impedimento da presidente.”

2016-03-31

quarta-feira, 30 de março de 2016

O tempo escoa

Imagem Pixabay
À falta de crimes de responsabilidade perfeitamente caracterizados, a deposição de Dilma pelo atual Congresso - alvo do justificado desprezo da quase totalidade da nação - é uma usurpação do poder, um “golpe branco” em benefício de uma plutocracia cronicamente incapaz de se alçar, pela força do voto, ao governo do país.

Somente uma Assembleia Constituinte soberana e democrática imposta pela mobilização popular teria legitimidade para interromper o mandato da presidenta eleita nos termos da Constituição em vigor.


No entanto, enquanto as bases petistas, intelectuais e universitários se mobilizam, por meio de manifestações e atos públicos, para barrar o impeachment em preparação no desmoralizado Congresso Nacional, a liderança do Partido dos Trabalhadores se omite de cumprir a sua principal obrigação que é criar, por meio da adesão de personalidades civis de reconhecida respeitabilidade, incluindo NECESSARIAMENTE jornalistas e intelectuais de oposição e políticos de partidos adversários - MUITOS DOS QUAIS JÁ SE PRONUNCIARAM PUBLICAMENTE CONTRA O IMPEACHMENT - um Comitê Nacional contra o Impeachment capaz de galvanizar as atenções e unir as forças de todos os que são pela INCOLUMIDADE DO MANDATO POPULAR DILMA ROUSSEFF independentemente de seu apoio ou oposição ao governo Dilma Rousseff.


A hora é agora. Frente democrática de verdade ou... babau!

2016-03-27

quinta-feira, 24 de março de 2016

O ocaso da Nova República: Constituinte e cenários alternativos - um esboço

À parte a frenética montagem do impeachment de Dilma, por crimes de responsabilidade até agora não caracterizados e pelas mãos de uma canalha parlamentar que não resiste a três dias de investigações, a evidência mais notória da falência da Nova República é o fato incontornável de que o Executivo e o Legislativo - dilacerados pelos temores, desconfianças e conflitos de interesses gerados pela combinação explosiva da desaceleração abrupta da economia com a supuração da "república das empreiteiras" - já não podem funcionar sem a arbitragem permanente do Judiciário (STF); uma situação administrativamente inviável e altamente instável do ponto de vista político. 

Na verdade, o primeiro dobre do fim da Nova República foi o tsunami democrático de junho de 2013, quando, incentivadas pela luta estudantil em favor da meia-passagem e impelidas pela combustão dos gases fétidos acumulados na preparação da Copa do Mundo, multidões nunca vistas no Brasil tomaram as ruas por ocasião da Copa das Confederações - espelhando-se na Primavera Árabe, nos Indignados da Puerta del Sol e nas Manifestações de Istambul - para exorcizar em público o sentimento represado e difuso de que algo de podre havia também em nosso vasto reino tropical.

Não apenas o pacto lulista está irremediavelmente comprometido; o equilíbrio anterior tampouco pode ser recuperado, tanto por ter o país mudado consideravelmente na era Lula, com a elevação do nível de vida - e exigência - das multidões urbanas relativamente ao Hades das décadas de 1980-90, quanto pelo fato de a ajudicação privilegiada dos negócios e serviços do Estado a um petit comité de bancos, empreiteiras e concessionárias integrados ao circuito financeiro mundial ter sido, notoriamente, catapultada ainda no decênio anterior - a "privataria" da era FHC - para não falar de seus primórdios sob José Sarney, já em vigência da Constituição de 1988.

A questão que parece resumir o atual impasse é: a elevação sustentada do nível de vida dos trabalhadores supõe o prolongamento do pacto sinistro que levou bancos e empreiteiras, pela mão do próprio Estado - sob Sarney, FHC e, desgraçadamente, Lula e Dilma, além de Câmara, Senado e Judiciário - à condição de virtuais concessionários do Brasil?

A resposta, quero crer, tem de ser dada por um novo Congresso Nacional eleito sem a influência do dinheiro e dos potentados midiáticos, com poderes Constituintes suficientes para proceder ao desmonte da "república das empreiteiras" e à criação, no Brasil, de um contrato social autenticamente democrático e dos poderes que lhe correspondam. 

É claro, um Congresso Constituinte democrático e soberano não poderá ser parido pela Nova República em franco processo de decomposição: terá de ser imposto pela mobilização em massa das novas gerações, por todo o país. Ele é o norte necessário da revolução democrática interrompida pelo descarrilamento do PT e retomada, caoticamente como não poderia deixar de ser em tais circunstâncias, pelo tsunami de junho de 2013.  

Nesse processo, o trabalhadorado brasileiro terá condições mais favoráveis para resgatar a sua identidade de classe e proceder à inadiável reconstrução de sua representação política, papel a que o PT renunciou por livre escolha de sua liderança histórica.

Os cenários alternativos, nada auspiciosos para a maioria dos brasileiros, são tipicamente três: 

O primeiro, já em acelerado ritmo de montagem , é um acordão conservador entre as diversas frações do empresariado, sua imprensa onipresente e seus estafetas parlamentares para um golpe congressional na forma do impeachment de Dilma, com a bênção longânime do STF e a anuência passiva e agradecida de militares escaldados que preferem permanecer em seus quartéis. Aqui, transfere-se o poder a Temer, encarrega-se a condução da economia a um ministério do mercado para proceder às "reformas estruturais" e, muito provavelmente, negocia-se, via STF, o paulatino relaxamento das prisões e sentenças dos mega-empresários e políticos processados e condenados em rito eficaz pela Lava-Jato - objeto de indisfarçável perplexidade nos clubes patronais e discretíssimo desconforto no âmbito da suprema corte. Esta alternativa é enormemente facilitada, nas circunstâncias da crise econômica, pela esterilização petista do movimento operário, inscrita no plano de subsunção de todas as classes ao Novo Brasil lulista de desenvolvimento ininterrupto e ganhos para todos - o "Brasil de classe média" de Dilma Rousseff. 

O segundo cenário adverso, cuja probabilidade aumenta exponencialmente no caso de insucesso do primeiro e recrudescimento da agitação política sem perspectiva de saída democrática, é um golpe militar bonapartista, com as consequências conhecidas no que tange às liberdades e direitos. Uma das variantes deste cenário, que lhe explicita o atributo "bonapartista", é a exacerbação, concomitante à restrição das liberdades democráticas, do rigor punitivo da Lava-Jato (com ou sem Moro) contra empresários e políticos, de quaisquer partidos e facções classistas, envolvidos em crimes reais e imaginários contra o Estado e suas agências. 

O terceiro cenário adverso é a aventura populista, na forma de uma guinada à esquerda  baseada não na democracia de massas via Constituinte, mas no prestígio carismático do líder - menos provável na crise atual por não corresponder, aparentemente, às inclinações pessoais do único líder imaginável e não dispor, em todo caso, de suporte suficiente e adequado nas máquinas sindicais nem, até onde se pode enxergar, da indispensável simpatia de segmentos fardados relevantes.

O desenrolar dos acontecimentos não seguirá à letra, é claro, nenhum desses esquemas, mas tenderá, de uma ou outra forma, a remeter a algum deles, quem sabe uma combinação. O certo é que o curso tomado pelo empresariado, de forçar a queda de Dilma pela mão de um Congresso destituído da mínima sombra de prestígio popular e premido pela espada de Dâmocles da Lava-Jato, não tem qualquer chance de resultar em uma solução politicamente estável. A queda de Dilma não tem, ao contrário das ilusões disseminadas, o condão de despertar a economia - o que não fará nem um pouco felizes as multidões assalariadas. Muita água há de rolar debaixo dessa ponte - e quem sabe por cima também. 

2016-03-24

terça-feira, 22 de março de 2016

Impeachment não!

Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe contra a Constituição!

A luta contra o golpe parlamentar reacionário em preparação no Congresso Nacional, na forma do impeachment da presidente Dilma Rousseff - com patrocínio do empresariado via grande imprensa, trâmites a cargo de Eduardo Cunha, cobertura total e interessada de Michel Temer e foco na entrega da economia a um novo "ministério do mercado" - é a prioridade absoluta para todos os defensores das prerrogativas constitucionais  do exercício do poder. 


Ela terá, no entanto, de se dar em meio a um debate áspero, intenso e obrigatório de ideias conflitantes a respeito de como chegamos a essa crise e de como sair dela. A unidade na luta não supõe nem admite a prévia supressão das divergências, muito menos a renúncia de cada um a suas ideias e iniciativas.

Urge a formação de um Comitê Nacional supra-partidário para a defesa do MANDATO PRESIDENCIAL de Dilma Rousseff, que não pode, sob nenhum pretexto, se confundir com a defesa do governo Dilma (ou de Lula e do PT), tampouco com o repúdio apriorístico à Lava-Jato, ao MP, à Polícia Federal, ao STF.  

Qualquer tentativa de embaralhar as cartas, de subordinar a luta contra o impeachment a acordos prévios, explícitos ou implícitos, a respeito da posição “governista” ou “anti-governista” das pessoas e entidades envolvidas é um crime contra as aspirações democráticas dos trabalhadores, dos intelectuais, da juventude estudantil, de todos os brasileiros.

Não vejo ninguém melhor, a esta altura, para liderar essa iniciativa, que poderá ter alcance internacional, do que a deputada Luiza Erundina. Em recente entrevista concedida a O Globo, ela resumiu com absoluta propriedade a situação: “Contra o impeachment de Dilma, independentemente de minhas críticas ao governo Dilma”.

2016-03-22