O que mais impressiona no ponto de vista dessa senhora é o total desinteresse, desprezo mesmo eu diria, pelos interesses gerais de sua própria classe, a dos capitalistas, cuja guarda é hoje exercida pelo presidente que ela prefere ver derrotado nas próximas eleições por sua suposta incapacidade de fazer o "ajuste das contas públicas".
Por "ajuste das contas públicas", o que Madame tem em mente não é a recuperação, digamos, dos bilhões do Rio Previdência evaporados nas pilantragens de Claudio Castro e Daniel Vorcaro e dos subsídios à habitação social desviados pelas incorporadoras para o aluguel rotativo, ou a extinção dos penduricalhos do Judiciário, das emendas legislativas e dos exércitos de apaniguados a que têm direito os picaretas que infestam o Congresso Nacional, as Assembleias estaduais e as Câmaras municipais, autênticos profissionais do rentável negócio da representação política que hoje constitui a essência das instituições parlamentares em nosso país, mas o corte... dos programas de governo destinados à manutenção da paz social indispensável à boa marcha dos negócios em geral!
Na verdade, o "ajuste das contas públicas" de Madame é o corte de todas as despesas que não vão, por via legal ou ilegal, parar nas mãos de investidores e consumidores de bens e serviços supérfluos e suntuários.
Que diferença há, pergunto, entre o ponto de vista de Madame, que espera ser governada por uma gangue de mafiosos na esperança de um tal "ajuste das contas públicas", e o do vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, que declarou há poucos dias estar "fazendo a obra de Deus e se isso conduz ao fim do mundo, tudo bem"?
Acho que essa gente precisa ser recolhida, o quanto antes, à Casa Verde. Chamem o Dr. Simão Bacamarte!
