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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Subsídio globeleza

G1 Rio 20-11-2016, por Alba Valéria Mendonça

Rio mantém valor da subvenção para as escolas de samba

Cidade vai dar R$ 2 milhões a cada escola de samba para carnaval 2017

Imagem: Internet
http://blogbomdiabrasil.blogspot.com.br
/2014/03/carnaval-na-globo-abrirfechar-globeleza.html
Que, numa sociedade em que a imensa maior parte do excedente provém do lucro do investimento privado - dependente, em todos os casos, de consumo suficiente -, o Estado tenha a obrigação de subvencionar a cultura com a receita dos impostos me parece chover no molhado.

Ocorre que o desfile das Escolas de Samba do carnaval carioca, assim como o futebol e alguns outros esportes e competições, são manifestações culturais há muito apropriadas, pela via dos direitos de televisão, pela indústria do entretenimento - uma das mais lucrativas do planeta.

A não ser que ficasse perfeitamente demonstrado, mediante a abertura das contas no negócio, que os lucros da transmissão do desfile das Escolas de Samba do Carnaval do Rio Janeiro para todo o Brasil e boa parte do planeta não são suficientes para cobrir os custos de sua produção, incluindo o de capital - e, vá lá, algum extraordinário - teríamos de admitir que a subvenção paga pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro às Escolas de Samba do Grupo Especial é, na verdade, um subsídio à margem de lucro da Rede Globo de televisão, da mesma maneira como seria se o Estado subvencionasse - a bem da verdade já o faz há muito tempo com a sua incorrigivel leniência fiscal - os clubes que disputam a 1ª e 2ª divisões do Campeonato Brasileiro de Futebol!

PS: O Desfile das Escolas de Samba não tem uma contabilidade unificada, como não têm a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos e as PPPs em geral. 

PS: A propósito, O Globo declarou, no Editorial de 21-06-2016, que “a Olimpíada está acima da crise da dívida”. 

2016-11-21

sábado, 16 de julho de 2016

Legado pra ninguém botar defeito

O Globo 16-07-2016, por Carolina Oliveira Castro e Roberto Maltchik

Sem interessados, Prefeitura vai desistir de PPP do Parque Olímpico

Imagem: Charlie Brown, por Schulz (Internet)
Órgão deve administrar arenas com ajuda da União

"Há também um problema de atratividade do negócio. Algumas arenas que têm pouco valor comercial, como o velódromo, o centro de tênis e o Estádio Aquático Maria Lenk. Além disso, nem todas as confederações teriam como arcar com a manutenção. Hoje fechadas, só a prefeitura gasta R$ 10 milhões por mês com a manutenção de cada uma dessas instalações. E o Comitê Rio-2016 ainda arca com outra parte." (..)

2016-07-16

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Glossário de Sociologia e Política


PPP (Parceria Público-Privada)

Moderna técnica auxiliar do já secular conluio terapêutico conhecido como DDD - Diálise Despesa-Dívida [Pública], por meio da qual os proprietários das grandes marcas internacionais se associam aos Estados nacionais e subnacionais para promover grandes eventos e empreendimentos urbanos suficientemente lucrativos (artigo raro na indústria dos dias de hoje), mas que dependem de montanhas de gastos em infraestrutura e equipamentos públicos, além de eventuais vantagens fiscais e direitos extraconstitucionais. A característica essencial das PPPs é que o lucro dos empreendimentos fica todo com os privados e a dívida com os Estados para ser repartida entre os agradecidos cidadãos.

Veja outros verbetes do Glossário clicando em

2015-04-06


quinta-feira, 26 de março de 2015

PPPs e DDDs

Folha de S Paulo 24-03-2015, por Sérgio Rangel

'Não vamos fazer lucro com os Jogos', diz diretor-geral do comitê da Rio-2016

Entrevista com Sidney Levy, diretor-geral do comitê organizador da Rio-2016

A imagem da Vila Olímpica 
Rio 2016 sintetiza a
composição orgânica do
Capital no Século XXI (©Piketty):
No primeiro plano a Festa,
no segundo a Ordem,
no terceiro a Taxa de Lucro 
O relevante depoimento do Dr. Levy, CEO do COI, sugere ao blogueiro a seguinte descrição da Democracia Capitalista do Professor Merval, que, como deveria saber todo leitor deste nefando blog político-escatológico, "ainda NÃO é um Capitalismo de Estado como o chinês".

Para promover grandes eventos e empreendimentos urbanos suficientemente lucrativos (artigo raro nos dias de hoje e origem de toda essa confusão), mas que dependem de montanhas de gastos em infraestrutura e equipamentos públicos (fora as vantagens fiscais e direitos extraconstitucionais), os proprietários das grandes marcas internacionais se associam aos Estados pela via das chamadas PPPs - Parcerias Público-Privadas - e suas congêneres.

A característica essencial das PPPs é que o lucro dos empreendimentos fica todo com os privados e a dívida com os Estados para ser repartida entre os agradecidos cidadãos. As PPPs são uma moderna técnica auxiliar do já secular conluio terapêutico conhecido como DDD - Diálise Despesa-Dívida [Pública], do qual depende a saúde e longevidade da vetusta tutelanda do Professor Merval. 

A versão contemporânea da DDD compreende duas fases: na primeira (Despesa Pública) ganham as empreiteiras e concessionárias, na segunda (Dívida Pública), os bancos. O governo é o "laranja", o nível de emprego (ou a revitalização da cidade) o álibi e os trabalhadores em geral os "pagadores de última instância". 

Quando o Tesouro não tem mais grana para honrar a dívida, a diálise colapsa e a paciente entra em crise. Alarme! É a hora do E.R.: os bancos credores passam a pedir a “contenção do gasto público”, o professor Merval a perorar as virtudes do “dever de casa” e o outro Levy - o ministro – a ministrar, como compete ao cargo, o “remédio amargo”. Restabelecidos os sinais vitais, a veneranda senhora retorna à santa rotina da sua DDD!

E la nave va, com mais uma rodada de concessões e PPPs.

2015-03-26