sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Avebarna Fridays for Future

Observatório do Clima 08-10-2026, por Priscila Pacheco
https://oc.eco.br/em-plena-crise-climatica-anp-amplia-areas-para-exploracao-de-petroleo-e-gas/

Em plena crise climática, ANP amplia áreas para exploração de petróleo e gás

Estimativas apontam que se todas as áreas arrematadas em leilão forem exploradas, 407 milhões de toneladas de CO₂ serão lançados na atmosfera

Para Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do Observatório do Clima e do Climainfo, a distribuição dos bônus mostra onde está o maior interesse da empresa: nas áreas marítimas. “Os bônus dos blocos marítimos foram, em média, 450 vezes maiores que os das áreas terrestres”, diz.

O pesquisador vê uma contradição entre a expansão da exploração e o discurso da Petrobras de que os recursos obtidos com o petróleo serão usados para acelerar a transição energética. “A bem da verdade, [a transição] ainda não saiu do papel. Aliás, pelos planos da Petrobras, ocupa muito pouco papel”, afirma. No Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras apontou 20% de redução nos investimentos para transição energética.

Watanabe também contesta o argumento de que a abertura de novas áreas seria necessária para garantir a segurança energética do país diante de uma eventual redução das reservas do pré-sal. Segundo ele, as reservas provadas brasileiras, estimadas pela ANP em mais de 17 bilhões de barris no início deste ano, seriam suficientes para mais de duas décadas considerando o consumo atual, sem levar em conta a tendência de redução da demanda provocada pela transição energética. (..)
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Perguntado, em entrevista ao jornal DW de 12-11-2023, como avaliava “o discurso do governo Lula, [que] transita entre a preservação ambiental e uma visão desenvolvimentista”, Ailton Krenak respondeu:

“Talvez, o Lula não tenha outra opção. Ele foi pego numa sinuca de bico entre um Congresso fascista e um conjunto de situações internamente estruturadas por uma classe econômica totalmente vampira. Os bancos são vampiros, o agronegócio é vampiro. Todo mundo aqui é vampiro. E eles querem vantagens”.

Eu diria que são verdadeiras tanto a avaliação de que Lula é um desenvolvimentista que relega o problema ambiental ao segundo plano da governança nacional, quanto a percepção de que ele vive uma sinuca de bico entre suas frágeis preocupações ambientais e as exigências de uma “classe econômica vampira” para a qual o acesso às rendas do petróleo é a máxima prioridade.

Fato é que a exploração dos combustíveis fósseis é um problema planetário, do ponto de vista ambiental e econômico. Não existe transição energética possível à escala nacional de países de centenas de milhões de habitantes, profundamente integrados ao mercado mundial de todos os produtos e serviços que se possam imaginar - boa parte deles direta ou indiretamente dependentes de derivados de petróleo.

Ou seja, o problema não é Lula se furtar a uma transição energética nacional, mas a um papel político agressivo na exigência de um acordo mundial nesse sentido. No mundo da economia vampira, bons exemplos não bastam. E acordos diplomáticos de cima para baixo, como os de Paris, também não. “O Brasil quer fazer a transição energética. E quer começar amanhã com tais e tais medidas. Mas é preciso que os demais países a façam também. Ou iremos todos para o buraco”. Eu acho que a juventude eco-responsável de todo o planeta entenderia perfeitamente. E é nela que temos de apostar todas as fichas.